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Mercosul pede diálogo e alerta para “iniciativas unilaterais” no conflito Venezuela-Guiana

Fotografia oficial dos chefes de Estado do Mercosul. Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

Os membros do Mercosul manifestaram “profunda preocupação com a elevação das tensões entre a República Bolivariana da Venezuela e a República Cooperativa da Guiana” em nota conjunta sobre a situação do conflito. A nota foi uma sugestão apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura da Cúpula dos Chefes do Estado do bloco, que ocorreu no Rio de Janeiro, na quinta-feira, 7 de dezembro.

A Venezuela reivindica o território de Essequibo, rico em petróleo, pertencente à Guiana. Segundo a nota, a “América Latina deve ser um território de paz e, no presente caso, trabalhar com todas as ferramentas de sua longa tradição de diálogo”. O documento é assinado pelas nações que compõem o Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, além de países associados, como Chile, Colômbia, Equador e Peru.

Os integrantes do Mercosul alertam na nota “sobre ações unilaterais que devem ser evitadas, pois adicionam tensão, e instam ambas as partes ao diálogo e à busca de uma solução pacífica da controvérsia, a fim de evitar ações e iniciativas unilaterais que possam agravá-la”. “A América Latina deve ser um território de paz e, no presente caso, trabalhar com todas as ferramentas de sua longa tradição de diálogo.​ Nesse contexto, alertam sobre ações unilaterais que devem ser evitadas, pois adicionam tensão, e instam ambas as partes ao diálogo e à busca de uma solução pacífica da controvérsia, a fim de evitar ações e iniciativas unilaterais que possam agravá-la”, afirma a declaração.

Em seu pronunciamento nesta quinta-feira, Lula pediu apoio da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) para promover e resolver de forma pacífica a crise sobre o tema. Lula ainda convocou, na noite de quarta-feira, 6 de dezembro, uma reunião de emergência com o chanceler Mauro Vieira e o embaixador Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais, sobre a tensão entre os dois países.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na terça-feira, 5 de dezembro, uma lei para Assembleia Nacional criar o Estado de Guiana Essequiba. A província surgiria da anexação do território de Essequibo, que é rico em petróleo e corresponde a 70% da Guiana. Maduro também criou, na terça-feira (5), a Zona de Defesa Integral da Guiana Essequiba, nomeou um general como “única autoridade” da área e ordenou que a petrolífera Estatal PDVSA conceda licenças para a “extração imediata” de recursos naturais na região. Para tal, criou a PDVSA-Essequibo.

O presidente da Guiana, Irfaan Ali, afirmou que o plano da Venezuela representa “uma ameaça iminente” à integridade territorial de seu país e à paz mundial, e anunciou “medidas de precaução” para proteger a nação. O primeiro passo será levar o assunto ao Conselho de Segurança das Nações Unidas ainda hoje para que o órgão adote “medidas apropriadas”.

Os dois países disputam há anos esse território. Em 2015 foi descoberto que a região é abundante em petróleo. No mês passado, a Guiana anunciou outro importante descobrimento que acrescenta, pelo menos, 10 bilhões de barris às reservas do país, tornando-as maiores que as do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos. “Uma coisa que não queremos aqui na América do Sul é guerra. Não precisamos de guerra, não precisamos de conflito”, declarou o presidente Lula durante a abertura da 63ª reunião de cúpula do Mercosul, no Rio de Janeiro.

Essequibo, uma região de 160.000 km² a oeste do rio Essequibo, representa 70% do território guianês e, atualmente, vivem 125 mil dos 800 mil habitantes desse país. Maduro diz que o rio Essequibo é a fronteira natural, como em 1777 quando era colônia da Espanha, e apela ao acordo de Genebra, assinado em 1966 antes da independência da Guiana do Reino Unido, que estabelecia as bases para uma solução negociada e anulava um laudo de 1899, que fixou os limites atuais.

Fonte: Texto originalmente publicado no site do Jornal Hora do Povo.
Link direto: https://horadopovo.com.br/mercosul-pede-dialogo-e-alerta-para-iniciativas-unilaterais-no-conflito-venezuela-guiana/

Exercício dos EUA na Amazônia pode ter sido estágio para base militar na Guiana

De acordo com um informativo voltado para o meio militar, a aproximação entre as fileiras dos EUA e da Guiana estão sendo estreitadas nos últimos dias. “Coincidentemente”, quando a Venezuela acaba de realizar um referendo em 3 de dezembro, apontando que 95% da população quer que os 74% do território da região de Essequibo – na Guiana Inglesa -, seja incorporado ao seu país. Nos dias 27 e 28 de novembro ocorreram encontros entre a 1st Brigada de Assistência às Forças de Segurança (SFAB) do Exército dos Estados Unidos que tiveram como objetivo – segundo o Comando Sul estadunidense -, o estreitamento de relações para que seja estabelecida uma base militar na área contestada.

A agenda teve o caráter de “recado” para o presidente Nicolás Maduro, de que os EUA podem tomar o lado da Guiana, caso a Venezuela insista em sua reivindicação e escale para um conflito ou invasão do território almejado. O SFAB é uma unidade especializada do Exército dos EUA criada para “aconselhar e ajudar as nações parceiras”, segundo eles, evidentemente. Desde 2022, o SFAB realizou vários exercícios de formação conjuntos com o GDF para reforçar a “sua capacidade e a capacidade a nível táctico e operacional”. E, não por acaso, aqui (no Brasil) também.

Desde setembro (ou até mesmo antes disso), a inteligência estadunidense já havia detectado a movimentação venezuelana nesta direção, a de incorporar o território de Essequibo, onde a Exxon (dos EUA) vem explorando rios de petróleo e aumentando abruptamente a arrecadação da Guiana. Estimativas do Banco Mundial dão conta de que só neste ano, a economia da Guiana deve crescer 48%, a taxa mais rápida do planeta. Na mesma época, em setembro, o representante da Venezuela denunciou em uma reunião da ONU que os Estados Unidos estavam decididos a estabelecer uma base militar na região/alvo do litígio no norte da América do Sul.

Fonte: Texto originalmente publicado no site do 247.
Link direto: https://www.brasil247.com/blog/exercicio-dos-eua-na-amazonia-pode-ter-sido-estagio-para-base-militar-na-guiana

Denise Assis

Jornalista e mestra em Comunicação pela UFJF. Trabalhou nos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora da presidência do BNDES, pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de “Propaganda e cinema a serviço do golpe – 1962/1964” , “Imaculada” e “Claudio Guerra: Matar e Queimar”

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