
“A Quinta Portuguesa” chega aos cinemas brasileiros com distribuição da Kajá Filmes. O longa reúne um elenco de destaque e apresenta ao público brasileiro uma das últimas atuações de Manolo Solo que, ao lado da atriz e cineasta portuguesa Maria de Medeiros (“Pulp Fiction”, “Capitães de Abril”), teve sua estreia mundial na Seção Oficial do Festival de Málaga, integrou a programação do BAFICI, em Buenos Aires e foi exibido no Festival do Rio.
Na trama, o desaparecimento de sua esposa deixa Fernando, um pacato professor de geografia, completamente devastado. Sem rumo, ele assume a identidade de outro homem e passa a trabalhar como jardineiro em uma quinta portuguesa, onde desenvolve uma amizade inesperada com a dona da casa — dando início a uma nova vida que não lhe pertence.
Para contar a história de Fernando, o roteiro parte de algumas perguntas: O que determina nossa identidade? O lugar onde crescemos, onde vivemos, nossos costumes, experiências e desejos? Essa identidade é única e imutável ou continuamos sendo a mesma pessoa quando mudamos radicalmente de contexto?
Para Avelina Prat, um dos pilares da identidade é o lugar, entendido não apenas em sua dimensão geográfica, mas como o conjunto de elementos e pessoas que o habitam. “O lugar como aquilo que dá forma a uma vida. O lugar como lar”, afirma a diretora. Ao assumirem vidas que não são suas, os personagens do filme paradoxalmente encontram um caminho para construir uma realidade própria.
Com um tom literário que evoca autores como Enrique Vila-Matas e Robert Walser, o filme conduz protagonista e espectador por uma constante sensação de estranhamento e deslocamento. A história se passa no presente, mas carrega o sabor de outra época, dividida entre dois cenários: uma cidade espanhola e o interior de Portugal.

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