Entre memória e celebração: os 150 anos da imigração polonesa no Rio Grande do Sul

Annia, Carlos e Lilian Jung. Crédito: Arquivo Pessoal.

Neste ano de celebração dos 150 anos da imigração polonesa no Rio Grande do Sul, assim como outras entidades gaúchas, a Sociedade e o Grupo Polônia preparam sua homenagem. No dia 18 de outubro, a partir das 19h30, a sede da entidade (Av. São Pedro, 778 – Porto Alegre) receberá os grupos convidados Kalina, de Nova Prata, e Lustig und Freunden, de Sertão Santana. Ingressos a R$ 20, mais informações pelo telefone (51) 99326 5222.

Há 150 anos, centenas de famílias polonesas chegaram ao Rio Grande do Sul trazendo pouco mais do que coragem, fé e esperança. Nos baús, guardavam lembranças. No coração, o compromisso de nunca esquecer a terra de origem. Ao longo de gerações, essa promessa transformou-se em identidade, resistindo ao tempo e florescendo no Sul do Brasil.

Essa herança se mantém viva na esquina das Avenidas São Pedro e Pernambuco, no 4º Distrito, onde a Sociedade Polônia de Porto Alegre, com quase 130 anos de trajetória, e seu Grupo Folclórico, com mais de 70, dão voz às marcas da imigração. Fundada a partir da Sociedade Zgoda, em 1896, e depois unida às Sociedades Tadeusz Kosciusko e Águia Branca, a entidade nasceu para preservar a identidade polonesa e criar espaços de convivência, aprendizado e cultura — incluindo a primeira escola polonesa da cidade, em 1897.

Hoje, cada atividade é um gesto de continuidade com orgulho: celebrações das datas nacionais da Polônia, encontros culturais, aulas de artesanato e de língua polonesa e uma biblioteca com mais de 10 mil obras. Parte deste legado se mantém ativo também aos sábados, quando o Grupo Folclórico Polônia se reúne para dançar coreografias típicas. Dos ensaios aos palcos do Estado e de outras partes do País, as apresentações carregam vestimentas e músicas tradicionais da Polônia.

Quando visto o traje e entro no palco, sinto que honro todos os que vieram antes de nós. É mais que dança: é memória viva”, diz Lilian Kielbowicz Jung (46), integrante há 32 anos. Ao lado do esposo Carlos Jung (45), também presente nas atividades do grupo há quase quatro décadas, ela viu a filha Annia (12) seguir os mesmos passos. A juventude que hoje aprende passos de dança e palavras em polonês leva adiante a mesma chama acesa pelos pioneiros. “Nós nascemos aqui, estudamos aqui, mas dançamos as tradições da Polônia. É a forma de dizer: somos gaúchos e, ao mesmo tempo, somos poloneses”, afirma Annia, componente do grupo infantojuvenil desde os dois anos de idade.

Por Juliane Soska

Deixe seu comentário

Acima ↑

Descubra mais sobre Revista Intertelas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading