Díaz-Canel diz que EUA asfixiam Cuba, mas rejeita rendição

Díaz-Canel. Crédito: Estudio Revolución.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026,  em entrevista coletiva a jornalistas nacionais e estrangeiros, que os Estados Unidos promovem uma “asfixia econômica” contra a ilha, mas garantiu que o país não irá se render diante das pressões externas. “A opção da rendição não é a opção de Cuba”, declarou. “A resistência do povo cubano não é uma resistência de aguentar; é uma resistência de criação. Resisto, mas me supero.”

Díaz-Canel disse que Cuba vive um “momento complexo”, agravado pelo bloqueio energético imposto por Washington, que, segundo ele, tenta impedir a chegada de combustível ao país. Ainda assim, insistiu que a ilha é “um país de paz” e que sua doutrina de defesa é baseada na soberania e na não agressão. “Não somos uma ameaça para os Estados Unidos”, afirmou. “É um dever soberano nos preparar para a defesa.” A declaração ocorre após o governo dos EUA intensificar medidas que atingem o fornecimento de petróleo à ilha e manter Cuba na lista de países que supostamente patrocinam o terrorismo — classificação que Havana considera “caluniosa” e “instrumento político”.

Diálogo sob condições

Apesar das críticas, o presidente cubano reiterou disposição para dialogar com Washington, desde que respeitados princípios básicos. “Cuba está disposta a um diálogo sobre qualquer tema, sem pressões, sem precondicionamentos, em posição de iguais e com respeito à nossa soberania”, disse. Ele afirmou que, ao longo da história recente, houve momentos de cooperação bilateral em temas migratórios, ambientais e de segurança, e que esses canais poderiam ser retomados caso haja “respeito mútuo”.

Energia no centro da crise

A crise energética foi o eixo mais detalhado da coletiva. Segundo Díaz-Canel, o bloqueio naval à Venezuela e as medidas adotadas por Washington nos últimos meses reduziram drasticamente a entrada de combustível no país desde dezembro 2025. A escassez afeta geração elétrica, transporte, agricultura e serviços básicos. O governo, porém, sustenta que tem acelerado a transição para fontes renováveis. Em 2025, segundo ele, foram recuperados mais de 900 megawatts em geração distribuída e instalados 1.000 megawatts em parques solares, elevando de 3% para 10% a participação das renováveis na matriz elétrica.

Se não tivéssemos esses mil megawatts solares, estaríamos vivendo apagões totais sucessivos”, afirmou. O plano atualizado prevê alcançar entre 15% e 20% de geração renovável no curto prazo, ampliar sistemas fotovoltaicos com armazenamento, instalar 5.000 módulos solares em residências isoladas e outros 5.000 em hospitais, lares de idosos e policlínicas. O presidente também defendeu ampliar a exploração de petróleo pesado nacional, gás associado e biogás, além de investir em refino próprio. “Temos que aprender a viver com nossas próprias fontes de energia”, disse.

Preparação militar

Questionado sobre nota oficial que mencionou planos para eventual estado de guerra, Díaz-Canel afirmou que o país apenas atualizou seus mecanismos de defesa dentro da doutrina da “guerra de todo o povo”. “Não estamos declarando guerra. Estamos nos preparando”, afirmou. “A Revolução que não sabe se defender dificilmente sobrevive.” Ele destacou que Cuba “é um país de paz” e que sua estrutura defensiva não contempla agressão a outros países.

Venezuela e apoio internacional

O presidente também abordou a relação com a Venezuela, que classificou como parceria solidária e não dependência econômica. Segundo ele, o bloqueio ao petróleo venezuelano impactou o abastecimento cubano, mas a cooperação bilateral continuará. Díaz-Canel mencionou manifestações de apoio de países como Rússia, China, México e membros do Movimento dos Não Alinhados, e defendeu articulação do Sul Global contra o que chamou de ofensiva hegemônica. “O mundo não pode se deixar humilhar nem permitir que a força substitua o multilateralismo”, disse.

Reformas econômicas

Internamente, o governo prepara reformas estruturais, incluindo maior autonomia para empresas estatais e municípios, reestruturação do aparelho Estatal e revisão do modelo de distribuição da cesta básica. Segundo o presidente, é preciso superar o “igualitarismo” e avançar para um sistema mais equitativo, baseado na produção local. “Vamos comer o que produzirmos”, afirmou. Ele também mencionou incentivo à exportação municipal, abertura maior a investimento estrangeiro e participação de cubanos residentes no exterior em projetos produtivos.

Juventude e mobilização

Díaz-Canel reservou parte da coletiva para elogiar o papel da juventude cubana, que classificou como “criativa, audaz e comprometida”. “Não há unidade nem continuidade sem os jovens”, disse. Segundo ele, a mobilização popular após os recentes acontecimentos na Venezuela demonstra que o país mantém coesão política. Ao encerrar, o presidente reiterou que Cuba não está isolada e que o bloqueio não alcançará seu objetivo. “Há muito que defender”, afirmou. “E este povo já demonstrou, ao longo da história, que sabe resistir e avançar.”

Fonte: Texto publicado originalmente no site do Portal Vermelho.
Link direto: https://vermelho.org.br/2026/02/05/diaz-canel-diz-que-eua-asfixiam-cuba-mas-rejeita-rendicao/

Por Lucas Toth

Deixe seu comentário

Acima ↑

Descubra mais sobre Revista Intertelas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading