10º International Uranium Film Festival Rio de Janeiro 2021 divulga seus premiados

Crédito: International Uranium Film Festival Rio de Janeiro 2021.

O 10º International Uranium Film Festival Rio de Janeiro 2021, devido à pandemia da Covid-19, aconteceu pela primeira vez online e teve espectadores de todos os continentes, em 74 países: do Brasil à Groenlândia, com as maiores visualizações provenientes dos Estados Unidos, Japão e Brasil, nesta ordem. De 20 a 30 de maio, o Uranium Film Festival – com o apoio do Museu de Arte Moderna do Rio (MAM Rio) – veiculou 34 filmes de 15 países sobre armas nucleares e energia nuclear, de Hiroshima a Fukushima, online e gratuitamente, num total de quase 7.000 visualizações. “O Festival teve um enorme alcance. Parabéns!” Disse José Quental, coordenador de Cinema da Cinemateca do Museu de Arte Moderna Rio (MAM Rio).

O autor do best-seller norte-americano, Greg Mitchell, recebeu o prêmio de Melhor Filme de Arquivo por seu primeiro documentário “Atomic Cover-Up” (Acobertamento Atômico). Duas cineastas dividem o prêmio de Melhor Documentário: Ayumi Nakagawa do Japão por “Atomic Refugee Moms” (Maes atômicas refugiadas) e a cineasta francesa Keiko Courdy por seu novo documentário sobre Fukushima “The Invisible Island“ (A ilha invisível).

Menções honrosas receberam Daniel Abib (Brasil) para “Pequeno Objeto A”, Adam Jonas Horowitz (EUA) com a sua estreia mundial “Atomic Gods – Creation Myths of the Bomb” (Deuses Atômicos. Mitos de Criação da Bomba), Kim Mavromatis e Quenten Agius (Austrália) pelo seu poderoso curta-metragem “Bobby Brown Homelands – Living with the legacy of British Nuclear Testing” (A Pátria de Bobby Broen – Vivendo com o Legado dos Testes Nucleares Britânicos) e Futoshi Sato (Japão) para “The Seal of the Sun” (Taiyo no Futa) que recebeu o título em português de “Fukushima: 5 dias decisivos”.

Além disso, o International Uranium Film Festival Rio 2021 deu o Prêmio de Honra ao Mérito (Lifetime Achievement Award) a duas personalidades do mundo do desarmamento nuclear: Sérgio Queiroz Duarte por ser até hoje, o maior representante que o Brasil já teve nas Nações Unidas para tratar sobre o assunto do desarmamento nuclear. E o vencedor do prêmio Emmy, o documentarista e produtor nova-iorquino Robert E. Frye, criador do “The Nuclear World Project“ (Projeto Nuclear Mundial).

Sérgio de Queiroz Duarte, diplomata brasileiro, atualmente aposentado, foi embaixador do Brasil na Nicarágua, Canadá, China e Áustria. Foi representante do Brasil na Agência Internacional de Energia Atômica de 1999 a 2002. Presidiu a Conferência de Exame do TNP (Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares) em 2005. Foi alto representante da ONU para assuntos de desarmamento de 2007 a 2012 e atualmente é presidente da organização não governamental Pugwash, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1995.

Sérgio Duarte e Bob Frey, como é conhecido, encontraram-se no festival em uma live que também contou com a presença do cineasta brasileiro Miguel Silveira e o professor Cristian Wiitman. Um encontro essencial sobre o assunto mais essencial de todos: a ameaça real das armas atômicas. O International Uranium Film Festival 2021 teve apoio do Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM Rio) e Cachaça Magnífica de Faria.

Veredito do Júri sobre os filmes

“Pequeno Objeto A”

Várias questões importantes são abordadas no filme. O encontro com o imprevisível e o que se faz com isto, sendo que sempre sobra um resto. Esta associação entre o que se faz com isto e o questionamento da relação entre ciência e virtude na Era Atômica, é a grande sacada do jovem e promissor cineasta Daniel Abib. ‘Pequeno Objeto A’ é uma obra universal”. Por Ana Maria Ferreira da Silva, psicanalista. Coordenadora do projeto Cinema e Psicanálise na Fábrica Bhering.

“Atomic Cover-Up” (Acobertamento Atômico)

Greg Mitchell é o grande vencedor do público e do júri. É uma obra-prima. Tira da escuridão o trabalho árduo de cinegrafistas japoneses e estadunidenses que lado a lado lutaram para impedir o início da corrida armamentista nuclear mundial. Além disso, o filme representa um dos principais objetivos do Uranium Film Festival que é valorizar os cinegrafistas, fotógrafos, cineastas e produtores que arriscam suas vidas para dar visibilidade à Era Atômica”, diz a co-fundadora do festival Márcia Gomes de Oliveira.

“Atomic Refugee Moms” e “The Invisible Island”

Sobre ‘Atomic Refugee Moms’ e ‘The Invisible Island’, Márcia Gomes disse em nome do júri do festival: “Duas cineastas, a francesa Keiko Courdy e a japonesa Ayumi Nakagawa são premiadas pela sensibilidade em olhar para um problema tão delicado que é a vida de quem vive até hoje sob estresse causado pelo acidente nuclear de Fukushima, em março de 2011. As duas cineastas aproximam o público da situação dessas vítimas, com profunda delicadeza e respeito. Por isso, o prêmio de melhor documentário International Uranium Film Festival 2021 vai para as duas!”.

Dois pontos de vista e a mesma dor: O filme de Ayumi Nakagawa, Atomic Refugee Moms (Mães Atômicas Refugiadas), mostra quem optou por partir da área potencialmente contaminada, abandonou tudo o que tinha, despedaçou os laços familiares e vive as dificuldades da pobreza imposta. Quem optou por enxergar o risco da radioatividade e buscar afastar-se dele. Por outro lado, o filme de Keiko Courde, L’Île invisible (A Ilha Invisível), mostra quem optou por ficar e dar continuidade aos seus laços familiares, usufruindo dos seus bens materiais conquistados ao longo da vida, mas vivendo em uma paz ameaçada permanentemente pelos riscos da radioatividade“.

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