Centro de Arte Contemporânea de Tashkent lança programa com clássicos do cinema da Ásia Central

Cena de “The Orator” (1998), de Yusup Razykov. Crédito: The Calvert Journal.

Segundo notícia veiculada pelo site “The Calvert Journal”, com texto de autoria da jornalista Agnieszka Pikulicka-Wilczewska, o Centro de Arte Contemporânea de Tashkent lançou um novo programa on-line Tashkent Film Encounters para compartilhar os melhores clássicos contemporâneos do cinema da Ásia Central. O público em geral poderá assistir a quatro obras disponíveis online e gratuitamente até dia 16 de junho, com legendas em inglês, no site do projeto.

O centro é um novo espaço para desenvolver e apoiar a cultura contemporânea na Ásia Central. Conforme Pikulicka-Wilczewska, a iniciativa é um trabalho desenvolvido entre a diretora uzbeque Saodat Ismailova e a Tashkent Film Encounters, no intuito de promover e salvaguardar o patrimônio cinematográfico da região.

A diretora uzbeque Saodat Ismailova. Crédito: https://www.festivalfinder.eu/

De acordo com o site Festival Finder, da Associação Europeia de Festivais, Ismailova é: “uma das representantes mais bem-sucedidas internacionalmente da: nova geração de artistas da Ásia Central, que cresceu na era pós-soviética e estabeleceu uma vida artística cosmopolita, mantendo-se profundamente engajada com sua região natal como fonte de inspiração criativa“. Ainda segundo informações do página de festivais, seu longa-metragem de estréia, “40 Days of Silence” (2014), uma comovente representação de quatro gerações de mulheres tajiques que vivem na completa ausência de homens, foi indicada ao prêmio de melhor filme de estréia no Festival Internacional de Cinema de Berlim de 2014 e, posteriormente, foi exibida em vários prestigiados festivais ao redor do mundo.

É importante entender os filmes de nossa região como um todo coerente, porque durante a era soviética, as diferentes indústrias cinematográficas da Ásia Central constantemente se influenciavam. Após o colapso da União Soviética, os fios que nos mantiveram unidos romperam-se e todos começaram a pensar em sua própria herança cinematográfica do zero”, diz Ismailova, em entrevista à jornalista.

De acordo ainda com Pikulicka-Wilczewska: “os quatro filmes selecionados foram lançados nos anos 90 e tratam de questões de identidade pessoal e nacional. Tratam-se de testemunhas de tempos turbulentos, pertencem a uma geração de cinema que assumiu a tarefa de definir um estilo nacional distinto em seus próprios idiomas, celebrando a diversidade da região e a singularidade da voz cultural e estilística de cada país“. Confira a publicação na integra em inglês “Discover the contemporary classics of Central Asian cinema free and online”.

The Orator” (1998), de Yusup Razikov, Uzbequistão, Duração: 83 min

Cena de “The Orator” (1998), de Yusup Razykov. Crédito: https://ccat.uz/

A história do estabelecimento do poder soviético no Uzbequistão, visto através do relacionamento das três esposas de Iskander. A senhora-comissária tornou-se sua quarta e secreta esposa. A história é contada sob a perspectiva do filho de Iskander.

“Kosh ba Kosh”(1993), de Bahtiyar Khudainazarov, Tajiquistão, duração: 90 min

Cena de “Kosh ba kosh” (1993), de Bahtiyar Khudainazarov. Crédito: https://ccat.uz/

Kosh ba kosh, no jogo de dados antigo, significa “vamos repetir”. Ibrahim perdeu toda sua propriedade no jogo de cartas. Os bandidos que vieram receber a dívida decidiram que a filha de Ibrahim enquadra-se na categoria de propriedade.

Cena de “Kardiogramma” (1995), de Darejan Omirbaev. Crédito: https://ccat.uz/

Jasulan, filho de um pastor, tem um problema de coração. Sua mãe o leva a um sanatório localizado nas montanhas perto da capital do Cazaquistão e o deixa lá por um mês. Esse drama de um garoto da província é agravado pelo fato de ele não falar russo.

“Selkinchek” (1993), de Aktan Arim Kubat, Quirquistão, duração: 48 min

Cena de “Selkinchek” (1993), de Aktan Arim Kubat. Crédito: https://ccat.uz/

Um garoto de onze anos, Mirlan, está apaixonado por uma garota, Ainur, que tem quinze ou dezesseis anos. Eles passam muito tempo juntos, balançando em um balanço. A vida flui pacificamente, mas um dia um marinheiro chega à sua aldeia e começa a passar um tempo com Ainur. O coração de Mirlan parte em dois, com saudades, até que finalmente ele começa a desenhar sua tristeza na parede externa de sua casa.

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