
Está nas opções fora do mercado das salas multiplex o caminho para que o cinema brasileiro chegue a mais pessoas. Isso inclui cineclubes, mostras e festivais, universidades, espaços culturais diversos, plataformas digitais e o parque exibidor formado por empresas locais ou regionais. Para isso, políticas públicas recentes foram – e têm sido – fundamentais, mas precisam de aprimoramento.
A defesa desses e outros pontos foi feita recentemente por uma executiva da Vitrine Filmes, Elzie Barbosa, responsável pelo marketing da produtora e distribuidora com foco no cinema brasileiro, e pelo presidente da Associação dos Exibidores Brasileiros de Pequeno e Médio Porte (Aexib), Jack Silva, proprietário da Movieland, empresa de salas de cinema no Amapá e Amazonas. Ambos foram debatedores no painel “Exibição independente: como ampliar o alcance do cinema brasileiro”, que integrou a programação do Mercado de Cinema Independente (Meci), do 14º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. O evento ocorreu em junho último.
A importância de políticas públicas de fomento ao audiovisual, mais especificamente à expansão do parque exibidor, foi percebida nas palavras de Silva. Seu empreendimento, a Movieland, conseguiu grandes impulsos justamente em momentos históricos de maior atuação do Estado brasileiro na área.
Primeiro, no início dos anos 2010, quando, no governo Dilma Rousseff, foi instituído o programa Cinema Perto de Você. Entre as medidas, havia financiamento para a abertura de salas fora dos grandes centros urbanos, e modernização de salas já instaladas. Naquela época, a Movieland digitalizou sua projeção. E, agora, a partir de incentivos da Lei Paulo Gustavo, a Movieland abriu cinema em Itacoatiara, no Amazonas. Embora seja o terceiro município mais populoso do estado, Itacoatiara estava sem sala de exibição.
Para o dirigente da Aexib faltam, porém, estímulos mais voltados a empreendimentos pequenos. Estratégias para além de financiamentos – como aportes diretos – poderiam ser implementadas. “O financiamento significa [para o pequeno exibidor] contrair uma dívida, e arrecadar [com a bilheteria] para pagar essa dívida”, sublinhou. Elzie Barbosa, da Vitrine Filmes, abordou ainda a busca por criatividade na definição de estratégias para atrair público para as produções nacionais. Ela citou o concurso de sósias – como o da personagem Silene Sigal, interpretada por Camila Pitanga no longa “Saneamento básico, o filme”, de 2007, relançado agora em 2025 na telona, em versão digitalizada.
Enfatizou ainda a importância de sessões com acessibilidade, seja para pessoas com algum tipo de deficiência ou para neurodivergentes. “Às vezes, são pequenas ações que fazem toda a diferença”, assinalou. A executiva pontuou ainda que a produtora e distribuidora é disponível a parcerias com potenciais espaços alternativos, como universidades que oferecem curso de Cinema. Cotas para filmes brasileiros, redes públicas de cinema e plataformas independentes de streaming também foram mencionadas pelos debatedores como medidas a ampliar o acesso ao cinema nacional.

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