A pandemia e a democracia em vertigem no Brasil

Mesmo com risco da Covid-19,torcidas foram às ruas em ato pela democracia no último domingo (31) . Crédito: https://domtotal.com/

Quando este texto estava em processo de escrita, o Brasil aproximava-se dos 600 mil casos confirmados de Covid-19, e já tinha ultrapassado as 32 mil mortes por conta do novo coronavírus. Esses são os números oficiais, porque as próprias autoridades reconhecem a subnotificação, o que significa dizer que muito mais gente contraiu a doença e, mais grave ainda, muito mais gente morreu em razão dela, sem que saibamos quantos e onde, exatamente. Uma tragédia. Que não para por aí.

Mais de 70 milhões de brasileiros e brasileiras – um terço da população – tiveram de recorrer aos R$ 600 de auxílio emergencial para enfrentar a crise da pandemia. Uma multidão precisou aglomerar-se em agências bancárias para resolver pendengas que impediam o acesso a uma renda mínima. Uma tragédia. Que não para por aí.

Porque enquanto somos atingidos por tamanha crise humanitária, temos de enfrentar uma temerária ruptura político-administrativa e institucional. O que esse caos tem a ver com audiovisual, tema central da Revista Intertelas? Tem a ver porque do cinema, há pouco, também veio o alerta.

Quando “Democracia em vertigem” concorreu ao Oscar 2020 de melhor documentário, ecoou pelo mundo a denúncia de que, desde o golpe de 2016 contra Dilma Rousseff, a democracia brasileira vai esfacelando-se. Não tem como entender o Brasil da pandemia e das crises na política, na economia, nas relações sociais se não houver o entendimento de que o país de 2020 é fruto do que Petra Costa, a documentarista, pontua em sua obra.

Quem está incrédulo ou incrédula com a boçalidade em pleno ápice de uma pandemia, e ainda não viu “Democracia em vertigem”, super recomendável. Assim como é indispensável “O processo”, de Maria Augusta Ramos, obra que esfrega em nossos olhos o que estava sob nosso nariz. Deixamos que uma presidenta democraticamente eleita fosse destituída sem que crime algum tivesse cometido.

Para que os derrotados nas urnas assumissem o poder e retirassem do horizonte qualquer perspectiva de aprofundamento de reformas sociais que estavam em curso, valeu rasgar a Constituição. Aí virou o vale-tudo que temos hoje. Um país em vertigem, uma tragédia em processo.

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