O trágico destino das “crianças-lobo”: a história dos pequenos órfãos alemães abandonados por Hitler

Crédito: domínio público.

As crianças órfãs da Prússia Oriental que durante o caos do fim da Segunda Guerra Mundial vagavam pelas florestas fugindo das tropas soviéticas, são mais uma das tantas vítimas do conflito mundial e do abandono dos nazistas aos grupos mais frágeis da própria sociedade alemã. Segundo artigo de Volker Wagener, publicado pelo site DW, em 2017, muitos destes pequenos indivíduos andavam descalços, famintos e com piolhos. As crianças ainda foram vítimas do pânico gerado pela propaganda nazista acerca dos soviéticos. Nessa fuga desesperada, muitas famílias perderam-se, outras tantas foram esfaceladas pelo conflito.

Existiram várias famílias onde as mães suicidaram-se e deixaram os filhos a própria sorte. Também tiveram as que praticaram suicídio coletivo, pondo fim a toda a família. Outras tantas já não possuíam o pai presente, por estar morto ou lutando em alguma frente, tomadas pelo desespero da aproximação do Exército Vermelho, levaram as mães a tentarem fugir para o Báltico ou para Berlim.

Crédito: https://www.tharauvillage.de/wolfskinder/

Conforme Wagener, quando essa grande fuga da população da Prússia Oriental começou, dezenas de milhares de alemães espalharam-se em direção a oeste. De acordo com o articulista da DW, sobre a quantidade das crianças chamadas “wolfskinder” (alemão para “crianças-lobo” ou crianças selvagens) tem-se somente uma estimativa de 25 mil. Após 1945, elas ficaram vagando entre florestas e pântanos da Prússia Oriental e da Lituânia. “Quando tinham sorte, os ‘vokietukai’ (‘alemãezinhos’), ao passarem por vilarejos em direção ao Báltico, encontravam em frente às portas das casas tigelas de sopas deixadas por moradores que sentiam pena deles”, escreve Wagener.

Entre o grupo de crianças, os mais jovens encontravam com maior facilidade abrigo em casa de famílias desconhecidas, do que os mais velhos, de acordo com a DW. Já os que não encontravam abrigo, eram obrigados a sobreviver nas florestas. “Mesmo sendo difícil a vida na Lituânia, as ‘vokietukai’ tiveram mais sorte que as crianças mais fracas que não conseguiram chegar ao Báltico. Muitas destas acabaram permanecendo em alojamentos da administração militar soviética. Segundo a historiadora Ruth Leiserowitz, cerca de 4.700 crianças alemãs estiveram, no outono de 1947, nesses acampamentos a procura de abrigo”, enfatizou Wagener.

Por fim, muitas foram enviadas para a Alemanha para viverem em orfanatos, outras conseguiram localizar parentes. Entretanto, várias ficaram nas florestas por anos. Este fato é mais uma prova histórica dos efeitos colaterais do nazismo para os próprios alemães. O clima de pânico que o governo criou para mobilizar a população, funcionou ao contrário, ampliando o flagelo da Guerra.

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