
A missão humanitária enviada pelo Brasil à Venezuela intensificou neste domingo as buscas por sobreviventes, utilizando equipamentos capazes de detectar sinais de telefones celulares sob os escombros, uma tecnologia considerada crucial três dias após os terremotos que devastaram o país, informaram neste domingo membros da missão. O chefe da expedição brasileira, Armin Braun, afirmou em entrevista à emissora Globonews que a prioridade absoluta continua sendo o resgate de pessoas com vida, já que as primeiras 72 horas após um terremoto representam a maior oportunidade para encontrar sobreviventes.
Braun disse que todos os esforços estavam concentrados em localizar sobreviventes e explicou que os socorristas estavam trabalhando em coordenação com as autoridades venezuelanas. Um dos principais recursos da missão é o equipamento eletrônico transportado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), capaz de rastrear sinais emitidos por telefones celulares que permanecem ligados ou carregados sob os escombros. Essa tecnologia permite a localização precisa de pontos onde pessoas podem estar presas, reduzindo o tempo necessário para iniciar as escavações.
Assim que um sinal é detectado, as equipes de resgate verificam a área com câmeras especiais, sensores acústicos e cães treinados para confirmar a possível presença de sobreviventes antes de iniciar a remoção dos escombros. A missão brasileira é composta por 44 especialistas, incluindo bombeiros dos estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais, médicos, membros da Defesa Civil e técnicos da Anatel, que chegaram ao país com aproximadamente 12 toneladas de equipamentos de busca, resgate e ajuda humanitária, transportados em uma aeronave da Força Aérea Brasileira.
Braun explicou que o objetivo é aproveitar ao máximo as horas críticas para salvar vidas antes que as chances de encontrar sobreviventes entre os prédios desabados diminuam drasticamente. O Brasil faz parte da operação internacional enviada à Venezuela, que já conta com a participação de equipes de resgate e ajuda humanitária de pelo menos 17 países, enquanto as autoridades venezuelanas continuam a busca por desaparecidos e a prestar assistência a milhares de vítimas.
Solidariedade do Brasil: 4º voo da FAB rumo à Venezuela em socorro às vítimas do terremoto
As equipes brasileiras enviadas pelo governo à Venezuela já iniciaram ações busca e resgate após o terremoto que destruiu parte do país. O governo Lula enviou um novo voo da FAB com ajuda humanitária para a Venezuela neste domingo, 28 de junho. A aeronave parte de São Paulo durante a tarde com 35 bombeiros militares dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Esse é o quarto voo com ajuda humanitária enviada pelo Brasil à Venezuela.
Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala Richter, seguidos de aproximadamente 20 réplicas, provocaram destruição extensa em várias cidades, incluindo a capital, Caracas. Já são 1.450 mortos, 3 mil feridos e 3,1 mil pessoas desabrigadas e mais de 50 mil desaparecidos. O balanço inclui apenas mortes confirmadas, e o número total de vítimas pode ser muito maior. As chances de encontrar pessoas vivas em meio aos escombros diminui significativamente de 48 a 72 horas após a tragédia.
A missão brasileira é coordenada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e atua principalmente no município de Vargas, no estado de La Guaira, um dos mais atingidos pelos terremotos. O Ministério da Integração informou que o primeiro dia de atuação foi dedicado à busca e salvamento de vítimas sob escombros. A operação utiliza sensores de movimento, aparelhos para detectar sinais de celulares de vítimas soterradas e seis cães farejadores.
Segundo o diretor do Departamento de Preparação e Socorro da Sedec, Armin Braun, a situação no local é crítica. “Estamos em uma verdadeira corrida contra o tempo em um país devastado, sem água, sem energia, com muita gente na rua, fora de suas casas”, afirmou. Tão logo o desastre aconteceu, o governo se mobilizou para ajudar o país vizinho, enviando profissionais, cães farejadores e cerca de 10 toneladas de materiais, medicamentos e equipamentos. A primeira equipe chegou à Venezuela já na sexta-feira, 26 de junho.
Uma projeção da Organização Internacional para as Migrações (OIM) da ONU estimou que mais de 6 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos tremores. “Até 6,8 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos terremotos”, afirmou o órgão em nota. As projeções foram baseadas em análises populacionais e de danos ocorridos. Os números incluem até dois milhões de pessoas somente em Caracas.
Segundo informações do governo venezuelano, mais de 1.600 socorristas estrangeiros chegaram ao país para reforçar as operações de socorro. “Nas últimas horas, a Venezuela recebeu 17 voos transportando mais de 1.600 membros de equipes de resgate e, nas próximas 24 horas, são esperados mais 25 voos”, disse Oliver Blanco, funcionário do Ministério das Relações Exteriores, no sábado, 27 de junho.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez também afirmou, em um pronunciamento na televisão estatal do país durante a madrugada, que outros 10 países ainda se juntariam aos esforços de resgate e que 14.000 militares e policiais estavam em La Guaira. Os dois terremotos que abalaram a Venezuela ocorreram em um intervalo de menos de um minuto e com uma diferença de 5 quilômetros entre eles. O epicentro do tremor mais forte foi registrado na cidade venezuelana de El Guayabo, a 168 km da capital Caracas.
Réplicas ocorreram em cidades costeiras perto da capital venezuelana, como La Guaira, que ficou fortemente destruída. O aeroporto internacional de Caracas também foi fechado. Além da intensidade dos tremores — de magnitudes 7,2 e 7,5 — a baixa profundidade dos dois abalos também explica o rastro de destruição deixado. Isso porque, quanto mais perto do solo, mais o terremoto é sentido.
Fonte do primeiro texto: Copyright Xinhua. Proibida a reprodução.
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Fonte segundo texto: originalmente publicado no site do Jornal Hora do Povo.
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