
Neste mês, Brasília (DF) receberá a 21ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), o maior encontro de mobilização indígena do país, que acontece entre os dias 7 e 11 de abril. Em 2025, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) completa vinte anos de luta e resistência: “Vamos ocupar as ruas de Brasília, ecoar as nossas vozes, balançar nossos maracás e lutar pelos nossos direitos, em defesa da Constituição e da vida!”, afirmam no site da APIB. Assim, a Caravana CEI/UFRJ prepara a sua viagem e necessita de recursos para alimentação no trajeto de ida e de volta. Para apoiar, faça uma contribuição pelo QR code na imagem abaixo, ou pelo PIX: 04128986917.

“Este é o movimento coletivo indígena mais político que já existiu e esse ano tem previsão de dez mil participantes nessa manifestação. Os principais temas a serem tratados esse ano são: o enfrentamento da crise climática, a proteção da biodiversidade e a defesa de nossos territórios que estão em situação de conflito. Buscamos nessa movimentação fazer com que nossos direitos sejam garantidos, segundo a Constituição de 88”, explica a professora Tsara Kokama, em entrevista à Revista Intertelas.
Kokama ainda ressalta que é preciso continuar exigindo a demarcação de terras e a implementação de políticas públicas para os territórios indígenas. “O desmatamento desacerbado só aumenta a temperatura e causa uma mudança climática que logo não conseguiremos mais reverter. É preciso lembrar também que nós temos direito a pelo menos saneamento básico nos territórios, a segurança de verdade quanto aos nossos corpos, a uma saúde digna, além de professores nas escolas indígenas que já existem. Todos são direitos que ainda não temos. A única certeza dos territórios é a incerteza, a insegurança e o medo”, afirma Kokama.

Em notícia publicada pela APIB no dia 7 de fevereiro, Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, foi revelado o tema escolhido para o ATL 2025: “APIB somos todos nós: Em defesa da Constituição e da vida”. Como ainda informado, o Acampamento Terra Livre é organizado pela APIB e suas sete organizações regionais de base, sendo elas: Apoinme, ArpinSudeste, ArpinSul, Aty Guasu, Conselho Terena, Coaib e Comissão Guarani Yvyrupa.
Segundo o site da APIB, no ano passado, o acampamento reuniu cerca de 9 mil indígenas e mais de 200 povos na capital federal, que ao longo de cinco dias debateram e marcharam contra o marco temporal. A tese jurídica defende que os povos indígenas só têm direito à demarcação de suas terras tradicionais se estivessem ocupando essas terras em 5 de outubro de 1988, data da publicação da Constituição Federal do Brasil, desconsiderando o histórico de violência enfrentado pelos povos indígenas.
Leia aqui a Carta Final da mobilização.
Leia mais (APIB) – “Movimento indígena divulga programação do ATL 2025”
A Resposta Somos Nós
Ainda conforme a APIB, a 21ª edição da ATL também é um momento estratégico para discutir a campanha “A Resposta Somos Nós” e a participação indígena na Conferência das Partes (COP-30), que ocorrerá em novembro em Belém (PA). Lançada durante a Cúpula do G20, no Rio de Janeiro, a campanha destaca a necessidade de ações decisivas contra a crise climática, como o fim da era dos combustíveis fósseis, uma transição energética justa e o reconhecimento da autoridade climática dos povos indígenas e de seus territórios na proteção da vida no planeta. Confira a íntegra do chamado indígena no site oficial da campanha: arespostasomosnos.org.
De acordo com uma pesquisa da APIB, Terras Indígenas em estudo ou delimitadas têm maior taxa de desmatamento (0,2% ao ano) do que as já regularizadas (0,05%). O dado, parte da pesquisa “Demarcação é Mitigação”, reforça a importância da demarcação na luta contra as mudanças climáticas. O estudo, feito em parceria com IPAM e CIMC, foi lançado na COP-29, no Azerbaijão.
Fonte: Com informações do texto originalmente publicado pelo site da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).
Link direto: https://apiboficial.org/2025/02/07/apib-somos-todos-nos-em-defesa-da-constituicao-e-da-vida-e-tema-do-atl-2025/

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