O cinema como ferramenta de integração

As mulheres no cinema árabe. Crédito: WIPO.

O cinema é uma ferramenta muito importante para a produção de conhecimento e preservação da memória.  Mesmo nos filmes ditos de entretenimento, a obra fílmica é um registro de seu tempo e nela estão impressas a cultura de um povo, o pensamento dos criadores e a lógica da linguagem visual na transmissão de uma mensagem. Neste sentido, o cinema poderia ser interpretado como uma arma?

Num breve passeio histórico é preciso observar um marco teórico: 1945-1991. Os Estados Unidos e a União Soviética estabeleceram um estranhamento geopolítico que impactou o pensamento moderno até hoje. Nesse contexto, os americanos tinham a necessidade de influenciar as decisões políticas, afim de que o imperialismo fosse demarcado em definitivo no mundo. Entre dois mundos ideológicos, o cinema foi usado como máquina propagandista dos ideais americanos.

Nesses filmes, os soviéticos eram demonizados e representados como grandes ameaças à paz mundial. A narrativa americana privilegiava o confronto entre o bem e o mal, inserindo os Estados Unidos como protetores do mundo e da ordem. Essa lógica influenciou a produção cinematográfica, repercutindo estereótipos e visões estigmatizadas do outro. Filmes como “Ele pode ser um comunista”, “Duck and Cover” (1951), “Anjo do Mal”, em 1953, “On the Beach”, de 1959, “O pesadelo vermelho”, de 1962, “Moscou contra 007”, de 1963, “Braddok” e “Red Dawn”, de 1984 são alguns dos títulos que influenciaram gerações.

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Essa forma de enxergar o mundo, na visão americana, mudou? Após o episódio com as Torres Gêmeas no dia 11 de setembro, a ideia de segurança sofreu mais um grande desgaste mundial. E por isso, a soberania americana ficou abalada em virtude desse incisivo ataque. Sem nenhuma preocupação histórica e de reflexão cultural, os filmes recentes levam a ideia de que os árabes são, em regra, inimigos. É evidente que esse posicionamento possui um viés estritamente político, mas é sabido que estratégias de penetração no imaginário coletivo influenciam a dinâmica social, principalmente no aumento do ódio.

Filmes contemporâneos como “Sniper Americano”, “Decisão de Risco”, “O Grande Herói”, “Forças Especiais”, “Argo”, “O homem mais procurado do mundo” e “Relutante Fundamentalista” são algumas obras que evidenciam a guerra de ideais entre americanos e povos do Oriente Médio. Esses registros inserem no imaginário, a ideia de que essa parte do mundo é o outro, o inimigo, fomentando o conflito e a diferença. Entretanto, em virtude das novas plataformas digitais e do próprio momento da humanidade, novas reflexões acerca da produção do conhecimento estão sendo praticadas. Hoje, rupturas ideológicas conservadoras estão sendo quebradas no mundo cultural em virtude desse passado sombrio.

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Editais audiovisuais com cotas, maior presença de mulheres em cargos de direção e roteiro no cinema, forte participação de negros nos projetos culturais e em campanhas de marketing, são passos que estão sendo exercitados no mercado. Até porque, como se diz nas redes sociais: “a internet não perdoa”. É claro que ainda há muito a ser feito, mas é preciso participar do processo de construção e influenciar medidas mais céleres. As pessoas desejam conectar-se com obras que evidenciem suas raízes, suas histórias, suas dores e suas emoções. É preciso que o cinema seja fortalecido cada vez mais, como uma ferramenta de reflexão, e não como arma de fomento ao ódio e à guerra. Em tempos autoritários é urgente iluminar o caminho.

Abaixo os filmes citados neste artigo:

EUA e ocidente contra comunistas

Passagem do filme “Ele pode ser um comunista”, produzido pelas Forças Armadas dos Estados Unidos que ensinam a “reconhecer um comunista” (1951).

“Duck and Cover”, é um filme de orientação social propagandístico, produzido em 1951 pela Defesa Civil do governo dos Estados Unidos pouco depois do início dos testes nucleares da União Soviética.

“On the Beach” (1959), dirigido por Stanley Kramer. Notícia sobre os lançamentos do filme nos EUA e em outros países aliados.

“Anjo do Mal” (1953), dirigido por Samuel Fuller.

“Red Nightmare” é o título mais conhecido do Filme de Informações das Forças Armadas de 1957 (AFIF) 120, Freedom and You.  Trata-se de um curta anti-comunista apresentado como um filme educativo sobre a natureza do comunismo. O principal objetivo com esta produção do filme foi moldar a opinião pública contra o comunismo. O filme foi posteriormente exibido na televisão americana, em 1962, como um filme educativo para escolas americanas. Foi estrelado por Jack Kelly e Jeanne Cooper, dirigido por George Waggner e narrado por Jack Webb.

“Moscou contra 007” (1963), dirigido por Terence Young.

“Braddock – O Super Comando” (1984), dirigido por Joseph Zito.

“Red Dawn” (1984), dirigido por John Milius.

EUA e ocidente contra o Islã e ocupando o Oriente Médio

“Sniper Americano” (2015), dirigido por Clint Eastwood.

“Decisão de Risco” (2016), dirigido por Gavin Hood.

“O Grande Herói” (2013), dirigido por Peter Berg.

“Forças Especiais” (2011), dirigido por Stéphane Rybojad.

“Argo” (2012), dirigido por Ben Affleck.

“O homem mais procurado do mundo” (2011), dirigido por John Stockwell.

“O Relutante Fundamentalista” (2013), dirigido por Mira Nair.

 

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