Honestino, um filme que o Brasil precisa ver antes das eleições

“Honestino”, dirigido por Aurélio Michiles. Crédito: Mercado Filmes.

Estreou nos cinemas em 4 de agosto último o longa “Honestino”, dirigido por Aurélio Michiles, que assina o roteiro com André Finotti. Trata-se de um híbrido de documentário e ficção, sobre a vida do líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido e morto pela ditadura civil-militar, em 1973. O ator Bruno Gagliasso interpreta o protagonista.

Honestino é um filme que o Brasil precisa ver. Ainda mais nestes tempos pré-eleitorais, quando a nação se prepara para ir às urnas escolher seu destino e se depara com uma porção de candidaturas que representam o retrocesso àquele terror – enfrentado pelo personagem principal e por tantas outras centenas de milhares de brasileiros e brasileiras. Mas a ida ao cinema para assistir a “Honestino” vale também pela qualidade técnica e pela beleza artística do longa. É, de fato, uma obra-prima.

A mistura entre documentário e encenação é muito bem dosada. Na medida para que entendamos a realidade ali retratada a partir de entrevistas com personagens reais. Na medida para que, com as dramatizações, possamos compreender a realidade ali apresentada por meio da arte. Aliás, direção de arte está entre os pontos fortes do filme. Elementos cenográficos, objetos de cena, tudo muito caprichado, preciso. De impacto; todavia sem exageros. Na medida.

O cenário das entrevistas, neutro, contudo com tonalidades de cores que contribuem para a apresentação visual do longa e valorizam as pessoas que compartilham seu relato. A ambientação valoriza os relatos. O enquadramento das pessoas entrevistadas, planos e movimentos de câmera nos trechos encenados, entre outros aspectos, põem a fotografia a serviço do enredo. Já as imagens de arquivo, indispensáveis para o tema, são inseridas em momentos, quantidade e duração que nos permitam conectar-se àqueles tempos, sem nos desligarmos do hoje. Essa ponte entre presente e passado, e vice-versa, dá uma força tremenda ao documentário.

Por fim, a riqueza dos depoimentos, obtidos em entrevistas muito bem construídas, e montadas na e para a narrativa. As falas da filha, do neto, dos amigos e amigas, e mesmo de quem não era próximo, entretanto conhecia a liderança de Honestino, todos esses testemunhos dão a dimensão da grandeza daquela figura, e daqueles e daquelas que se envolveram na luta contra a repressão. Recentemente, o diretor e co-roteirista do longa participou do Juca Kfouri Entrevista, da Rede TVT, contando detalhes e bastidores da produção do filme, e da história de Honestino, de quem foi amigo. Vale ver:

A seguir, a sinopse do filme, obtida do site da produtora, Mercado Filmes:

“O filme ‘Honestino’ explora a vida e o legado de Honestino Guimarães, líder estudantil na Universidade de Brasília durante os turbulentos anos 60 e 70 no Brasil. Apesar de sua influência e sacrifício, sua a história permanece pouco conhecida nacionalmente.

A narrativa mergulha nas lutas políticas da época, incluindo a repressão militar, a perseguição política e a violência no campus da UnB. Através dos questionamentos de seu neto Lucas, o filme busca revelar a verdade sobre o desaparecimento de Honestino e examinar seu significado na sociedade contemporânea, marcada pelo conflito entre memória e informação. Paralelamente, o filme aborda a ameaça à democracia representada pela ascensão da extrema-direita, ecoando os alertas distópicos de obras como ‘1984’.

O documentário híbrido utilizará cenas ficcionais filmadas em Brasília e no Campus Darcy Ribeiro, imagens de arquivo, textos inéditos guardados em uma caixa da família nunca antes acessada, para explorar os conceitos de memória, tempo e informação, bem como a transformação do mundo que Honestino sonhou em comparação com o mundo distópico em que Lucas vive.

‘Honestino’ serve como um convite para uma reflexão mais profunda sobre o papel do herói na sociedade e os perigos do autoritarismo, enquanto explora os desafios de preservar a verdade histórica. O filme será conduzido pela voz de Honestino, baseado em seus escritos inéditos, revelando um tesouro guardado por sua família por décadas.” Para mais informações, acesse www.mercadofilmes.com.

Ao Opera Mundi, o ator Bruno Gagliasso contou como foi interpretar o personagem:

Deixe seu comentário

Acima ↑

Descubra mais sobre Revista Intertelas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo