Vaza Jato: a Lava Jato contra lavajatismo e um possível Russia Gate in Brazil

Crédito: causaoperaria.org.br

No dia seguinte ao vazamento das conversas entre o atual Ministro da Justiça Sérgio Moro e o procurador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, feitas desde 2016 no aplicativo Telegram, os meios midiáticos dividiram-se entre abafar o caso ou pedir a renúncia do ministro bolsonarista. Contudo, um elemento que dificilmente tem encaixado na narrativa até o momento, seja pela própria característica do dossiê investigativo feito pelo portal de notícias Intercept Brasil, seja por declarações contraditórias do governo, é a história de um suposto hacker que teria entrado no sistema do celular de membros da Lava Jato há poucas semanas.

Logo nos primeiros dias, o Jornal Nacional, ao falar sobre o assunto, invertia a narrativa, esquecendo as violações cometidas pela Vara do Juiz Sérgio Moro, dando foco maior na invasão de privacidade, alinhando um discurso que até então pouco sucesso havia obtido. Nesta narrativa, a centralidade da violação informática sobre o aplicativo Telegram assume um destaque que está sendo trabalhada em oposição a importância e mesmo a veracidade das mensagens, que não foi negada inicialmente nem pelo Ministro da Justiça e muito menos pelo procurador do Ministério Público Federal (MPF) Deltan Dallagnol.

Crédito: facebook.com/vazajatooficial

Glenn Greenwald, fundador do The Intercept, o mesmo responsável pela divulgação do caso de espionagem de Edward Snowden, avisou, ainda nos primeiros dias ao tornar público os áudios, que existem mais materiais sobre o caso, envolvendo setores da mídia, outros atores estatais, não estatais e inclusive internacionais. Tal fato, aliado à ausência de conhecimento da abrangência das informações, leva a um determinado pânico e reações diversas que demonstram certo descompasso com a narrativa inicial de puro vazamento e violação de privacidade. A ênfase no fator hacker traz um elemento extremamente interessante se for feita uma conexão com casos anteriores de vazamentos de informações, que envolvem jornalistas como o próprio Greenwald.

Um caso significativo ocorreu durante o governo de Barack Obama, quando houve o vazamento de dados sobre espionagem dos Estados Unidos do ex-agente da Agência de Segurança Nacional (NSA)  Edward Snowden em junho de 2013. Exilado na Rússia hoje, Snowden foi caçado e acusado de traição, onde em Washington a narrativa contraposta foi de que ele se ’’vendeu’’ aos russos e operou como agente do mesmos para manchar a imagem do país com os aliados.

Julian Assange, fundador do Wikileaks, na embaixada do Equador em Londres. Crédito: acrediteounao.com

Outro caso foi em 2016, quando ainda durante as eleições presidenciais prévias do Partido Democrata nos Estados Unidos, o portal Wikileaks divulgou uma série de e-mails onde se via a pressão política por parte da ainda pré-candidata Hillary Clinton sobre os delegados para escolhê-la como a indicação do partido para as eleições presidenciais. Na época, a candidata não apenas tentou esquivar-se das polêmicas envolvendo essa pressão política contra seu adversário interno Bernie Sanders, como culpou hackers russos de serem responsáveis pelo vazamento, uma narrativa que se fortaleceu após a vitória de Donald Trump e levou a criação de um inquérito para apurar o caso.

O Russia Gate, como ficou conhecido o processo, já tem alguns anos de investigação, onde tenta conectar a vitória de Trump aos russos, que por sua vez supostamente teriam hackeado o Partido Democrata, manchando a imagem de Hillary. Contudo, apesar de não ter obtido grande sucesso, a narrativa que relaciona os russos a hackers ainda é forte e gerou um inquérito judicial que poderia ter levado ao impeachmant do presidente.

O portal The Intercept, também responsável por divulgar o maior escândalo da política externa estadunidense, a semelhança do Wikileaks, não é bem visto em vários países ocidentais, especialmente nos Estados Unidos, onde causou um alvoroço com outras investigações importantes que fazem um contraponto a grande mídia ocidental. Para além disso, a Rússia, importante ator global hoje, também é um dos países que vem enfrentando essas oligarquias midiáticas na área comunicacional, e apoiando as iniciativas como as do Wikileaks e do The Intercept, tendo em conta interesses de liberdade e igualdade na divulgação de informações sobre si e outros países. Na Rússia, criou-se inclusive o conglomerado telecomunicacional Agência de Notícias Rossiya Segodnya (Rússia Hoje), que é responsável pelo canal de notícias Russia Today (RT) e também o portal de notícias Sputnik que operam em mais de 100 países nos cinco continentes do mundo.

Logo da Agência Rossiya Segodnya. Crédito: http://испи.рф

Compreender estes aspectos é importante, pois a ênfase dada em especial aos hackers e ao aplicativo de mensagem Telegram- propriedade de um empresário russo exilado- é uma conexão que tenta ser constituída desde os primeiros dias-, ainda que seja uma história defasada. Em primeiro lugar, por que o próprio aplicativo, logo após o começo do vazamento, registrou publicamente que se houve a invasão, a mesma se deu por meio de um computador conectado a um número telefônico. Um número incomum e difícil de se achar em virtude do acesso aos dados da própria Polícia Federal e do governo, e mesmo que o acesso por meio dos servidores do aplicativo em sí tivesse ocorrido, sendo Moro o Ministro da Justiça e Segurança Pública, deveria ter sido rapidamente percebido pela Polícia Federal e mesmo o Gabinete de Segurança Institucional que tentariam rastrear o número de Protocolo de Internet (PI) do suposto hacker.

Porém, Moro cancela a linha de telefone celular e apenas depois notifica os órgãos de segurança que deveriam estar atentos a este tipo de ação. Em segundo lugar, e mais importante, na quarta-feira, dia 12 de junho, o suposto hacker apareceu de novo no grupo de procuradores do MPF, simplesmente para dizer que quem falava era ele, além de que tinha muito mais coisas a serem vazadas. Algo estranho e ousado, considerada a periculosidade e ofensividade deste ato, mas que resultou no mesmo dia na focalização da narrativa sobre o hacker, e não mais nas atitudes de Moro quando juiz.

Jornalista Glenn Greenwald. Crédito: https://guaiba.com.br/

Contudo, a narrativa tranforma-se rapidamente já nos primeiros dias, pois se Sérgio Moro e Deltan Dallagnol não negaram as conversas e sustentaram um discurso de invasão de privacidade em um primeiro momento, depois da história do hacker entram na porta de um outro discurso que gira mais 90 graus a narrativa midiática, onde além de violação das mensagens, existiu modificação para seu próprio benefício e de outras pessoas. Contudo, essa virada é percebida por alguns setores da mídia que temem a ideologia lavajatista, ainda que defendam a Operação Lava Jato. A Folha de S. Paulo, um expoente deste grupo, percebe logo no dia 13 de junho o teor da mudança do tom e destaca com suspeita. Reação parecida teve o jornal Estadão e alguns blogueiros do UOL, que assim como fora na prisão de Michel Temer, posicionam-se contra a operacionalidade da força tarefa de Curitiba.

É bom salientar que apesar da posição crítica a Moro e Dallagnol, grande parte destes grupos não atacam a Lava Jato em sí, mas o modus operandi lavajatista que tem uma interpretação diferenciada por parte destes setores políticos. A Lava Jato para estes grupos era um instrumento de ’’progresso’’ e ’’ordem’’- no sentido liberal-, pois seu objetivo era impedir que o Partido dos Trabalhadores (PT)- identificado com o ’’populismo’’- voltasse ao poder e que garantisse as reformas necessárias para que o país saísse do estado de corrupção- no sentido de corrompimento do caminho, isto é, o uso das instituições republicanas para a tirania no sentido liberal.

Contudo, a partir do momento em que ficou provado que Sérgio Moro guiava a promotoria e o Ministério Público Federal (MPF), além do seu acordo secreto com o atual presidente Jair Bolsonaro de promessa de vaga no Supremo Tribunal Federal, o mesmo se tornou uma ameaça. Não pela operação em si, mas pela ideologia lavajatista que abre alas para um Estado de exceção permanente, algo que não interessa para os setores envoltos do setor financeiro. O lavajatismo– que pode também ser chamado de mccarthismo made in Brazil– tornou-se a ideologia dominante na sociedade brasileira, graças em grande parte aos grupos midiáticos que alimentaram por quase uma década este monstro que hoje não possui mais controle.

Durante a prisão de Michel Temer, as atuais críticas transpareciam em algumas matérias midiáticas, e a Lava Jato dava demonstrações de que, apesar dessas críticas, tinha consenso e apoio em boa parte da sociedade brasileira. As críticas ao lavajatismo já haviam transparecido em alguns meios de comunicação após triunfo político, eleitoral e social de 2018. Porém, ainda não ocorreu seu pleno triunfo institucional- o que significaria um regime autoritário de caráter fascista-, pois não apenas a guerra entre os poderes constitucionais impede isso, como o Brasil ainda preserva- ainda que em parte- um verniz democrático.

Entretanto, não apenas a guerra entre os poderes pode estar encaminhando-se para a sua finalização, como o verniz liberal democrático está sendo substituido pelo lavajatismo, isto é, um mccarthismo retrógado que remonta as décadas da Guerra Fria. Pepe Escobar, analista de geopolítica do jornal The Asia Times, que vem acompanhando e escrevendo uma série de análises sobre o cenário político brasileiro por meio de sua conta no Facebook, alertou o seguinte na quarta-feira, dia 12 de junho:

’’BRAZILGATE ALERT

The NSA launched a GLOBAL attack on Telegram. It’s happening NOW. They are trying to prove Telegram is “vulnerable”, a.k.a. hackable; the thesis of BR Minister of “Justice” Moro to deflect from his illegal judge/jury/executioner role in the monster anti-Lula farce.’’

’’ALERTA VAZAJATO

A NSA lançou um ataque GLOBAL sobre o Telegram, que acontece agora. Eles Tentam provar que o Telegram  é vulnerável, hackeavel, a tese do Ministro da Justiça do Brasil, Moro, para desviar a atenção do ilegal juiz, juri e executor no papel da farsa monstruosa contra o Lula.’’

Curiosamente na mesma quarta-feira, o jornal O Globo publicou um artigo com vultuosas críticas a relação entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol- no melhor estilo Lava Jato contra o lavajatismo-, cujo título era nada menos que Moro, pede pra sair. Contudo, após o reaparecimento icônico do hacker no grupo dos procuradores, veio um outro artigo na quinta-feira, dia 13 de junho, este escrito por Carlos Sardenberg em defesa tanto da Operação Lava Jato, quanto de Sérgio Moro, e que pede uma séria investigação sobre o caso, onde acusava os membros do portal The Intercept de fazerem militância ao invés de jornalismo.

Outro fato curioso é que ainda segunda-feira, a agência BBC em português, publicou um artigo que tentava ’’explicar’’ como os dados de Moro e Dallagnol teriam sido vazados, e deu destaque a relação entre Edward Snowden, Greenwald e o Telegram. Vale destacar no artigo, que se fez uma série de críticas ao aplicativo, inclusive relacionando-o com o governo russo, que pressionava o empresário Pavel Durov para terem maior controle sobre o aplicativo, incluisve tentanto hackeá-lo! Curiosamente, Durov não apenas está exilado como a empresa Telegram tem sede em Berlim, e não em Moscou. Outro fato importante, é que Snowden está na Rússia, e que os casos de hackeamento hoje são em sua maioria atribuídas a russos. A mesma BBC também foi responsável por publicamente fazer uma campanha em 2018 acusando os russos de tentarem assassinar Sergei e Iulia Skripal por meio de um suposto ataque com uma arma química chamada Novichok em Salisbury na Grã Bretanha.

Sergei Skripal and Iulia Skripal. Crédito: ABC.

Conhecido como Caso Skripal, ainda hoje não foi confirmada a culpabilidade dos russos, assim como no caso Snowden e mesmo o vazamento dos e-mails do Partido Democrata, porém existe uma narrativa comum em todos eles: o russo inimigo. Este tipo de relação, construída durante a Guerra-Fria- porém de origem mais antiga- tornava mesmo os partidos políticos mais reacionários aliados. Apesar da acusação a Trump, membros do Partido Republicano e incluso o próprio presidente, utilizam a ideia de ingerência russa para fins políticos internos e externos, como por exemplo, perseguir as agências de notícias russas no país, e mesmo fechar consulados como foi em 2018 após o Caso Skripal. Neste sentido, a guerra não declarada, econômica e geopolítica dos países ocidentais à Rússia faz parte de um cenário global em que a China também é uma adversária. Esta guerra está acima de todas as forças políticas e partidos para o ocidente.

No próprio Caso Skripal em 2018 existiu esta unidade aberta entre as forças pró e contra o BREXIT na Grã-Bretanha na acusação aos russos, e que usavam do momento para atacar os meios de telecomunicação vinculados a agência Rossiya Segodniya. Inclusive, por várias semanas, a BBC utilizou este caso para desencorajar pessoas a viajarem para a Copa do Mundo da Rússia, e Bóris Johnson, um árduo defensor do BREXIT, então ministro do foreign office, e um dos políticos mais polêmicos do país tornou-se um ’’herói’’. A própria primeira ministra, Theresa May, em baixa popularidade oxigenou seu governo com este caso.

O Brasil, inserido neste cenário passou de um ator a um tabuleiro de disputa por ocasião do golpe de Estado de abril de 2016, como denotou Pepe Escobar. Onde não apenas se afasta do grupo BRICS, como se realinha políticamente com os EUA, embora com pragmatismo durante o governo de Michel Temer. No entanto, com o triunfo político e eleitoral do lavajatismo em 2018, isto é, Bolsonaro, passou-se a um alinhamento subserviente do governo aos interesses dos Estados Unidos, e que até o momento não teve nenhuma atitude incisiva em relação a Rússia- que na visão deste grupo é uma ameaça.

Seria este caso- isto é, a história do hacker-, a possibilidade de se encaminhar uma crise nas relações diplomáticas entre Brasil e Rússia, a partir de acusações semelhantes às feitas pelos democratas e os conservadores britânicos? É possível, ainda que não seja tão provável, pois considerada a ênfase no Telegram, o inimigo comum- isto é, Glenn Greenwald-, e a ligação umbilical entre Sergio Moro e a Agência Central de Inteligência (CIA)-, tudo isso pode ter sido preparado durante as ultimas semanas, ainda durante o processo de divulgação dos vazamentos das conversas. A relação entre Moro, Dallagnol e a mídia em relação as versões do caso demonstra isso claramente, apesar de seus poucos dias.

Crédito: DCM.

A história do hackeamento dos celulares de membros da Lava Jato não havia nem esfriado ainda, quando ocorreu os vazamentos no The Intercept Brasil no dia 9 de junho, domingo. Na segunda e terça-feira, divididos já, os jornais publicavam desde matérias pedindo esclarecimentos e a saída do ministro da justiça- atacando o lavajatismo-, à matérias que ressaltavam a violação de privacidade e o ataque a Lava Jato- isto é, defendendo o lavajatismo. Curiosamente, consideradas as informações acessadas, organizadas e analisadas, a matéria não era comum, pois se trata de um dossiê investigativo, e que necessitava de um longo período para sua edição e construção, algo muito pouco provável em 5 dias. Neste sentido, a história do hacker aparenta ter sido uma reação antecipada de disputa de narrativa por ocasião de avisos da inteligência, que ficou sabendo da matéria por seus próprios meios.

A história do hackeamento dos celulares de membros e procuradores ligados a Lava Jato, apenas passou a ser levada a sério após um segundo aparecimento do hacker da terça para quarta-feira, justamente quando os setores midiáticos abandonaram a confusão e centraram forças na história. Moro e Dallagnol haviam revertido publicamente com algum sucesso a narrativa, mas não haviam vencido ainda, quando em meio processo resolveram negar também as mensagens, alegando que teriam sido adulteradas- algo semelhante com o que ocorreu no caso Snowden e no vazamento dos e-mails do Partido Democrata. Tudo isso se deu no espaço de pouco mais de uma semana, enquanto os diálogos ainda eram divulgados.

Edward Snowden. Crédito: Diário Causa Operária.

Obama em 2013 alegou que os vazamentos de dados da espionagem tinham por objetivo manchar a imagem dos Estados Unidos frente ao mundo. Já Hillary Clinton alegou que o objetivo era manchar sua imagem junto aos eleitores para possibilitar a vitória de Trump, considerado ’’o garoto’’ de Vladimir Putin! Qual foi o argumento utilizado por alguns jornalistas e membros da Lava Jato recentemente? Que este ataque foi desenvolvido e realizado por inimigos da Lava Jato, que já tem até nome e sobrenome: hackers e militantes! Disse Sérgio Moro inclusive, divulgue-se tudo, pois não existe nada de errado no que ele fez, o que significa que apesar de todas as violações constitucionais, o principal objetivo, isto é, impedir o Lula e o PT de chegar ao poder, em razão da ’’corrupção’,’ era mais importante.

Ora, nem Moro, nem Bolsonaro escondem suas tendências autoritárias e mccarthistas, buscando criar tanto inimigos internos, quanto externos. Se o ministro da justiça torna-se vítima, não apenas de uma ingerência externa, mas de uma tentativa de desestabilização atribuída a criminosos informáticos, a Lava Jato ganha uma missão de cunho nacional que extrapolaria a corrupção, fortalecendo inclusive a proposta do Pacote Anticrime , deixado de lado momentaneamente- proposta que cria um Estado penal policialesco. Se isso ainda não for suficiente, para fortalecer a narrativa do governo e mídia em conjunto, e culpar os inimigos da Lava Jato, porque não relacionar a ação com o governo russo- algo irresistível por se tratar do Telegram- e os jornalistas do portal The Intercept sabidamente ligados a Snowden?

Uma acusação desta natureza não apenas põe Greenwald e o The Intercept na mesma posição que os jornalistas russos na Grã-Bretanha durante o Caso Skripal, mas deteriora as relações do Brasil com o Kremlin– algo bom para os interesses estadunidenses de desestabilização do grupo BRICS. Importante lembrar que isso pode desembocar em consequências para as parcerias de telecomunicação e econômicas entre ambos os países- este ano a cúpula do BRICS é no Brasil-, cujas relações são contestadas não é de hoje por setores da elite. Em 2014, a Revista Veja e a Rede Globo de Televisão acusaram abertamente o presidente da Rússia, Vladimir Putin, de ser o culpado na queda do avião da Malasya Airlines no leste da Ucrânia, por meio de um míssil terra-ar ucraniano- buk-, que foi supostamente lançado por ’’rebeldes’’, que lutavam contra o exército ucraniano, com suporte aberto do governo russo. A posição neutra de Dilma Roussef, presidenta na época, foi constantemente criticada pelos meios midiáticos.

Ainda é bom lembrar, que neste mesmo ano de 2019, a página da Sputnik Brasil foi cancelada deliberadamente pelo Facebook. Em 2016, a hoje deputada estadual em São Paulo, Janaína Paschoal do Partido Social Liberal (PSL) disse que a Rússia era uma inimiga do país, e outro personagem emblemático deste governo, ’’mentor’’ de Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho, diversas vezes acusou a Rússia de continuar sendo comunista, e inclusive de ter infiltrado agentes no Brasil para apoiarem o PT. Compreender isso é importante porque o que move o atual presidente é um anticomunismo doentio datado da Guerra Fria, fundido com uma ideia de ’’missão’’, ou ’’cruzada’’ civilizatória pelo ocidente interna e externa, onde a Rússia é considerada uma ameaça.

Existem várias reações possíveis de Bolsonaro, Sérgio Moro e Deltan Dallagnol aos vazamentos, mas as tendências mais prováveis hoje apontam justamente para tanto a abertura de uma investigação do caso hacker, quanto para o fortalecimento da ideologia lavajatista, pois mantem o governo estável e unido para passar a reforma da previdência que é de interesse uníssono da elite brasileira. Contudo, isso fortalece mais ainda politicamente não apenas a Sérgio Moro, mas a perigosa ideologia mccarthista que possui a Lava Jato- lavajatismo-, encarnada na figura e governo de Jair Bolsonaro, que terá implicações internas e externas ainda pouco visíveis no horizonte atual. Uma ação que possivelmente é coordenada não apenas em Brasília, mas que conta com colaboração desde o Pentágono.

Matérias jornalísticas

BARBOSA, Rubens. O mundo entrou numa fase de confronto sem frente de batalha e sem regras de engajamento. In: Defesa.net. 2019. Disponível em: http://www.defesanet.com.br/cyberwar/noticia/33197/O-mundo-entrou-numa-fase-de-confronto-sem-frente-de-batalha-e-sem-regras-de-engajamento/.

DEFESA.NET. Carlos Velloso: Há uma campanha para desacreditar a Lava Jato. 2019. Disponível em: http://www.defesanet.com.br/fvghbr/noticia/33228/Carlos-Velloso—Ha-uma-campanha-para-desacreditar-a-Lava-Jato/.

ESCOBAR, Pepe. Welcome to the Jungle. In: Consortium News. 2018. Disponível em: https://consortiumnews.com/2018/10/29/welcome-to-the-jungle/.

FABRINI, Fábio. Lava Jato muda de tom e destaca chance de mensagens falsificadas. In: Folha de S. Paulo. 2019. Disponível: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/06/lava-jato-e-moro-mudam-tom-e-destacam-chance-de-mensagens-falsificadas.shtml.

FOLHA DE S. PAULO. Usuários do Brasil estão entre os mais afetados em ciberataque contra o Telegram. Disponível: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/06/usuarios-do-brasil-estao-entre-os-mais-afetados-em-ciberataque-contra-telegram.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social-media&utm_campaign=uol&utm_content=geral

GRAGNANI, Juliana. Como as mensagens de Telegram de membros da Lava Jato podem ter vazado. In: BBC Brasil. 2019.

ESTADÃO. Janaína Paschoal alerta que ’’Rússia está a um passo de atacar o Brasil’’. 2016. Disponível em: https://politica.estadao.com.br/blogs/coluna-do-estadao/janaina-paschoal-alerta-que-russia-esta-a-um-passo-de-atacar-o-brasil/.

O GLOBO. Moro, pede pra sair. 2019. Disponível em: https://outline.com/fqZeD7.

RUST, Carlos. Porque o Brasil está sofrendo ataque cibernético?. In: Defesa.net. Disponível em: http://www.defesanet.com.br/fvghbr/noticia/33229/Carlos-Rust—Porque-o-Brasil-esta-sofrendo-ataque-Cibernetico/.

SARDENBERG, Carlos Alberto. Há uma campanha aberta contra a Lava Jato. In: O Globo. 2019. Disponível em: https://outline.com/kfCVPF.

Vídeos e filmes:

TV 247. Pepe Escobar: O Brasil na guerra entre EUA, China e Rússia. 2019. 

“Snowden” (2016), de Oliver Stone. 

“O Quinto Poder” (2013), de Bill Condon. 

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