Mauro Brucoli lança CD de Violoncelo Solo

O músico Mauro Brucoli. Crédito: Marcelo Donatelli.

Acaba de ser lançado o CD Mauro Brucoli Violoncelo Solo (clique para acessar), disponível nas plataformas digitais. O músico ouvia desde cedo LPs de violoncelistas que tocavam as obras de Britten e Kodály. Agora, com carreira consagrada, achou que seria o momento de ter um CD somente com seu instrumento. No CD estão a Suíte para Violoncelo Solo nº 1 opus 72 do britânico Benjamin Britten, com 9 movimentos (1913-1976) e a Sonata par Violoncelo Solo Opus 8 do húngaro Zontán Kodály (1882-1967) com 3 movimentos.

Mauro Brucoli (clique para visitar o site do músico) exerce intensa carreira como intérprete e professor no Brasil. Atualmente é violoncelista do Aulustrio que lançou o DVD Glauco Velásquez – 4 Trios, patrocinado pela Petrobras. É o primeiro violoncelo solista da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo. Iniciou seus estudos de violoncelo com sua mãe, a violoncelista Maria Cecília Lombardi Brucoli e mais tarde com o professor Sigmund Kubala com quem concluiu a sua graduação. Estudou também com o renomado violoncelista brasileiro Antonio Lauro Del Claro.

Recebeu bolsa de estudos para o seu aperfeiçoamento no exterior oferecida pela Fundação Vitae. Estudou na Academia Nacional de Sófia, na Bulgária, concluindo o curso de Especialização em Violoncelo com o professor Anatoli Krâstev e o Curso de Música de Câmara na classe do compositor e pianista Victor Schuchukov. Foi primeiro violoncelo da Amazonas Filarmônica, Orquestra Experimental de Repertório de Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura da Cidade de São Paulo (OER de SP) e Orquestra de Câmera São Paulo. A convite participou como primeiro violoncelo de importantes orquestras no Brasil, entre elas: Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), Sinfônica de Curitiba, Orquestra de Câmera de Curitiba, Orquestra de Câmera de Londrina, Companhia Brasileira de Opera e Sinfônica de Santo André.

Mais sobre o álbum de CD Mauro Brucoli 

Todas as peças compostas para Violoncelo Solo a partir do século XX são inspiradas, de alguma forma, nas fantásticas Suítes para Violoncelo Solo, do consagrado Johann Sebastian Bach. Britten não só se inspirou nas suítes de Bach para escrever as suas próprias, como também se deixou influenciar pelas interpretações do amigo e violoncelista russo Mstislav Rostropovitch, para quem escreveu as Três Suítes para Violoncelo Solo. A primeira delas, Suite No. 1, Op. 72, interpretada neste álbum, lembra na forma das obras do compositor barroco, que continham um prelúdio e os demais movimentos inspirados em ritmos e danças da época.

Clique na foto para ter acesso ao álbum. Crédito: https://immub.org/

Britten expõe um “canto primo” sonoro no início e explora quase todas as possibilidades do instrumento nos demais movimentos, entre os quais nāo há intervalos. O compositor britânico transmite assim quase tudo que se poderia escrever para violoncelo em questões técnicas em sua época: “pizzicato” de mão esquerda, notas duplas e dissonantes, harmônicos, uso de ‘sordina’, sons combinados que lembram as gaitas de fole da sua região natal na Inglaterra, uma ‘fuga’ para homenagear o grande Bach e um “moto perpetuo” que se funde como uma briga incômoda ao ‘canto final’. Britten termina essa obra grandiosa em um magistral intervalo de segunda menor, porque vibra mais forte no instrumento a nota principal, o sol natural em corda solta, dando ao ouvinte a sensação fantástica do fim apenas quando, terminada a performance, as notas reverberam na sala de concerto”, explicou Brucoli.

Para ter acesso ao álbum, clique na foto. Crédito: Marcelo Donatelli.

Nas três últimas faixas deste álbum, a Sonata Op. 8, de Kodály, além da inspiração em Bach, guarda, de maneira geral, influxos da música clássica ocidental, à qual se misturam temas folclóricos da cultura húngara. “Kodály usa todo o seu conhecimento para criar esta magnifica composição, que se tornou obrigatória no repertório dos mais famosos violoncelistas da sua época e da atualidade. A sonata tem três movimentos e, para executá-la, o intérprete deve afinar as duas cordas mais graves do instrumento meio tom abaixo“, salientou o violoncelista.

A nota si grave em “scordatura” domina, ressoando na música toda. “Pizzicati”, acordes sonoros, escalas rápidas e efeitos em “sul pontcello” fazem parte do cardápio desta que é considerada pela maioria dos violoncelistas a obra mais difícil de ser interpretada já escrita para o violoncelo até hoje. “No conjunto, pretendi oferecer aos ouvintes, a partir de duas primorosas composições para violoncelo do século XX, a elevada experiência de transitar pela intemporalidade da obra de Johann Sebastian Bach“, enfatizou Brucoli.

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