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Casa Carnaval busca o resgate histórico-cultural, o intercâmbio entre os povos e a profissionalização dos artistas carnavalescos

Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

Apesar da chuva forte, o público amante do Carnaval fez questão de comparecer à inauguração de um projeto que promete ser um divisor de águas para esta indústria e o movimento carnavalesco, que hoje faz parte da identidade cultural brasileira: a Casa Carnaval. Localizada na rua Mercado, número 37, no Centro do Rio de Janeiro, este prédio antigo passa por reformas para tornar-se um espaço que, ao mesmo tempo, será empreendedor, preservará a memória, valorizará a cultura nacional, o intercâmbio entre as nações e irá acolher todos aqueles que têm amor pela maior manifestação da cultura popular do país e da Terra.

Neste último sábado, dia 19 de outubro de 2024, a abertura oficial contou com o Festival do Chopp Muitos Carnavais, promovido pela cervejaria sustentável Ecobier, a roda samba embalada pelo grupo Roda de Santa, além dos sabores que ficaram a cargo do Temperô da Preta.  Integrando a programação, a cantora lírica Carla Rizzi, mezzo soprano do Teatro Municipal e da Cia Julieta de Serpa, caracterizou-se de Carmen Miranda e se apresentou interpretando sucessos da cantora.

A cantora lírica Carla Rizzi, mezzo soprano do Teatro Municipal e da Cia Julieta de Serpa. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

A professora, atriz, passista, ex-rainha de bateria e pesquisadora do samba e da dança, Egili Oliveira também fez parte das festividades. Ela é uma das integrantes da Casa Carnaval, onde pretende realizar um trabalho de resgate da ancestralidade africana e do poder das mulheres. “Estabeleci uma metodologia que se chama Samba do Coração e que estará disponível na Casa Carnaval ao público. A ideia geral é que mulheres e homens possam entender que juntos somos mais fortes; que devemos incluir e não excluir”, explicou em entrevista à Revista Intertelas. Segundo ela, a Casa Carnaval vai agregar e dar oportunidade para novos artistas, possibilitando que eles possam apresentar seus trabalhos.

A professora, atriz, passista, ex-rainha de bateria e pesquisadora do samba e da dança, Egili Oliveira. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

Este projeto pode servir de referência para o mundo inteiro.  Eu gostaria que essa Casa fosse uma base para que os visitantes, profissionais e todos aqueles que têm apreço pelo Carnaval pudessem chegar e serem acolhidos. Eu, por exemplo, no meu estudo, resgato a ancestralidade africana e o poder das mulheres negras, em especial o papel que elas exerceram ao longo da nossa história e da nossa identidade cultural. Eu não tenho tanta abertura em centros-culturais, mas a equipe da Casa Carnaval entendeu o meu trabalho e me acolheu. Com este resgate ancestral, também busco aprofundar o nosso conhecimento sobre a simbologia das mulheres e do feminino”.

O grupo Roda de Santa. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

A diretora executiva da Casa Carnaval, Fabiana Amorim, também conversou com a Intertelas e salientou que muitas pessoas no Brasil, às vezes, não compreendem o quanto o Carnaval é importante tanto do ponto de vista cultural, quanto econômico para o Rio de Janeiro. Para ela, o Rio tem uma enorme vocação para o turismo. “Veja países como França, Itália, Alemanha, todos investem pesadamente neste setor e outros relacionados à cultura. O Rio de Janeiro continua sendo o cartão postal do Brasil. Os grandes eventos culturais e esportivos nacionais e internacionais ocorrem nesta cidade. Ele é a porta de entrada do mercado brasileiro para investimentos. O carnaval pode contribuir muito mais para a engrenagem da economia local e a Casa Carnaval tem entre os seus objetivos contribuir para a profissionalização da área, para o estudo e disseminação do conhecimento sobre o Carnaval que é uma das maiores manifestações culturais do Rio e do Brasil”.

A diretora executiva da Casa Carnaval, Fabiana Amorim. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

A Casa Carnaval é um projeto que também integra uma iniciativa da Prefeitura carioca que visa revitalizar a região central do Rio, tornando-a um polo cultural e residencial. Conforme o também diretor executivo da Casa, Bruno Tenório, o objetivo da equipe idealizadora é pensar e trabalhar um conceito sobre o Carnaval de forma mais ampla. “A parte superior da Casa vai ser dedicada a cursos e a uma exposição que vai acontecer a partir do dia 15 de novembro, feriado da Proclamação da República. O Carnaval é um período em que as classes sociais se misturam, mas onde obviamente as divisões persistem. Então esta será uma provocação nossa, uma provocação da elite popular, por assim dizer”.

O diretor executivo da Casa, Bruno Tenório. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

De acordo com ele, a Casa almeja atingir o público brasileiro e o estrangeiro que tem um interesse pelo Carnaval como arte, como ofício, como manifestação cultural. “Nós sempre tivemos esta questão que o Brasil precisa deixar de ser o país do Carnaval, mas não. Nós precisamos continuar a ser o país do Carnaval e agregar outras coisas, outros valores. Então, vamos ter uma exposição que aborda a história do Carnaval brasileiro desde o Brasil Colônia até os dias atuais. Da mesma forma, vamos abordar temas como os carnavais que ocorrem ao redor do mundo. Após concluída a reforma do prédio, vamos realizar workshops, palestras, rodas de samba, exposições, um cineclube em colaboração com a Universidade Federal Fluminense (UFF), além de termos uma loja conceitual onde estarão disponíveis para venda produtos de artesãos e profissionais do Carnaval”.

É objetivo da Casa Carnaval auxiliar os profissionais do setor e a busca de financiamento e cooperação com outras áreas e indústrias culturais. “Também está nos nossos planos realizar diversas ações com empresas da moda e de outros segmentos, para estabelecer uma interação e trazer esses profissionais do carnaval para essas indústrias e vice e versa”. Como é perceptível, a Casa Carnaval antes de tudo será um espaço para a imersão no universo carnavalesco.

Por isso, como informado pela assessoria da Casa, em breve, mais atrações estão para acontecer como o concurso da Corte das Escolas de Samba Mirins para o Carnaval 2025. Pela primeira vez, em 12 anos de atividades, o Rei Momo, a Rainha e as 1ª e 2ª Princesas Mirins do Carnaval serão selecionados fora de uma quadra de escola de samba. As candidatas e candidatos mirins são oriundos das 17 escolas de samba tradicionais que integram a Associação das Escolas de Samba Mirim do Rio de Janeiro (AESM-RIO) e, desta vez, saem dos limites das quadras para se apresentarem junto à população, bem no coração da Cidade. Então, para você que deseja se aproximar e conhecer o Carnaval e todas as suas facetas, faça uma visita à Casa e explore este mundo diverso de possibilidades e significados.

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