A trajetória de Sandra Oh

Crédito: Justin Coit.

Tanto no cinema, quanto na televisão brasileira e em países como os Estados Unidos e Canada, a diversidade racial e étnica é ainda pouco contemplada, apesar de mudanças bastante significativas terem ocorridos nos últimos anos. Tais transformações apenas foram possíveis com movimentos que exigiam mais espaço para grupos que não estão representados nas telas e pela perseverança de profissionais como Sandra Miju Oh, nascida em 20 de julho de 1971, no Canadá.

Oh é principalmente conhecida pelo papel de Cristina Yang no drama médico da “ABC, Grey’s Anatomy”, ambientado nos Estados Unidos, que ela interpretou de 2005 a 2014. Em razão deste trabalho promissor, a atriz ganhou dois Golden Globes Awards, dois Screen Actors Guild Awards e cinco indicações para o Primetime Emmy Award de Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática. Em 2018, Oh começou a estrelar como Eve Polastri na série da BBC América, “Killing Eve”. Por esta atuação, ela se tornou a primeira atriz de ascendência asiática a ser indicada ao prêmio Primetime Emmy de Melhor Atriz em Série Dramática. Ela ainda, em 2013, recebeu a chave da cidade de Ottawa, Ontário, do prefeito Jim Watson. E neste ano de 2019, Oh foi a primeira apresentadora de origem asiática a apresentar o Golden Globes Awards ao lado de Andy Samberg e ganhar duas vezes o prêmio por melhor performence. 

Oh nasceu no subúrbio de Ottawa, em Nepean, em uma família de imigrantes coreanos de classe média. Seus pais Oh Junsu (John) e Jeon Young-nam mudaram-se para o Canadá no início dos anos 60. Seu pai é empresário e sua mãe é bioquímica. Sendo uma das poucas famílias de ascendentes asiáticos ela e os irmãos Ray e Grace cresceram em Camwood Crescent em Nepean, onde ela iniciou sua carreira. Com 10 anos, ela interpretou “The Wizard of Woe” em um musical de classe, The Canada Goose. Durante o ensino médio, Oh teve uma vida escolar na adolescência bastante engajada, fundando o clube ambiental Borden Active Students for the Environment(BASE), que liderava uma campanha contra o uso de copos de isopor.

Filme Double Happiness. Crédito: Koreapost.

Enquanto cursava o ensino médio, ela foi eleita presidente do conselho estudantil. Durante este período ainda tocou flauta e teve classes de balé, atividades que ela posteriormente nãp seguiria para focar seus esforços na carreira como atriz. Assim, ela entrou para um grupo de teatro, participando de peças da escola, integrando o Canadian Improv Games e o Skit Row High, um grupo de comédia. Sabe-se ainda que Oh rejeitou uma bolsa de jornalismo de quatro anos para a Carleton University para estudar teatro na Escola Nacional de Teatro do Canadá em Montreal.

As atrizes Ellen Pompeo e Sandra Oh na série Grey´s Anatomy. Crédito: Zimbio.

Formou-se em 1993, e começou a ter proeminência no Canadá graças ao papel de Jade Li,  no filme canadense “Double Happiness” (1994), uma mulher de vinte e poucos anos que se vê em luta pessoal para satisfazer os desejos dos pais, chineses tradicionais, e seus próprios anseios de vida. O filme foi aclamado pela crítica, com críticos e jornalistas  elogiando o desempenho de Oh. Janet Maslin do The New York Times chegou a escrever: “a performance de Oh faz de Jade uma heroína inteligente e espetacular”. Oh ganhou o Genie Award de Melhor Atriz pelo papel. Em 1997, ela ainda iria estar em outros filmes de sucesso no Canada, em especial “Last Night” (1998), pelo qual ela novamente ganhou o prêmio Genie. Em 2002, Oh apareceu na comédia familiar “Big Fat Liar”, seguido por um papel menor em “Full Frontal” de Steven Soderbergh, aclamado diretor dos EUA.

Ao viver Rita Wu, assistente do presidente de uma grande agência de esportes, na série Arliss, recebeu um NAACP Image Award de Melhor Atriz Coadjuvante em Comédia e um Cable Ace de Melhor Atriz em uma comédia por seu trabalho. Em 2003, ela foi escalada em um papel de apoio ao lado de Diane Lane em “Under the Tuscan Sun”, seguido por um papel coadjuvante no drama “Sideways” (2004), de Alexander Payne. Finalmente em 2005, ela foi como Cristina Yang na primeira temporada do que se tornou a série médica da ABC, Grey’s Anatomy, mas também teve participação em filmes como o thriller “The Night Listener” (2006), que atuou ao lado de Robin Williams e Toni Collette; na comédia de super-heróis “Defendor” (2009); “Ramona e Beezus” (2010); e no drama aclamado pela crítica “Rabbit Hole” (2010), ao lado de Nicole Kidman e Aaron Eckhart.

Sandra Oh com os pais. Crédito: Elle.

Entre diversas outras atuações, a atriz interpretou Brigid O’Shaughnessy, em um audiolivro do clássico de 1930 “The Maltese Falcon”, o que lhe rendeu indicação ao Grammy, que também contou com Michael Madsen e Edward Herrmann. Ela também fez alguns papéis de voz em animação, incluindo algumas aparições em “American Dragon: Jake Long”, interpretando a Princesa Ting-Ting em “Mulan II”, e a voz de Doofah em “The Land Before Time XIII: A Sabedoria dos Amigos” .

Em 2011, Oh recebe uma estrela na Calçada da Fama do Canadá. Atualmente, ela ganhou o papel de protagonista da série de espionagem da BBC América Killing Eve, retratando uma agente de inteligência britânica Eve Polastri. Parece que inicialmente a atriz não percebeu que estava sendo considerada como protagonista, dizendo que tinha sofrido “lavagem cerebral” por anos sendo escolhida como as melhores amigas dos personagens principais.

Em uma entrevista para a jornalista Aimée Lutkin, do site The Muse, Oh declarou que o racismo na indústria audiovisual não apenas é difícil, mas também algo extremamente injusto. “O racismo existe. Vamos começar por aí, e eu o senti profundamente. Mas a mentalidade das pessoas está mudando com relação a este problema. Contudo, você precisa ser bastante tenaz e ter certeza daquilo que quer. Se quer ser um grande artista, você deve colocar em mente que pode encontrar sim o seu caminho, mesmo dentro desse paradigma gigante que muitas vezes não inclui pessoas que se parecem conosco”.

Fonte: Texto originalmente publicado no site do Koreapost

Link direto: https://www.koreapost.com.br/conheca-a-coreia/cultura/sandra-oh-vida-da-primeira-atriz-de-ascendencia-asiatica-ser-indica-ao-emmy-de-melhor-atriz-coreanos-pelo-mundo/

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