Projeto Latitude leva missão brasileira para a 60ª Bienal de Veneza

Crédito: divulgação Fundação Bienal de São Paulo.

O Brasil vai enviar para a 60ª Bienal de Veneza, pela primeira vez, uma missão formada por 21 integrantes do setor de artes visuais, entre galeristas, artistas e representantes da Associação Brasileira de Arte Contemporânea (ABACT). A ação, que acontecerá até o dia 23 de abril, é fruto da parceria entre a Fundação Cultural Italiana Bienal de Veneza, Fundação Bienal de São Paulo e o Projeto Latitude- Platform for Brazilian Art Galleries Abroad, viabilizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e operacionalizado pela ABACT.

O grupo visitará a Bienal de Veneza, intensificando o contato com artistas, curadores e outros profissionais do setor internacional, e também participará de visitas a museus e fundações culturais italianas, guiado por Agnaldo Farias, professor doutor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e curador geral da 3ª Bienal de Coimbra. “A participação em grandes eventos, que funcionam como um termômetro para as tendências do setor e também das novas produções mundiais, é essencial para a geração de negócios futuros”, destaca Jorge Viana, presidente da ApexBrasil.

Nesta edição, a mostra contará com 331 artistas do mundo inteiro e, pela primeira vez na história, um curador do Hemisfério Sul foi nomeado pelo Conselho da Bienal de Veneza. Adriano Pedrosa, brasileiro, diretor artístico do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), é o responsável pela curadoria da Bienal e pelo tema geral escolhido: Foreigners Everywhere (Estrangeiros em toda parte), que busca refletir sobre o sentimento de ser um forasteiro, seja no caso de realmente se deslocar de algum território, ou mesmo de não se sentir pertencente ao seu próprio território.

Crédito: reprodução da internet.

Ter um curador brasileiro no mais importante evento de arte contemporânea do mundo, faz crescer a expectativa de holofotes sobre a arte brasileira e seu mercado para muito além do Pavilhão do Brasil. Expectativa que começa a se concretizar com a belíssima notícia de que a artista plástica ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino receberá o Leão de Ouro em cerimônia durante a Bienal de Arte de Veneza”, afirma Victoria Zuffo, presidente da ABACT.

Aos 81 anos, Anna Maria Maiolino será premiada pelo conjunto de sua obra, que compreende poesia, xilogravura, fotografia, cinema, performance, escultura, instalação e desenho, tendo como temas norteadores a fragilidade, fome, migração, maternidade, resistência, amor e saudade de algo perdido. A artista é representada pela galeria Luisa Strina, vinculada à ABACT. O Pavilhão do Brasil será renomeado nesta 60ª edição para Pavilhão Hãhãwpuá – palavra que significa “terra” em patxohã, língua dos Pataxós. O propósito é reconhecer o território indígena que existia antes da colonização, em alinhamento com o tema geral da Bienal.

Os artistas Arissana Pataxó, Denilson Baniwa e Gustavo Caboco Wapichana são os curadores da exposição Ka’a Pûera: nós somos pássaros que andam, que traz a riqueza da cultura Tupinambá e sua jornada de resistência e ressurgimento. Este ano, teremos 33 artistas brasileiros participando da bienal. Entre eles, nomes consagrados como a fotógrafa Claudia Andujar, o escultor Victor Brecheret e a pintora Djanira Motta e Silva, além de expoentes da produção contemporânea como Manauara Clandestina e Dalton Paula. A missão do projeto Latitude aposta no interesse internacional pelo momento de grande ineditismo das artes visuais brasileiras.

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