Argentina-Brasil: Kim Nahuel promove encontro das duas nações no álbum “Decantado”

Crédito: Divulgação.

Cantor, compositor e multi-instrumentista argentino, Kim Nahuel declara respeito e amor, sobretudo, pelas canções tradicionais de cada país. Mas em seu primeiro álbum solo ele une especialmente duas culturas, ambas latino-americanas, a da Argentina e, vejam só, a brasileira. “Decantado” é o nome do álbum, que o artista lança de Livorno, na Itália, onde mora e toca há anos com dois grupos, “Sinedades” e “SuRealistas”, este com o qual gravou quatro álbuns, incluindo suas composições.

Mas em “Decantado” ele rompeu esse padrão coletivo por completo. “Solo em todos os sentidos, porque o álbum foi gravado inteiramente por mim no meu estúdio caseiro. Toquei todos os instrumentos, fiz a mixagem e o masterização. Foi um processo longo que exigiu muita paciência. Gosto de pensar que trabalhei com a paciência de um pintor, que presta atenção a cada mínimo detalhe. Tocar muitos instrumentos de madeira, como a guitarra clássica ou o clarinete, foi uma experiência marcante. O som geral é muito fresco, quente, limpo e natural, características que o opõe ao sintético das produções modernas”.

Musicalmente, as doze faixas de “Decantado” têm como fortaleza e base a música brasileira. A bossa nova e o samba reinam na maior parte das canções. Aliás, o público, logo de cara, encontra “Ébano en un jardín”, um samba lançado um mês antes como single. Contudo, o álbum é mais amplo. É o exemplo de faixas como “Camino Ligero” e “Toque de queda”, que trazem ritmos do caribe e da própria argentina, e de “Presente”, sob influência do rock inglês dos anos 1970. Mas, acima de qualquer definição específica, não há como negar a visceral essência latino-americana de Kim Nahuel em “Decantado”.

Crédito: Divulgação.

Assim como a sonoridade, as letras e mensagens de “Decantado” são variadas, mas Kim Nahuel tenta defini-las: “Os autores que mais me representam são Chico Buarque, Jorge Drexler e Vinicius de Moraes. Misturando esses estilos de escrita, tento falar sobre os aspectos profundos da nossa humanidade. Gosto de letras que convidam a refletir sobre as condições da nossa espécie, é absurdo que ainda existam categorias de pessoas privilegiadas. Também gosto de falar sobre aspectos menos duros, como o de um amor profundo ou a força da natureza”.

Às vezes, penso que as mensagens explícitas são aquelas que chegam através das letras, enquanto as mensagens implícitas são aquelas que chegam através dos acordes, das escolhas, dos sons. Gosto de pensar que este álbum traz uma mensagem que ensina a não ter medo de escolher o que nos comove”, refletiu Kim. “Decantado” tem na arte de capa a imagem de Kim Nahuel com seu bombo legüero, um instrumento de percussão tradicional da Argentina. “Ele representa o som da terra, o som do coração batendo incessantemente”, definiu ele, em mais uma demonstração do conceito artístico do álbum, que está disponível em todos os aplicativos de streaming.

Este álbum nasceu da necessidade de dar luz à minha visão estética. Ouvi muita música na minha vida e, neste trabalho, quis evocar tudo o que me emociona. As letras críticas e metafóricas de Chico Buarque, a descontração de João Gilberto, a improvisação de Paul Desmond, etc. Queria lançar este álbum alguns anos atrás, mas a Covid mudou minhas prioridades e eu tive que pensar em outra coisa. Depois, as faixas ficaram guardadas em um Drive até que minha companheira me incentivou a lançá-las. Agradeço muito à Maria por isso”.

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