Brasil, um museu de grandes novidades

Crédito: Humor Político.

A pergunta que o mundo tem feito com insistência é como o brasileiro pode eleger uma figura como Jair Bolsonaro presidente da República? Um sujeito de baixa expressão política e de intelectualidade rarefeita, que se destaca simplesmente por ser reacionário e conservador. Esses quesitos, na verdade, deveriam ser o bastante para que fosse execrado da vida pública para sempre. Mas não foi o que aconteceu. Mesmo com uma baixa votação e sem ter participado de nenhum debate, considerando apenas os votos válidos, acabou sendo o escolhido para governar o país nos próximos 4 anos (2019-2022).

Os pesquisadores do tempo presente estão desdobrando-se para responder com exatidão os motivos que fizeram o povo brasileiro eleger um presidente inexpressivo intelectualmente e controverso politicamente. O que se sabe, no entanto, é que as táticas virtuais que inundaram as redes sociais dos brasileiros tiveram um papel importante. E que essas táticas compõem uma estratégia de Guerra Híbrida, lançada contra o Brasil a partir de 2014, a fim de neutralizar as forças progressistas e garantir que o país voltasse para as mãos da Direita ligada ao capital estrangeiro. Daí o golpe de 2016 (impeachment) que removeu a presidente Dilma Roussef do Partido dos Trabalhadores (PT) do poder, empossando o seu vice Michel Temer do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) no poder.

 

Está cada vez mais claro que a eleição de Bolsonaro foi um movimento criado de fora para dentro do país com o intuito de desmontar o Estado brasileiro, a partir da venda (privatização) de seus bens e destruir ao máximo suas leis trabalhistas, a ponto de permitir que os trabalhadores brasileiros tornem-se reféns do capital. Sem perspectiva de construção de um país forte, Bolsonaro sinaliza aos Estados Unidos a vontade de transformar o Brasil em uma base de interesses ianque na América do Sul, colocando-se a disposição de Washington para intimidar a Venezuela e a Bolívia.

Acredita a diplomacia do presidente Bolsonaro, que sendo subserviente ao Pentágono e a Wall Street, ignorando Rússia e China, o Brasil terá bons resultados financeiros. Sem planos próprios e não levando em conta a independência construída pelo Ministério das Relações Exteriores durantes anos, Bolsonaro pretende aprofundar a dependência brasileira dos países industrializados em troca de apoio político.

Crédito: DCM.

As sandices do governo Bolsonaro nessa primeira semana já são latentes em todas as áreas, Economia, Saúde, Educação, Habitação, Relações Internacionais e Direitos Humanos, todas essas pastas estão preenchidas com pessoas de baixa representatividade social e moral duvidosa. Demonstrando que a crise que assola o país está longe de ser resolvida, pelo contrário, Bolsonaro dá sinais de querer ser uma espécie de “Michel Temer 2.0”.

Contudo, essas movimentações não são novidades na História do Brasil. Durante o século XX, o país experimentou fases semelhantes em diversos momentos. Todas essas situações surgiram como soluções às crises presentes, mas ao contrário de resolvê-las, aprofundaram-nas, levando seus expoentes para o lixo da História, trazendo novamente as forças progressistas ao lado do povo organizado para o cenário político, no intuito de recompor o quadro social.

Crédito: EFE/Telesur.

Foi assim que a eleição de Eurico Gaspar Dutra (1946 – 1950), um anticomunista convicto que governou o país procurando agradar aos Estados Unidos, subordinou a economia brasileira aos ditames de Washington, produzindo com isso um aumento estrondoso da inflação. Encantado pela Guerra Fria desencadeada pelos Estados Unidos, quis impor uma pauta conservadora ao Brasil que nunca foi viável. Esforçou-se para desconstruir tudo que Getúlio Vargas edificou na área econômica, mas a única coisa que conseguiu foi terminar o seu mandado de uma forma melancólica, odiado pelo povo e esquecido pela História.

Movimento semelhante ocorreu com Jânio Quadros (1961), de orientação conservadora, que trabalhava junta ao povo sempre de forma demagógica e oportunista. Tinha a ideia de governar por cima dos pressupostos democráticos. Pensava poder impôr aos brasileiros um padrão conservador e dócil. Na economia aplicou o velho receituário liberal, consolidando ao povo recessão e aos ricos liberdades para lucrar. Como Dutra, não conseguiu vencer a inflação e o déficit na balança comercial, porque não tinha um projeto autônomo para a área Econômica, apenas, subordinação aos ditames do “Primeiro Mundo”. Seu governo durou 7 meses, chegando ao fim com a sua renúncia.

 

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No mesmo escopo os brasileiros elegeram Fernando Collor de Mello (1990 – 1992), um rico político de Alagoas, que tentava passar a ideia de “novo”. Com ideias fúteis e dizendo estar disposto em acabar com corrupção, lembrava Jânio Quadros, que em trinta anos antes tinha feito campanha com uma vassoura, afirmando que iria varrer a corrupção. Collor de Mello auto denominou-se “caçador de marajás”, elegendo como alvo de suas críticas os funcionários públicos. Adepto da economia de mercado e fiel seguidor da Casa Branca, aplicou o receituário dos “garotos de Chicago”, promovendo recessão para o povo e liberdade total ao capital estrangeiro e aos rentistas brasileiros. Com baixa popularidade e forte crise, Collor foi afastado por um impeachment, acusado de corrupção.

Fernando Collor de Mello. Crédito: Revista Veja.

O governo Bolsonaro congrega pontos muito semelhantes desses três governos citados, que iniciaram suas atividades com a pecha de “salvadores da pátria”, a partir do apoio midiático e sendo um contraponto às forças progressistas. Conseguiram somente agravar os problemas estruturais da nação e garantir a sua vaga no lixo da História. O governo Bolsonaro nasce velho e predestinado ao fracasso.

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