Galeria Movimento inaugura hoje a exposição individual “Sono do Beija-Flor”, de Edu Monteiro

Crédito: Site Galeria Movimento.

Nesta quarta-feira, 26 de agosto, às 18h30, a Galeria Movimento (Rua dos Oitis, 15 – Gávea
Rio de Janeiro) inaugura a exposição individual “Sono do Beija-Flor”, de Edu Monteiro, com texto crítico assinado por Luiza Interlenghi
A mostra reúne cerca de 16 obras inéditas, entre esculturas, fotografias e uma pintura. O artista, agora, foca sua pesquisa em escultura, aprofundando um interesse pelas transformações da matéria e pelos processos lentos que atravessam tanto a natureza quanto a experiência humana. A visitação ocorre do dia 27 de agosto a 26 de setembro de 2026, de terças às sextas-feiras, das 11h às 19h, e sábados, das 13h às 17h.

No centro da exposição está uma investigação sobre a alquimia, compreendida não como promessa de converter metais em ouro, mas como ponto de partida para refletir sobre os ciclos da matéria e a possibilidade de transformação de si. Ao incorporar metais de diferentes naturezas em suas esculturas, Edu Monteiro constrói uma poética em que peso e leveza, permanência e mudança, repouso e movimento coexistem como forças complementares.

Crédito: Site Galeria Movimento.

Parte da exposição reúne trabalhos desenvolvidos durante uma residência artística realizada na Martinica, território francês nas Antilhas, em 2025. Convidado a intervir em um contêiner abandonado, O gesto tornou-se uma reflexão sobre perspectiva e colonialidade: inverter a imagem era também experimentar outras formas de olhar para uma história ainda marcada pelas relações entre a Martinica e a França.

O dia da abertura conta com a visita de Henri Tauliaut, artista e curador martinicano. Henri é presidente do Centro de Investigação em Arte Contemporânea (CRAA), promotor da residência da qual Edu foi convidado para desenvolver parte da pesquisa que aparece na mostra, e co-diretor do Festival Internacional de Arte da Performance FIAP – Martinica.

Entre dobras, apoios, torções e contraformas, as esculturas de Edu Monteiro investigam o limiar em que a matéria pesada e densa, metáfora do próprio ser, se transfigura e renasce preciosa e vívida. Como na tradição dos antigos ferreiros e da alquimia, o retorno ao escuro primordial se inscreve num registro simbólico e mágico de busca de aprimoramento e revolução – o chumbo transformado em ouro. Na série inédita ‘Saturno e o Sol’, Monteiro aproxima opostos: o sombrio devorar do Tempo e a força vital da luz. Com folhas de chumbo apoiadas em traves de madeira desgastadas pelo tempo e projetadas em queda no espaço, desenha uma geometria mole e pesada, pontuada por pequenos triângulos em ouro. O brilho tensiona essas matérias suspensas — entre apoio e queda — desestabilizando sua gravidade“, escreveu Luiza Interlenghi.

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