
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, encerrou na quinta-feira, 10 de setembro de 2026, sua viagem por três países da América do Sul governados por políticos de direita, com os quais reforçou a aliança de segurança que Washington busca consolidar na região para combater o crime organizado. Desde terça-feira, quando iniciou sua viagem pela Colômbia, pelo Equador e pelo Peru, deixou clara sua intenção em um texto publicado nos principais jornais de cada país. “Estamos sincronizando esforços para proteger nosso hemisfério das ameaças transnacionais e regionais”, escreveu.
Também apontou contra o maior rival dos EUA no continente. “Durante tempo demais, atores externos ao hemisfério, respaldados por Estados estrangeiros, especificamente da China, ingressaram em nosso hemisfério com promessas que escondem suas práticas predatórias”, afirmou. Sua visita pela América do Sul começou pela Colômbia e terminou no Peru, os novos membros do Escudo das Américas, a iniciativa do governo de Donald Trump contra o narcotráfico que já conta com 15 integrantes.
Na Colômbia, assinou dois memorandos de entendimento. Um deles para assegurar as cadeias de abastecimento na mineração, no processamento de minerais críticos e de terras raras. O outro trata de cooperação estratégica civil em matéria nuclear. Rubio destacou que a questão da segurança foi a base da conversa com o mandatário colombiano, Abelardo de la Espriella. “A partir disso podemos construir o que é a prosperidade, que é extremamente importante para avançar. E as oportunidades que existem para a Colômbia no âmbito econômico são incríveis”, afirmou.
Enquanto De la Espriella destacou sua visita, dada sua amizade pessoal com Rubio e a reestruturação da relação com Washington, a oposição colombiana a repudiou. “A Colômbia não é o quintal dos EUA. Exigimos transparência sobre os acordos militares, de inteligência e de cooperação”, afirmou a senadora María Eugenia Londoño. Por sua vez, o senador Iván Cepeda afirmou que a entrega dos recursos minerais estratégicos aos EUA, em troca do que classificou como “destruição ambiental”, é chamada de “cooperação econômica”, enquanto, segundo o ex-candidato presidencial, a intervenção militar na Colômbia é apresentada como “segurança regional”.
Já no Equador, na quarta-feira, 9 de setembro de 2026, o secretário de Estado anunciou a designação da quadrilha Los Tiguerones, uma das principais organizações criminosas do país sul-americano, como organização terrorista estrangeira. Ao mesmo tempo, comunicou que os EUA reforçarão o Equador com mais navios e interceptadores e pedirão ao Congresso estadunidense “45 milhões de dólares adicionais para continuar contribuindo para esse esforço de desmantelamento dos grupos criminosos”.
Rubio fez esse anúncio um dia depois de as forças do Comando Sul publicarem um vídeo no qual mostram o ataque e o afundamento de uma suposta “estação flutuante” de reabastecimento vinculada a operações ilícitas de narcotráfico no Pacífico oriental. “A inteligência confirmou a participação da embarcação com a organização narcoterrorista violenta Los Choneros”, afirmou a entidade. Trata-se de uma das cinco operações registradas na mesma região durante as duas últimas semanas.
“Não temos melhor aliado na região em termos de enfrentamento ao que é a ameaça criminosa transnacional”, destacou o secretário de Estado, referindo-se ao Equador, em uma coletiva de imprensa ao lado do chanceler equatoriano, Roberto Kury. Na quinta-feira, a presidente peruana, Keiko Fujimori, informou, em uma entrevista coletiva conjunta com Rubio, que ingressar no Escudo das Américas “é fundamental porque relança o trabalho conjunto”.
“Agradecemos também as ações e a assistência que o Comando Sul irá disponibilizar, o apoio que já estamos recebendo do FBI, da DEA e de outras agências federais”, afirmou Fujimori no Palácio do Governo, em Lima. Assim como nas demais nações, Rubio afirmou que agora estão alinhados para acabar com os grupos criminosos, especialmente aqueles que consideram terroristas, de forma coordenada.
“Acredito que temos em nossas mãos a possibilidade de entrar em uma era muito importante, muito histórica, em tudo o que podemos alcançar juntos”, declarou o alto funcionário estadunidense. No entanto, no Peru também foram registradas manifestações contra ele. Movimentos de esquerda marcharam na quarta-feira por Lima, a capital do país andino, para expressar repúdio à sua visita.
Os manifestantes carregaram cartazes e entoaram palavras de ordem contra Rubio e contra a política do governo estadunidense. “Não queremos e não temos vontade de ser uma colônia estadunidense” foi uma das palavras de ordem entoadas pelos participantes. Enquanto isso, em seus cartazes podia-se ler: “Fora do Peru, Marco Rubio”, “fora, ianques”, “não ao Escudo das Américas”.
Fonte: Texto originalmente publicado pela Redação do Russia Today e respostado pelo Cuba en Resumen e Diálogos do Sul.
Link direto: https://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/rubio-alinca-militar/#google_vignette
Tradução: Isabelle Paiva

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