
Como enfatizam as mais altas autoridades da China, o princípio base do projeto chinês “Iniciativa Cinturão e Rota”, também chamado de a “Nova Rota da Seda”, é a construção de uma comunidade com um futuro compartilhado. Assim, conforme a Marinha do Exército de Libertação Popular da China, a “Arca da Rota da Seda”, navio-hospital que desembarcou no Rio de Janeiro no dia 8 de janeiro de 2026 para estadia de sete dias, simboliza esse princípio, além de ter a missão de salvaguardar a vida e defender a paz.
No dia 10 de janeiro de 2026, um grupo de jornalistas teve a oportunidade de conhecer o interior da embarcação, em visita organizada pelo Consulado Geral da China no Rio. Segundo informações repassadas à Intertelas, o navio-hospital foi comissionado em abril de 2024 com o número de casco 867. Ele mede 178 metros de comprimento, 24 metros de largura e 35,5 metros de altura, apresentando 8 conveses no total, com um deslocamento de carga total de 14.450 toneladas.
Suas principais tarefas incluem o resgate médico e a evacuação de feridos e doentes no mar em tempos de guerra; realizar patrulhas regulares e prestar serviços médicos às populações que vivem em áreas costeiras adjacentes a recifes de coral, bem como aos oficiais e soldados das tropas; implementar serviços médicos humanitários internacionais; realizar resgates de emergência em grandes desastres; e promover intercâmbios e cooperação médica militar com o exterior.
Como informou o Ministério da Defesa da China, é a primeira vez que o “hospital marítimo móvel” vem ao Brasil. Sua visita faz parte da missão “Harmonia 2025” e, durante sua parada no Rio, está aberto para visita guiada, além de enviar equipes de especialistas ao Hospital Naval Marcílio Dias e ao Centro de Medicina Operativa da Marinha para intercâmbios médicos. Entre outras atividades mencionadas estão a visita de representantes do departamento de saúde da Marinha do Brasil e a participação de oficiais brasileiros na demonstração de resgate em combate do navio-hospital chinês. Além disso, também há planos de realizar exercícios marítimos conjuntos como navegação em formação e busca e salvamento de pessoas ao mar.
Segundo o China Daily, o navio-hospital partiu de Quanzhou, na província de Fujian, no leste da China, para uma missão humanitária de assistência médica no Pacífico Sul e na América Latina de 220 dias. A viagem leva o navio a visitar cerca de uma dúzia de nações, incluindo Nauru, Fiji, Tonga, México, Jamaica, Barbados, Brasil, Peru, Chile e Papua Nova Guiné. No Brasil, a Arca não prestou atendimento médico.
Conforme o site chinês, a embarcação conta com 14 departamentos clínicos e 7 unidades auxiliares de diagnóstico, capazes de realizar mais de 60 tipos de procedimentos médicos, abrangendo cirurgia geral, ortopedia, obstetrícia e ginecologia, oftalmologia e muito mais. Um helicóptero a bordo amplia suas capacidades de resgate médico de emergência. A equipe da missão é composta principalmente por pessoal de apoio médico do Comando do Teatro Sul da Marinha do Exército de Libertação Popular (PLA), com membros adicionais da Força Conjunta de Apoio Logístico, do Comando do Teatro Norte da Marinha e da Universidade Médica Naval.
Para a Cláudia Jannuzzi, presidente da Associação de Estudantes de Seminário na China e coordenadora de parcerias estratégicas e de investimentos estrangeiros da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (SEDEICS) do Governo do Estado do Rio de Janeiro, esse tipo de interação é de extrema importância tanto para uma aproximação de amizade e de parceria entre o Brasil e a China, já instituída há muitos anos, quanto para mostrar soluções de atendimento humanitários. .
“Sabemos que a China e o Brasil têm comunidades vivendo em locais de difícil acesso. Para as comunidades ribeirinhas brasileiras, onde o acesso é tanto hidroviário quanto pelo mar, este modelo navio-hospital serve como aprendizado e pode ser adaptado e replicado para atender melhor a nossa população. Nós já temos navios de atendimento humanitários no Brasil em funcionamento, mas não no modelo desse navio”.

Cooperação em medicina militar internacional e mais informações sobre o navio-hospital chinês
A Arca da Rota da Seda apresenta cinco características principais:
1 – Forte capacidade de salvamento em alto-mar. O navio possui excelente navegabilidade e manobrabilidade, autonomia de até 30 dias, resistência a ventos de nível 12, velocidade máxima de 20 nós, além da elevada capacidade de navegação oceânica e realização de cirurgias complexas em condições marítimas adversas;
2 – Múltiplos meios de transferência de feridos. A arca está equipada com 10 botes salva-vidas, capaz de operar helicópteros de evacuação médica, dispondo de três modalidades de transferência de pacientes e equipes médicas por helicóptero, por embarcações menores, por atracação lateral com um outro navio e da transferência dos médicos, permitindo o recebimento e a evacuação de feridos de forma flexível e eficiente;
3 – Instalações e equipamentos médicos completos. O navio conta com duas áreas de triagem, duas áreas de emergência, uma área cirúrgica e 300 leitos hospitalares. Dispõe de salas de tomografia computadorizada, radiologia digital, laboratórios clínicos, salas de patologia, exames especializados, consultórios de odontologias, oftalmologia e otorrinolaringologia, entre outros. Além disso possui sistemas completos de esterilização, farmácia, suprimento de sangue, produção de oxigênio, sucção a vácuo, ar comprimido, sistema de informação médica e manutenção de equipamentos médicos;
4 – Infraestrutura de apoio avançada. Por meio de sistemas audiovisuais e de telemedicinas baseados em rede local, servidores audiovisuais, sistema de armazenamento, câmeras de alta definição, controladores, nós de transmissão de rede, codificadores e decodificadores audiovisuais, um sistema integrado de gestão e controle, televisores de alta definição e equipamentos de comunicação remota é possível realizar monitoramento em tempo real e telemedicina em todo o navio;
5 – Corpo médico altamente qualificado. O navio conta com ambulatórios de clínica médica, cirurgia, pediatria, ginecologia e medicina tradicional chinesa capazes de oferecer atendimento médico em tempo de guerra, serviços médicos de rotina e controle de doenças infeciosas, além de equipes especializadas e configuradas conforme as necessidades de casa missão. A equipe médica do hospital marítimo é composta por profissionais provenientes de hospitais de grande prestígio da China, incluindo o Primeiro e o Segundo Hospital da Marinha de Comando do Teatro Sul, bem como o Hospital Changhai e o Hospital Changzheng, em Shanghai. Os profissionais que fazem parte da equipe são capazes de realizar atendimentos e procedimentos em cirurgia geral, ortopedia, ginecologia, oftalmologia, otorrinolaringologia, medicina tradicional chinesa, fisioterapia e diversos outros exames e tratamentos.
A complexidade do hospital marítimo impactou os jornalistas presentes, principalmente no que diz respeito à política externa chinesa. De acordo com Andrea Penna, do jornal Monitor Mercantil, o navio combina alta tecnologia com a medicina tradicional chinesa para oferecer saúde, harmonia, direitos humanos e empatia à população mundial. E para Ana Cláudia Guimarães, da coluna “Giro Pelo Oriente” da Revista Veja, o navio faz parte de uma mensagem de amizade para a América do Sul, em especial nesse momento conturbado que a região vive.

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