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Destaques da Reunião de Cúpula Japão-Brasil

Lula ao lado do primeiro-ministro, Ishiba Shigeru. Crédito: Ricardo Stuckert /PR.

Em razão da visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão, o Consulado Geral do país asiático no Rio, em nota à imprensa, informou os destaques da reunião de Cúpula entre Lula e o primeiro-ministro Ishiba Shigeru, na Casa dos Convidados do Estado. Foi comunicado que os dois líderes também testemunharam o lançamento do “Plano de Ação para a Parceria Estratégica e Global Brasil-Japão (2025-2030)” e realizaram uma coletiva de imprensa conjunta. Entre os destaques foram salientados que ambos os líderes concordaram em visitar os países um do outro para realizar uma reunião a cada dois anos, a fim de fortalecer ainda mais as relações Japão-Brasil como “parceiros estratégicos e globais”.

Com relação às políticas externas e segurança, os dois mandatários confirmaram que o G4 continuará a trabalhar em conjunto para fazer progressos concretos na reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) neste ano, que marca o 80º aniversário da sua fundação. Sobre a situação na Ucrânia, no Oriente Médio e na Ásia Leste, o primeiro-ministro Ishiba afirmou que tentativas de mudar unilateralmente o status quo pela força ou coerção não devem ser toleradas em nenhum lugar do mundo. O primeiro-ministro também solicitou compreensão e cooperação contínuas para a resolução imediata da questão da abdução pela Coreia do Norte. Os dois líderes concordaram em continuar a manter uma comunicação próxima sobre as situações regionais.

No que diz respeito às as relações comerciais e de investimento entre o Japão e o Brasil, Ishiba saudou a visita de mais de 100 membros da missão empresarial do Brasil e o anúncio de cerca de 80 projetos de cooperação nos setores público e privado. Além disso, o primeiro-ministro destacou que os esforços do presidente Lula para melhorar o ambiente de negócios, incluindo a reforma tributária e o desenvolvimento da infraestrutura, são extremamente importantes para a expansão dos investimentos das empresas japonesas, e expressou suas expectativas de que a liderança de Lula avance nesses esforços.

O presidente Lula e o primeiro-ministro Ishiba Shigeru ao lado das comitivas de ministros e autoridades dos dois países que assinaram acordos de cooperação. Crédito: Ricardo Stuckert / PR.

Nesta linha, ambos tornaram público o lançamento antecipado da Japan-MERCOSUR Strategic Partnership Framework, sob a qual avançarão discussões para aprofundar as relações comerciais e ainda confirmaram a importância do regime de comércio internacional, com a Organização Mundial de Comércio (OMC) em seu núcleo, que está comemorando seu 30º aniversário desde sua criação. Segundo eles, Japão e o Brasil trabalharão juntos para defendê-lo. De acordo com a nota à imprensa, o primeiro-ministro Ishiba declarou a sua determinação de cooperar com a presidência brasileira da 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

Ele também afirmou que, no âmbito da Iniciativa de Parceria Verde Japão-Brasil (GPI, Green Partnership Initiative), lançada no ano passado, os dois países promoverão a cooperação com foco na restauração de pastagens degradadas e no combate ao desmatamento ilegal na Amazônia, utilizando também a “Iniciativa da Co-Criação para uma Agenda Comum”, a nova abordagem da cooperação japonesa. O presidente Lula expressou sua gratidão pela cooperação do Japão e sua vontade de colaborar ainda mais para proteger a Amazônia e combater as mudanças climáticas.

Sob a Iniciativa para Combustíveis Sustentáveis e Mobilidade (ISFM, Initiative for Sustainable Fuels and Mobility), lançada no ano passado, o Japão e o Brasil liderarão a descarbonização do setor automotivo global, aproveitando os pontos fortes de ambos os países. Na questão sobre o impacto da inteligência artificial na sociedade atual, ambos os países reconheceram o papel positivo das tecnologias digitais para promover a inovação e o desenvolvimento sustentável e reafirmaram a necessidade de promover uma abordagem centrada no ser humano. Tal abordagem deve ser inclusiva, orientada para o desenvolvimento, responsável e ética para o uso e desenvolvimento da IA ​, no intuito de fechar as divisões digitais e garantir que seus benefícios cheguem a todos os países, melhorando concretamente as vidas das pessoas, respeitando a privacidade, a proteção de dados pessoais, direitos humanos, direitos de propriedade intelectual e, em particular, direitos autorais.

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