
A IV Mostra de Cinema ChinaBrasil, que ocorre entre até quinta-feira, 28 de agosto, no Cinesystem Belas Artes Botafogo, é uma celebração ao audiovisual de ambos os países. Com uma programação gratuita formada por 12 longa-metragens de gêneros variados – seis de cada país – o evento se consolida como um espaço para que o público possa se aprofundar sobre a filmografia de cada nação. A curadoria é do produtor e documentarista Hélio Pitanga e a idealização de Arthur Chen, empresário chinês que atua para a difusão do cinema. Das seis produções chinesas, cinco são inéditas por aqui, e os seis filmes nacionais que já participaram de festivais e estrearam nos cinemas poderão ser revisitados.
Entre as obras chinesas, está a superprodução “Detetive Chinatown: O Mistério de 1900”, que arrecadou mais de 3,6 bilhões de yuans (cerca de R$ 2,7 bi) nas bilheterias do país em 2025 e estreou nos cinemas brasileiros em maio último. Dirigida por Chen Sicheng e Dai Mo, a comédia de ação é o quarto filme da franquia de sucesso “Detetive Chinatown” e é estrelada por Wang Baoqiang, Liu Haoran e o ator estadunidense John Cusack. Na trama, ambientada no início do século XX, uma mulher é misteriosamente assassinada na Chinatown de São Francisco. O crime causa grande comoção e dois improváveis parceiros, Qin Fu e Ah Gui, precisam correr contra o tempo para resolver o caso.
Inédito no Brasil, o drama histórico “Compositor”, é outro destaque. Vencedor do 18º Prêmio China Film Huabiao, a maior honraria governamental da indústria cinematográfica local, a produção dirigida por Sirzati Yahefu acompanha a trajetória do lendário músico chinês Xian Xinghai, que usou sua arte para curar os sofridos corações das pessoas durante a Segunda Guerra Mundial e as inspirou a lutar contra o fascismo. Outros títulos inéditos incluem o drama “Mumu”, vencedor dos prêmios de Melhor Filme e Melhor Ator para o astro chinês Lay Zhang no 12º Prêmio Phoenix de Cinema de Zhejiang de 2025; e a comédia dramática “A História Dela”, de Shao Yihui.

A programação brasileira conta com produções que integraram festivais, estrearam nos cinemas e agora poderão ser novamente revisitadas. Entre elas, está o longa-metragem “Somos Tão Jovens”, de Antonio Carlos da Fontoura, sobre o cantor e compositor Renato Russo, fundador da lendária banda de rock nacional Legião Urbana; “Porto Príncipe”, filme de estreia da diretora Maria Emília de Azevedo, que acompanha a relação entre a solitária Betha (Selma Egrei) e o haitiano Bastide (Diderot Senat), contratado por ela para ajudar a cuidar de sua chácara na serra catarinense; e os documentários musicais “Elis & Tom: Só Tinha de Ser Com Você”, de Roberto de Oliveira e Jom Tob Azulay, sobre os bastidores da criação de um dos álbuns mais icônicos da música popular brasileira e que levou mais de 40 mil pessoas aos cinemas; e “Chico, Artista Brasileiro”, de Miguel Faria Jr, sobre um dos mais importantes compositores do país.
Intercâmbio entre cinemas cada vez mais fortes
Em 2025, filmes produzidos nos dois países vêm ganhando cada vez mais reconhecimento internacional. Enquanto o cinema do Brasil foi laureado com o Oscar de Melhor Filme Internacional para “Ainda Estou Aqui” e com prêmios de Melhor Ator e Diretor no Festival de Cannes por “O Agente Secreto”, o cinema chinês viu sua animação “Ne-Zha 2” – a história de Ne Zha e Ao Bing, que sobrevivem como espíritos após serem atingidos por um relâmpago – se tornar a quinta maior bilheteria global de todos os tempos, e a maior entre as animações, arrecadando mais de U$ 1,9 bilhões mundo afora, segundo a Variety. Para o idealizador da Mostra ChinaBrasil, Arthur Chen, os prêmios e arrecadações de filmes de ambos os países comprovam suas relevâncias para a indústria global.
Ele destaca como uma maior colaboração entre eles pode ser produtiva: “A China e o Brasil têm uma parceria de sucesso na área de comércio exterior de produtos, mas ainda não tão expressiva no setor audiovisual. Quero ajudar a mudar esse cenário e acredito que a Mostra ChinaBrasil, agora em sua quarta edição, pode fortalecer o intercâmbio cultural e incentivar o diálogo entre os dois países nesta área. Há muito potencial para que tenhamos mais coproduções, licenciamentos, e até mesmo outras mostras voltadas às nossas indústrias cinematográficas”, afirma Arthur, que nasceu na província Zhejiang, na China, e mora no Brasil há mais de 30 anos. Assim como nas edições anteriores, a IV Mostra de Cinema ChinaBrasil também vai homenagear as produções dos dois países, com um representante de cada filme recebendo o prêmio Arara Azul pela sua relevância. Mais informações sobre a mostra podem ser encontradas no site festivalcinemachinabrasil.com.

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