O que está por trás da última mudança de governo na França?

Foto tirada em 3 de janeiro de 2025 mostra o primeiro-ministro francês, François Bayrou (esquerda), e o ministro da Defesa, Sébastien Lecornu, saindo do Palácio do Eliseu, em Paris. O presidente francês, Emmanuel Macron, nomeou o ministro da Defesa, Sébastien Lecornu, como o novo primeiro-ministro, em 9 de setembro de 2025. Crédito: Gao Jing/Xinhua.

O presidente Emmanuel Macron nomeou nesta terça-feira o ex-ministro da Defesa, Sébastien Lecornu, como o novo chefe de governo, um dia após o gabinete de François Bayrou perder um voto de confiança na Assembleia Nacional. Lecornu, 39 anos, tornou-se o quinto primeiro-ministro durante o segundo mandato de Macron, iniciado em maio de 2022. O antecessor de Bayrou, Michel Barnier, também foi forçado a renunciar por um voto de desconfiança em dezembro de 2024.

O que leva ao colapso do governo 

A proposta orçamentária de Bayrou para reduzir os gastos públicos foi o principal gatilho de oposição na Assembleia Nacional. Na segunda-feira, 364 deputados votaram contra o plano, 194 a favor e 15 se abstiveram. O plano orçamentário buscava resolver o crescente problema da dívida francesa, que Bayrou descreveu como uma questão urgente. Dados oficiais mostram que a dívida pública francesa era de 3.345,8 bilhões de euros (cerca de 3.914,6 bilhões de dólares dos EUA), ou 114% do seu Produto Interno Bruto, no final do primeiro trimestre de 2025.

A proposta de Bayrou incluía a redução de feriados nacionais, o congelamento de benefícios sociais e o corte de gastos públicos, com o objetivo de economizar cerca de 44 bilhões de euros. No entanto, sua proposta gerou ampla reação negativa. Antes do voto de confiança de segunda-feira, sindicatos e partidos de oposição programaram uma paralisação nacional para quarta-feira, conhecida como o movimento “Bloqueie Tudo”, para protestar contra o plano de austeridade.

O primeiro-ministro francês, François Bayrou, apresenta sua declaração de política geral antes de um voto de confiança sobre o plano de corte orçamentário, em Paris, França, em 8 de setembro de 2025. Crédito: Aurelien Morissard/Xinhua.

Um Parlamento fragmentado agravou ainda mais os desafios enfrentados pelo governo francês. Após as eleições antecipadas de 2024, nenhum bloco político obteve maioria clara na Assembleia Nacional, deixando o governo minoritário vulnerável e instável. A decisão de Bayrou de buscar um voto de confiança, em vez de buscar um acordo com os partidos da oposição, também acelerou sua queda. Em agosto, ele chamou a votação de “momento da verdade”, uma medida que muitos analistas descreveram como um erro estratégico.

Resposta Mundial

A crise política na França foi notícia internacional na terça-feira. A mídia ocidental destacou a instabilidade política dentro do governo Macron. O jornal estadunidense The New York Times noticiou o assunto sob a manchete “Governo francês entra em colapso mais uma vez, agravando a paralisia“, refletindo preocupações com a instabilidade política crônica. O jornal britânico The Guardian observou que a queda de Bayrou e um parlamento dividido dificilmente proporcionariam a estabilidade necessária ao presidente Macron.

Os mercados financeiros também reagiram com cautela. De acordo com o Les Echos, um diário econômico francês, a Fitch Ratings deve revisar a nota de crédito da França esta semana, com analistas prevendo um possível rebaixamento para A+, sinalizando uma mudança histórica, já que a França tinha uma classificação AAA antes da crise financeira de 2008.

O que está a espera o novo primeiro-ministro 

Ao contrário de atrasos anteriores na nomeação de um novo primeiro-ministro, Macron nomeou Lecornu rapidamente, sinalizando a urgência na estabilização da situação política e econômica. Lecornu, que foi ministro da Defesa por mais de três anos, é considerado um aliado próximo de Macron. As reações dos partidos políticos franceses à nomeação são mistas. O ex-primeiro-ministro Edouard Philippe elogiou Lecornu por sua capacidade de negociar e chegar a um acordo com os outros partidos. Marine Le Pen, ex-candidata presidencial do Rally Nacional, criticou a medida, dizendo que Macron está “jogando sua última carta do macronismo“.

Mathilde Panot, presidente do grupo parlamentar La France Insoumise, condenou a nomeação de Lecornu como uma “provocação” em meio aos crescentes protestos. Ela acusou Macron de seguir “a mesma política para os ricos, que são minoria na Assembleia e país“. Observadores mencionam que Lecornu enfrenta vários desafios importantes: formar um governo, administrar potenciais votos de desconfiança e abordar as questões pendentes deixadas pela saída de Bayrou. Uma de suas prioridades imediatas será elaborar o plano orçamentário do governo, um Waterloo político para vários primeiros-ministros franceses, mas também uma missão da qual o governo não pode se esquivar ou se desviar. (1 euro = 1,17 dólar dos EUA)

Fontes: Copyright Xinhua. Proibida a reprodução.
Links diretos: https://portuguese.xinhuanet.com/20250912/09e8b9f9f05e45bc9591ea977d3576ec/c.html

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