Leningrado, Gaza e a resistência do espírito humano frente à barbárie

Créditos: Embaixada Russa no Brasil – Times of Gaza / X.

Em 18 de janeiro de 1944, às 9h30, as unidades da 123ª Brigada de Fuzileiros da Frente de Leningrado uniram-se às da 372ª Divisão da Frente de Volkhov, pondo fim ao longo cerco nazista à cidade. No 82º aniversário da ruptura do bloqueio, ocorreu uma solene cerimônia fúnebre, com a colocação de oferendas florais no Monumento aos Intrépidos Defensores. O cerco à cidade soviética foi um dos episódios mais brutais e comoventes da Segunda Guerra Mundial. A cidade sofreu um cerco implacável.

Além do valor estratégico, histórico e cultural, os nazistas buscavam destruir um símbolo da revolução bolchevique. Milhões de civis morreram de inanição, frio e doenças. As rações diárias eram mínimas e insuficientes para sobreviver: 872 dias de fome e horror, 1 milhão de vidas perdidas após 28 meses de luta contínua. No entanto, apesar da escassez extrema, o Exército Vermelho e os civis defenderam a cidade com bravura. Uma rota precária através do lago Ladoga foi a única linha vital que permitiu o fornecimento (embora limitado) de alimentos, munições e reforços para a cidade. Apesar das condições infernais, a moral e a produção industrial foram mantidas em oficinas e fábricas improvisadas.

Símbolo de resistência ao nazismo

resistência de Leningrado tornou-se um símbolo de coragem, perseverança e resistência humana diante da barbárie nazista. É um evento profundamente enraizado na memória coletiva russa e um lembrete do custo humano do conflito. Em resumo, a resistência de Leningrado não foi simplesmente uma batalha militar; foi uma luta pela sobrevivência humana em circunstâncias extremas, onde a determinação dos defensores, militares e civis, desafiou as expectativas e se tornou um testemunho da resistência do espírito humano. Por essas coincidências da história, anos depois, outra vitória da resistência do espírito humano diante da barbárie, desta vez contra o sionismo, acaba de ocorrer.

Cessar-fogo em Gaza

O cessar-fogo entre o Hamas e a entidade sionista entrou oficialmente em vigor após 15 meses de guerra e dezenas de milhares de mortos, na manhã de 19 de janeiro. Israel utilizou a fome como método de guerra para infligir um castigo coletivo aos palestinos; bombardeou e invadiu hospitais; matou jornalistas, médicos, funcionários da ONU; como seus antecessores nazistas, os sionistas, em um desprezo absoluto pela vida, sem uma gota de piedade, sem qualquer humanidade, assassinaram civis em massa. Desde 7 de outubro de 2023, a guerra em Gaza matou mais de 40 mil palestinos e feriu cerca de 100 mil.

Mais de 25 mil toneladas de explosivos — equivalentes a duas bombas nucleares — foram lançadas sobre Gaza, causando uma devastação massiva. “Ao destruir sistemas vitais de água, saneamento e alimentos, e contaminar o meio ambiente, Israel criou uma mistura letal de crises que causará danos graves a gerações futuras”, advertiu a ONU. Apesar da ferocidade do ataque, não conseguiram submeter o povo palestino; refugiados retornam a Rafah após a entrada em vigor do acordo de cessar-fogo, enquanto a população recebe os combatentes palestinos nas ruas de Khan Yunis.

As vitórias de Leningrado e Gaza

Como os defensores de Leningrado, os palestinos de Gaza submeteram os agressores. A primeira fase do acordo durará 42 dias. No âmbito desta etapa, o Hamas concordou em libertar 33 reféns israelenses em troca de presos palestinos que permanecem detidos em Israel. Agora, é necessário garantir que o cessar-fogo em Gaza seja respeitado, que se encontre uma solução justa e duradoura, que inclua a criação de um Estado palestino independente.

Deve cessar, de uma vez por todas, o genocídio contra os 2,3 milhões de palestinos da ilegalmente ocupada e sitiada Faixa de Gaza, assim como o apartheid na Cisjordânia. É uma questão moral da humanidade julgar e condenar os genocidas; que os assassinos de mulheres, idosos e crianças respondam perante os tribunais de justiça, e que seus cúmplices os acompanhem em um novo Nuremberg exemplar.

Fonte: Texto em espanhol originalmente publicado no site Cuba en Resumen e traduzido pelo Diálogos do Sul.
Link direto: https://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/leningrado-gaza-e-a-resistencia-do-espirito-humano-frente-a-barbarie/

Raúl Antonio Capote
Cuba en Resumen

Tradução: Ana Corbisier

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