
Em 1991, na China rural, enquanto os moradores migram para as cidades em busca de melhores oportunidades, Chuang, de 10 anos, permanece em sua cidade natal. O terceiro filho de sua família enfrenta os desafios da vida em um período de profundas transformações nacionais. Esta é a premissa de “Living The Land” (“Sheng Xi Zhi Di”), segundo longa-metragem do cineasta chinês Huo Meng, que chega aos cinemas nacionais no dia 5 de fevereiro de 2026. O filme teve sua estreia mundial na competição principal do 75º Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde ganhou o Urso de Prata de Melhor Diretor. A distribuição é da Autoral Filmes.
Por mais de três mil anos, até a década de 1980, a China foi um sistema social baseado na agricultura, onde os trabalhadores rurais criavam a vasta maioria da riqueza social. No começo dos anos 1990, as reformas econômicas e a revolução tecnológica rapidamente se estenderam ao campo. Máquinas industriais começaram a substituir o trabalho manual, e os recursos necessários para a produção industrial, como o petróleo, começaram a invadir o recurso tradicional da terra.
“O filme explora o profundo impacto deste momento histórico nas tradições, emoções e relacionamentos do povo chinês. Como um vento imparável, essas mudanças varreram todos os aspectos da vida“, explica o realizador Huo Meng, de “Crossing The Border – Zhaoguan”. “A história e as emoções do filme estão enraizadas em séculos de história, cultura e tradição, ao mesmo tempo que refletem a mentalidade da sociedade chinesa contemporânea“, complementa.
“Eu queria retratar como, quando políticas sociais coletivistas colidiram com tradições moldadas ao longo de milênios, as pessoas foram forçadas a se adaptar de maneiras que desafiaram seu próprio modo de vida“, avalia o cineasta. “Também senti que era importante retratar as imensas pressões que as mulheres enfrentaram – tanto social quanto fisicamente – que deixaram danos duradouros e irreversíveis. Esses tópicos são vastos“, acrescenta Huo.
Com 100% de aprovação no agregador de críticas Rotten Tomatoes, a produção chinesa coleciona críticas positivas. “O filme mergulha o espectador em uma remota comunidade agrícola chinesa com toda a precisão e beleza de um artista consagrado“, escreveu o The Hollywood Reporter. A Screen Daily define “Living The Land” como “imersivo e ambicioso”, enquanto o IndieWire descreve o longa como “extremamente bonito e envolvente”.
Sobre Huo Meng
Huo Meng nasceu em Taikang, província de Henan, China, em 1984. Estudou direito na Universidade de Comunicação da China antes de ingressar no mestrado em cinema na mesma instituição. Em 2018, realizou seu primeiro longa de ficção, “Crossing The Border – Zhaoguan”, que ganhou o Prêmio Fei Mu de Melhor Diretor no Festival Internacional de Cinema de Pingyao, o prêmio de Melhor Diretor Asiático no Festival Internacional de Cinema de Fajr e uma indicação de Melhor Diretor no Festival de Cinema Golden Rooster. Selecionado pelo diretor Jia Zhangke, “Crossing The Border – Zhaoguan” foi exibido na 70ª edição da Berlinale como parte da programação especial “On Transmission”.

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