Sinofobia e Infodemia: palavras-chave dentro do ecossistema de desinformação digital no Brasil

Crédito: Lucy Yang/https://www.dailycal.org/

Repercutiram, recentemente, duas decisões bastante simbólicas. A primeira foi a suspensão das redes sociais de Donald Trump porque este, ao questionar o resultado de eleições legítimas nos EUA, teria incentivado a invasão ao Capitólio (Ventura, 2021). E, a segunda, a condenação, no Brasil, do deputado Eduardo Bolsonaro a indenizar, por danos morais, a colunista Patrícia Campos Mello após ataques e ofensas de cunho pessoal, em razão da investigação jornalística que resultou no livro “A Máquina do Ódio: notas de uma repórter sobre fake news e violência digital” (Folha, 2020).

Vale lembrar que, em ambos os casos, pouco seria feito se não fosse pelo contexto (Souza, 2020). Não é a primeira vez que eles propagam boatos e mentiras na internet; são figuras públicas que deveriam ter maior cautela e responsabilidade por declarações em redes sociais que, indistintamente, são usadas como veículo de comunicação do governo. Logo, não se tratam apenas de retweets, de postagens que emitem opinião de caráter pessoal ou de disputas narrativas sem maiores consequências. Seus atos custam vidas (OMS, 2020) e resultam em prejuízos e perdas reais, como a difamação e a incitação de violência que fogem à regra da liberdade de expressão e pensamento. E, por isso, a aplicação de medidas extraordinárias.

No entanto, se tais medidas foram algo positivo ao dar uma resposta, ainda que tardia, à escalada da desinformação, por outro lado, abriram um precedente perigoso (Silva, 2020) para a instauração da censura e remoção arbitrária dos conteúdos on-line. Até porque ainda não há consenso de como e quem daria a palavra final nesses casos: se provocando a Justiça ou pela moderação das próprias empresas de tecnologia (Big Techs).

Cresce, portanto, o debate acerca da regulação das grandes plataformas digitais, como Youtube, Facebook, Twitter e WhatsApp que – até então – não estariam fazendo o suficiente para combater os discursos de ódio e violência na internet. Sobretudo porque a rede funciona como via de mão dupla, servindo como meio de comunicação, busca e troca de informações, mas também para desinformar. Uma situação para a qual as mídias sociais não estariam preparadas, já que seus termos de uso e políticas de privacidade não seriam o melhor meio para interpretar os fatos e inibir comportamentos (Cleeg, 2021).

E, atentos a tal paradoxo, há interessados em se locupletar (Heim, 2021) desse ambiente que ainda carece de uma regulação adequada, usando a desinformação como tática política e ideológica para sustentar-se no poder, desqualificar as vozes dissidentes e sufocar qualquer tentativa de crítica e oposição (Ferreira, 2019; Betaredação, 2020). Um alerta em particular para o Brasil, em um contexto no qual o presidente da República deu 2278 declarações falsas ou distorcidas em 745 dias de governo (Aos Fatos, 2020). Ou seja, foram ao menos três declarações falsas ou distorcidas por dia em dois anos de gestão (Ribeiro, 2020). Dessas, a maioria foi direcionada ao Supremo Tribunal Federal, órgão que é capaz de processá-lo e julgá-lo pelos crimes de responsabilidade. Sobretudo por declarar-se impedido de tomar decisões pelo STF (o que não é verdade), eximindo-se de eventual falha no combate à pandemia (UOL, 2021).

 Sobre a Desordem Informacional

Crédito: Wardle e Derakhshan, 2017.

Por que é tão difícil determinar o que é ou não desinformação na web? Pois nem toda desinformação deriva de um ato premeditado/deliberado. Boa parte do que é falso e considerado como “desordem informacional” (Wardle e Derakhshan, 2017) decorre de erros de interpretação e da confusão natural da internet (a chamada misinformation). Porém existem indivíduos e/ou grupos de indivíduos que agem com malícia, explorando essa ambivalência e opacidade da rede a seu favor.

O artigo refere-se, então, à desinformação orientada a fazer mal e/ou causar algum tipo de dano/prejuízo, valendo-se de artifícios como a criação de perfis falsos, a compra de likes, o financiamento de disparos em massa e postagens robotizadas. Em particular, os “linchamentos virtuais” que, através de ataques coordenados, não só silenciam as vozes dissonantes, como denigrem a imagem e reputação alheia (Da Fonseca, 2017).

Existem, então, campanhas de marketing associadas ao uso de técnicas de automação que simulam o comportamento humano na internet, especialmente nas redes sociais. Ou seja, um tipo de manipulação em massa da opinião pública que constitui uma verdadeira “indústria da desinformação” e que já foi detectada em 81 países (Bradshaw, Bailey e Howard, 2021).

Desinformação não se resume às fake news

Ao contrário do que dá a entender (fake news como uma bobagem, algo inofensivo ou jocoso sem maior importância), não se trata apenas de memes, trolls ou espalhar boatos na internet. Mas também notícias falsas, distorcidas e manipuladas, no intuito deliberado de enganar e extrair vantagem indevida. Há método, portanto, organizado e sistemático. E seu estudo tem que ser levado mais a sério, dado o potencial de causar dano, perigo ou mesmo risco à saúde, vida e segurança dos cidadãos (HRW, 2021).

Não por acaso, a desinformação tem sido usada como uma tática sutil e sofisticada (Ferreira, 2019) para alavancar grupos radicais ao poder. A hipótese é de que lobbies e grupos de interesses usam a desordem da informação (Wardle e Derakhshan, 2017) em benefício próprio, no intuito de mascarar o potencial lesivo/danoso de suas intenções. Logo, são usados mecanismos de engenharia social, seja para confundir e distrair a população, seja para forjar a ilusão de conflito e polarização permanentes, a fim de gerar comoção, mobilizar as massas e influenciar os processos decisórios mais relevantes.

Chega-se, assim, a um paradigma de pós-verdade, isto é, um conjunto de verdades alternativas, não factuais e/ou descontextualizadas que, inserido em um maniqueísmo político, ideológico e cultural, procura atribuir credibilidade e legitimidade à desinformação (Alves e Maciel, 2020). A pesquisa é relevante pois esses processos, embora não sejam uma novidade, hoje são acelerados e intensificados pela integração em rede das chamadas novas tecnologias de informação e comunicação digital (TICs), como internet das coisas (IoT), computação em nuvem, inteligência artificial (IA) e Big Data.

As TICs, por sua vez, não são ferramentas neutras, já que alimentadas por algoritmos que representam ideias, valores e visões particulares de mundo que acabam modulando os comportamentos sociais (Bruno, Bentes e Faltay, 2019). Envolvem, então, questões sociopolíticas, bem mais complexas, que não são apenas técnicas, mas também morais e éticas em torno das liberdades de expressão e pensamento; dos direitos à privacidade e proteção de dados; e, não menos importante, de assuntos estratégicos e de interesse nacional, como soberania digital e segurança cibernética. Por conseguinte, a desinformação passa a ser uma problemática dual, de natureza tanto civil quanto militar que, inevitavelmente, resvala nos aspectos regulatórios das novas tecnologias digitais (Majerowicz, 2020).

Desinformação como diversionismo político e ideológico

A desinformação, em sua forma deliberada, funciona não exatamente para mudar a opinião pública. Seu objetivo é reforçar o que a pessoa já acredita, fazendo com que visões divergentes não furem aquela bolha de pensamento (Pariser, 2012). Para tanto, inundam a web com uma quantidade excessiva de conteúdos fabricados e potencialmente bombásticos (Sunstein, 2020) que acabam distraindo ou desviando a atenção das massas, no intuito de confundir e tumultuar. Trata-se, na verdade, da construção de artificialidades para que pareçam espontâneas, servindo como “cortina de fumaça”(O Globo, 2020) e não sejam abordados os assuntos mais incômodos e prementes para a população, como o atual enfrentamento da pandemia pelo governo federal, ao negar sua existência ou minimizar a gravidade do problema (HRW, 2021).

Seja insuflando pré-conceitos, seja corroborando crenças e visões particulares de mundo, a desinformação aposta na comoção on-line e em sentimentos preexistentes de determinados indivíduos ou clusters contrários ao pensamento padrão, através do chamado “viés de confirmação” para reforçar essa posição anti-establishment. E, ao mesmo tempo, incitar o caos ou estimular um ambiente de polarização extrema a ponto de reduzir os espaços de convivência e, assim, inviabilizar as interações sociais.

Essas ações coordenadas intentam, então, desestabilizar o “inimigo” e reduzir sua capacidade de reação antes que perceba o que realmente está acontecendo. Por isso, o foco nos meios de comunicação e logística, antes que ganhe ares de uma guerra convencional. Aliás, essa estratégia do caos é muito difundida no meio militar, sobretudo quando se está em desvantagem numérica ou é preciso ganhar tempo para se reagrupar (Alessi, 2018).

O que se pretende com o caos é incutir um estado permanente de tensão que opere a seu favor, deslocando o conflito para o campo psicológico. E, diante desse desarranjo (Dos Santos Jr., 2020) ou dissonância cognitiva (O Globo, 2020), conseguir direcionar e manipular o debate público. Trata-se, portanto, de recorrer à velha tática de “dividir para governar”, só que agora em versão digitalizada, em maior escala e em tempo real (Korybko, 2018).

Não por acaso, a hipótese mais comum desse tipo de tática é apropriar-se de uma narrativa externa e internalizá-la. Pois é algo que já existe e potencializa-se no âmbito doméstico, aderindo-se a outros contextos históricos, falhas e deficiências estruturais. O questionamento que se faz, no entanto, é como manter um caos que seja minimamente “controlado” sem provocar violência de fato e implodir a própria arquitetura de poder (Barros, 2020). Ainda mais depois de cair na web.

Agora imagine isso acontecendo na internet, deixando de ser um assunto insulado nos meios militar e diplomático tradicionais para tornar-se “conversa de bar”, viralizando-a entre os assuntos mais discutidos e comentados no momento (como os trending topics do Twitter, ou seja, uma seleção de palavras ou tópicos mais postados durante um determinado período de tempo), mas com o fim de capturar a atenção e mudar o foco dos problemas domésticos até que a discussão sobre os mesmos seja postergada para um momento mais favorável ou mesmo caia no esquecimento.

O apelo da desinformação frente à verdade factual

Estima-se que as notícias falsas e manipuladas têm mais chances de atingir mais pessoas e de forma mais rápida do que as notícias verdadeiras, dado o apelo emotivo (a comoção, o engajamento e o sentimento identitário de pertencimento a uma “tribo”) que aquelas provocam em determinados segmentos (Vosoughi et al., 2018). Por isso, fala-se em micro-targeting, isto é, a desinformação é personalizada ou customizada para atingir grupos predispostos a tomá-la como “verdade” (Evangelista e Bruno, 2019). Em parte, porque não se tratam só de boatos e mentiras espalhadas por terceiros, e sim de (meias) verdades provindas não de estranhos, mas alguém do círculo próximo (e, por isso, quebrariam a resistência inicial antes de serem compartilhadas sem qualquer checagem quanto à sua procedência e veracidade).

O apelo lúdico e audiovisual de imagens, vídeos e mensagens curtas que hoje circulam na internet também reduz eventuais resistências ao compartilhamento, sobretudo no WhatsApp, principal meio de consumo de informação no Brasil e canal que amplifica a desordem informacional nas plataformas digitais (Evangelista e Bruno, 2019). Aqui o problema da desinformação é ainda maior, pois alguns setores ainda não consideram o WhatsApp como uma rede social (comunidade) com suas regras, políticas de privacidade e termos de uso de praxe, mas tão somente um serviço de mensageria (intermediação), sem maiores obrigações e responsabilidades.

Logo, em termos de desinformação, também se considera a verdade factual que é descontextualizada. Aqui o problema está na metainformação (metadado): dados e informações extraídas de outros dados e contextos (Röhe, 2020, p 58-62). Então, é preciso aferir qual mensagem se quer passar. A análise não será apenas linguística (da linguagem que é falada e escrita) como também de elementos cognitivos que nem sempre estão explícitos ou são facilmente percebidos nos discursos. Trata-se de analisar os conteúdos relacionais que são inferidos e igualmente produzem sentido (agora no campo da semiótica), a depender da variação de grau, tom, ritmo, volume e intensidade com que são empregados.

A desinformação, nesses casos, parte de uma percepção equivocada ou mesmo manipulada da realidade, a partir tanto da inteligência humana (resultante da força emotiva e psíquica do discurso), quanto de uma inteligência robotizada que fabrica essas artificialidades. Principalmente com a automatização da desinformação (por memes, trolls e bots). E que pode ser mensurada pela quantidade de vezes que determinados tópicos e palavras-chave são proferidos. E, depois, como se relacionam contextualmente.

Da sinofobia à infodemia

Contextos emergenciais, como o da atual pandemia, são especialmente propícios à desinformação, dado o ambiente de medo e incerteza quanto ao futuro e de busca por soluções mágicas e apressadas para superar a crise. Notadamente pelo imediatismo da rede e pela relativa facilidade de acesso às notícias por meio apenas de um clique. Por isso o alerta da Organização Mundial da Saúde – OMS (2020) para uma “infodemia” (Smith, McAweeney e Ronzaud, 2020); pela dificuldade de discernir o que é ou não confiável nas mídias sociais, em virtude da profusão de informações relacionadas diretamente ou não à COVID-19. Mas, que nem sempre críveis e confiáveis do ponto de vista da qualidade dessa informação (Sunstein, 2020).

Essas notícias propagam-se como se fosse um vírus, de que não se sabe a fonte ou a procedência. Sobretudo uma retórica que responsabiliza a China pela disseminação global do novo coronavírus, valendo-se da falsa premissa de que, como foram os chineses os primeiros a detectá-lo, a origem do vírus só poderia ser chinesa (Fiocruz, 2020).

Uma sinofobia (Machado, 2020) ou aversão aos chineses que foi historicamente construída (Todorova, 2009) e já está arraigada no imaginário popular. No caso, a perpetuação do chamado “perigo amarelo” ou “orientalismo” (Urbano, Araújo e Pinto de Melo, 2020), ou seja, uma variante do racismo e da xenofobia que acredita que os países do Oriente são atrasados e não civilizados a ponto de trazer doenças, ameaças e perigos reais para o restante do mundo.

E que instiga não só raiva e ressentimento a tudo o que é considerado “exótico”, “distante” ou “estrangeiro”, como também gera descrença e desconfiança quanto à produção de um conhecimento técnico-científico que refuta essa narrativa de preconceito e estigmatização. Conhecimento que, ao contrário da difusão rápida e quase instantânea de mentiras e boatos na internet (Vosoughi et al., 2018), nem sempre é barato e de fácil acesso. Não só por ser restrito aos meios técnico/profissional/acadêmico, mas também porque demanda tempo – talvez gerações – para gerar consensos e surtir os efeitos esperados em termos de amadurecimento e conscientização coletiva.

O fenômeno da desinformação é, portanto, complexo, do ponto de vista tanto informacional quanto das relações e estruturas de poder (Collingridge, 1980). E, por ser acumulativo, havendo uma série de sobreposições em camadas que vão sedimentando-se com o tempo, costuma ser percebido só na sua superfície. Mas nem por isso comporta reducionismos nem generalizações.

Sinofobia e infodemia são, então, palavras-chave que ajudam a sair desse conhecimento raso e superficial para entender a desinformação de um ponto de vista global, mais aprofundado e ecossistêmico. Ainda mais em países como o Brasil, que se apropriam de um discurso anti China, que é hoje bastante difundido pelos EUA e seus aliados como forma de justificar seu alinhamento a uma agenda ultraconservadora e anti globalista em fóruns e organizações internacionais. E, domesticamente, junto a políticas sociais e de saúde (Chade, 2021).

O ecossistema global da desinformação, do ponto de vista do Brasil

Em um contexto global e de crise generalizada pela COVID-19, a narrativa da desinformação ganha contornos próprios no âmbito regional/local, passando primeiro por uma fase de negação, sobretudo de evidências e conhecimento técnico-científico e, depois, de soluções mágicas e curas milagrosas que procuram minimizar a gravidade do problema (Roque, 2020). Afinal, diante de uma eventual falha no seu enfrentamento, busca-se não só um “culpado” pelos fracassos na gestão da pandemia, como também desqualificar as vozes divergentes que poderiam refutá-la.

Eleger a China como inimigo externo responsável pela disseminação global do coronavírus tem sido, então, a via mais fácil. Ao menos no curto prazo. Entretanto, um sentimento anti-China, mormente do ponto de vista do Brasil, é prejudicial ao ambiente de negócios e ao interesse nacional, pois interfere na relação com seu maior parceiro comercial e investidor em setores estratégicos para a sociedade e a economia, como infraestrutura, energia e telecomunicações. Afinal, o contraponto à China, isto é, um alinhamento quase que automático aos EUA, seu rival geopolítico, tem gerado uma postura pró estadunidense e, por conseguinte, sinofóbica no Brasil (Simon, 2020).

A profusão de informações falsas, desencontradas e imprecisas quanto à COVID-19 é problemática a ponto de a OMS (2020) a todo mundo alertar para uma “infodemia”, já que o cidadão comum não consegue mais distinguir sozinho o que é confiável na rede. Ainda mais quando a desinformação vem respaldada por “especialistas”, falsos argumentos e estudos pseudocientíficos. O que reforça não só medo e insegurança, mas também suscita descrença e desconfiança generalizada em relação às autoridades e instituições.

O ambiente cibernético funciona, então, como catalisador desse componente subjetivo-comportamental, fazendo a transposição do mundo real para o virtual (e vice-versa). Afinal, se antes a comunicação da mídia tradicional era unidirecional, agora é multidirecional, já que as redes sociais possibilitam a interação entre emissor e receptor, em uma dinâmica que se retroalimenta.

Por isso é tão importante entender a configuração desse ecossistema, decifrando o que é e como funciona; por que e como se consome desinformação; e a quem servem esses processos físicos e psicológicos de transformação da informação.

Decifrando o ecossistema, por meio da desconstrução histórica-conceitual

Desde a Declaração de Independência do Ciberespaço por John Perry Barlow (1996), persiste a ideia libertária de que a internet é um território autorregulado e livre da intervenção paternalista Estatal. Isso ocorre porque o ciberespaço foi idealizado como um ambiente plural, naturalmente ético e racional. Mas não se contava com a inversão dessa lógica por grupos interessados tanto em maximizar seus lucros, quanto concentrar ainda mais poder, controle e influência, sobretudo em razão da popularização da web e digitalização dos meios de comunicação em massa.

Yuval Noah Harari (2018) – filósofo e historiador da Universidade Hebraica de Jerusalém – ao escrever “Por que a Tecnologia Favorece a Tirania” – é um dos que desconstrói essa narrativa de que a internet libertaria as pessoas de todos os sistemas opressores e centralizados. O autor defende que a tecnologia é capaz de corroer os ideais democráticos de igualdade e liberdade, ao reforçar a concentração de poder nas mãos de pequenas elites que dominam o manejo tecnológico.

Hoje esses processos são acelerados e intensificados pela integração em rede das novas tecnologias de informação e comunicação digital (TICs), como computação em nuvem, aprendizado de máquina, inteligência artificial e Big Data. O que faz com que Harari entenda o atual embate entre democracia e ditadura como um conflito entre dois sistemas diferentes de processamento de dados: um que percebe a sociedade da informação como algo positivo, ao servir de mecanismo de autodeterminação e empoderamento do cidadão, e o outro como uma ameaça existencial às elites no poder.

Logo, os novos líderes do século XXI mostrariam uma propensão à demagogia e autocracia; o que, a longo prazo, sobretudo se não houver algum tipo de regulação do mercado e/ou controle social, poderá levar à instauração de uma ditadura digital, ainda que pelo voto popular, o que legitimaria a sobrevivência de regimes autoritários.

Por outro lado, a questão da regulação tecnológica leva ao dilema apontado por David Collingridge (1980) em como compatibilizar a proteção de liberdades, garantias e direitos fundamentais sem comprometer o modelo de negócios, o desenvolvimento de novas tecnologias e a capacidade de inovação. Um desafio, portanto, do ponto de vista tanto informacional quanto das relações de controle e poder (Röhe, 2020, p 58-62).

Hodiernamente, com o advento da pandemia do novo coronavírus, percebe-se tal dilema, porém em escala planetária. Sobretudo pelo embate sociocultural-civilizatório entre duas narrativas e visões de mundo contrastantes: uma hegemônica, de manutenção do status quo, liderada pelos EUA e seus aliados, e a outra de (re) ascensão global da China. A primeira é belicista e conflituosa em sua essência, pois emerge de períodos pós-guerra; por essa razão, baseada no jogo de soma zero (De Carvalho, 2020). E a segunda sustenta-se na retórica win-win de convivência, cooperação pacífica e futuro compartilhado (Wuerjiang et al., 2019).

Porém, a despeito do clima generalizado de desconfiança, acusações mútuas e disputas geopolíticas, que é agravado pela crise pandêmica, o mundo ainda permanece interdependente economicamente e hiper conectado do ponto de vista tecnológico/comunicacional/informacional. Logo, manter uma percepção de mundo beligerante – ainda binária e maniqueísta, análoga à Guerra Fria (Simon; De Carvalho, 2020) – não faz mais sentido, pois a pretensa clivagem entre Ocidente e Oriente, entre o bem e o mal é anacrônica. Agora dá lugar a uma relação simbiótica, sem vencidos e vencedores; isto é, baseada em sinergias e maior cooperação internacional, ainda que mantida por conveniência e desproporcionalmente benéfica para os envolvidos.

Em um contexto em que os EUA tentam sistematicamente responsabilizar a China pela disseminação global do vírus, foi emblemática a publicação do Relatório World in Disorder (GPMB, 2020), às vésperas de o mundo atingir um milhão de mortos pela COVID-19. Mormente ao se referir a uma “falha coletiva” que não foi levada muito a sério, tanto em termos de prevenção e preparação, quanto de resposta à pandemia.

Logo, não é de agora que a comunidade chinesa é discriminada. A sinofobia  – ou um desconhecimento acerca da China que se transmuta em xenofobia (Machado; Smith et al., 2020) – vem sendo revisitada desde o que Edward Said chama de um “projeto de invenção do Oriente pelo Ocidente” (Nascimento, 2020). A crítica do autor e professor da Universidade de Columbia reside nessa história que é contada sob a ótica europeia e estadunidense. E que, desde os tempos pós-coloniais, a instrumentaliza como forma de dominação. Principalmente por ser feita por uma série de comparações segundo critérios próprios de classificação que acabam reforçando essa ambivalência: inevitável aqui lembrar como hoje opera o aprendizado de máquina (OMS, 2020).

Em “Imaginando os Balcãs”, Maria Todorova (2009) já alertava para o perigo da “balcanização”: são atalhos mentais (generalizações ou reducionismos) que levam à difusão de uma retórica racista de preconceito e estigmatização que, por sua vez, dialogam com a própria fragmentação/descentralização da internet (Morozov, 2015). No livro, a autora trata não só da dialética entre fantasia (invenção) e realidade, mas também de uma tradição que foi construída, mitificada e ainda está sendo transmitida como discurso e projeto de poder. Assim, boa parte da academia estadunidense tem usado o termo descontextualizado, partindo de um etnocentrismo e/ou da falsa premissa que a cultura oriental é tribal, primitiva, não civilizada.

E como ficam os cidadãos, o elo mais vulnerável nessa triangulação?

A sinofobia é prejudicial particularmente ao Brasil, já que a retórica de uma nova Guerra Fria ofusca uma realidade de coexistência pacífica com a China (CEBC, 2020). Assim, enquanto não houver consenso ou um processo de desacoplamento (decoupling) das relações EUA-China – o que a curto prazo é pouco provável e producente – é muito arriscado ao mundo à margem e periférico tomar partido de um em detrimento do outro, pois o poder de manobra e barganha é reduzido. Por conseguinte, alinhamentos automáticos perdem sentido e há custos – sobretudo socioeconômicos – para uma visão de mundo distante dessa realidade.

Na falta de uma estratégia a longo prazo de inserção internacional, o Brasil tem apropriado-se de narrativas que o vulnerabilizam e atentam contra a imagem e o interesse nacional. Sobretudo, porque aspiram a uma política não de Estado, mas de governos que se sucedem uns aos outros, com interesses meramente partidários e eleitoreiros, sem o comprometimento com o bem público, o desenvolvimento do país e a construção de um pacto social. Há um déficit, principalmente, de preparo e trabalho de base para replicar esses modelos, seja chinês, seja estadunidense. E é em tempos de crise, período que exige maior pragmatismo e cooperação internacional, que a falta de uma visão holística fica ainda mais evidente: os esforços para conseguir-se uma vacina vão nesse sentido (Chade, Wiziack, 2021).

Assim, ao invés de olhar para frente e atualizar políticas públicas e planos estratégicos para o paradigma do século XXI, o Brasil atual tem brigado com seu passado e sua identidade nacional. E, ao invés de consenso e convergência, existe dissenso e conflito que, na prática, representam atraso e até mesmo retrocesso. Há, então, uma leitura equivocada do Brasil? Não exatamente. Essa visão de mundo conflituosa e belicista está a serviço de legitimar a política doméstica (de a todo momento causar comoção e mobilizar suas bases de apoio). A missão de governar torna-se, portanto, algo secundário. E, com o tempo, até mesmo insustentável.

No Brasil, a narrativa de guerra é ainda mais problemática. Na falta de uma pauta própria, são usados mecanismos de engenharia social para buscar um inimigo externo, internalizá-lo (de modo top-down) e, aqui, criar essa ilusão de polarização permanente e manter a mobilização de forma a demonizar, desmoralizar e desacreditar a imagem e reputação do “outro”. E, assim, minar qualquer reação adversária. Mormente para que as vozes críticas e dissidentes não tenham mais espaço e credibilidade. Isso inclui não apenas filósofos, sociólogos, historiadores que pensam o mundo como ele é de fato, mas a própria legitimidade das políticas públicas decorrentes de institutos de pesquisa e relatórios técnicos-científicos (os mais habilitados para uma contra narrativa).

Logo, há um ônus em contrapartida. Uma mentalidade que é beligerante tende a ser totalizante, já que – sem autocrítica – insistirá na ideia de eximir-se de culpa e responsabilizar o outro por seus fracassos. Esse enfrentamento pode ser tanto abusivo, tornando todo cidadão em um suspeito em potencial (sobretudo se suprimido o contraditório, a presunção de inocência e o devido processo penal), quanto criminalizante, pela vigência de um estado policial de vigilância e monitoramento constantes, através de monitoramento dos espaços públicos (mormente da internet e redes sociais), profiling e identificação de um “culpado”. Para, ao final, servir de instrumento de perseguição e “eliminação” de um “inimigo” em comum.

E dentro dessa inversão da lógica e racionalidade, uma mentalidade totalizante tende ao extremismo, tornando-se paranoica, suscetível à absurdos, mitos e teorias conspiratórias. Sobretudo, quando são incitados medos, pré-conceitos e discriminação por raça, credo, raça, etnia e classe social, o que faz com que a reação desses grupos extremistas seja ainda mais brutal quando há medição de forças com a população. E por isso a propensão à hostilidade e violência contra minorias, mulheres, jovens, negros, pobres, trabalhadores informais, moradores de favelas e periferias. Justamente por serem considerados o elo mais vulnerável nessa triangulação (Kassner, 2020).

Afinal, hoje o ambiente cibernético funciona como eco ou câmara de ressonância de ódios, medo, falácias e ressentimentos, potencializando-os em escala, velocidade e alcance. E há lobbies e grupos de interesse que ganham com a digitalização e consequente massificação dessa sensação de crise (caos e insegurança), o que contribui para a atualização e continuidade de uma espiral sem fim (Harari, 2018).

Sistemas totalizantes baseiam-se em uma teoria própria para explicar e/ou justificar tudo o que diz respeito à vida em sociedade, o que resulta em uma “verdade”, cuja visão de mundo e mentalidade são limitadas e/ou enviesadas, seja porque suprimem a autocrítica ou reduzem a complexidade dos fatos, seja porque diminuem os espaços de debate e convivência. Não por acaso, religiões e sistemas políticos comumente assumem formatos totalizantes, na medida em que procuram doutrinar e, assim, enquadrar os seguidores aos seus dogmas, crenças e objetivos. Hoje, há vários estudos nesse sentido e que atestam o grau de degradação das liberdades no Brasil. Um aumento significativo que se deu particularmente com a chegada do atual governo (Freedom House, 2020).

João Cezar de Castro Rocha (2020), professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), refere-se a esse fenômeno como uma “guerra cultural” incitada pelo governo Bolsonaro, por intermédio do ódio, revanchismo e revisionismo histórico, ao acusar a esquerda “comunista” de tentar subverter o seu poder. A evidência dessa mentalidade está expressa nos arquivos da base de dados das principais escolas de formação militar (Valente, 2020) e na legislação castrense, podendo ser mensurada pela quantidade de vezes em que as palavras “morte” e “verdade” aparecem: a primeira, p. ex., é mencionada 32 vezes no Decreto-Lei 898 de 29 de setembro de 1969 e, em 21 de seus 107 artigos, ao prescrever penas de morte e perpétua aos que seriam “inimigos” do governo (Valente, 2020)

Percebe-se, então, que, no Brasil, a mercantilização e a militarização da teoria do caos (Cidades Sitiadas, Graham, 2011; Guerras Híbridas, Korybko, 2018) são elos que se integram perfeitamente à campanha de desinformação global que aqui é internalizada. Ou seja, tanto governo, quanto empresas lucram de alguma forma com a desinformação (sobretudo quando a internet não tem fronteiras e é o principal meio de informação do brasileiro). E, em contrapartida, ganham com a própria relativização de liberdades civis, garantias processuais e direitos fundamentais, até que seja introjetada na sociedade como um mal necessário para a manutenção da estabilidade econômica e política. Pois, sem a normalização desses estados de exceção não iriam adiante seus projetos de poder, tanto no plano externo quanto doméstico.

Logo, não é à toa que agências de checagem que monitoram a desinformação digital no Brasil apontem o tópico China como conteúdo dos mais acessados e compartilhados durante a crise pandêmica (Libório, Cubas & Barbosa, 2020). E por que isso acontece? O assunto China (e conexos) funcionam como gatilho para sustentar essa cultura/mentalidade revisionista, análoga à Guerra Fria, que mobiliza e mantém ativas as bases de apoio ao governo. Aqui associada ao “vírus chinês” (um mimetismo para a aversão ao comunismo e marxismo cultural), mas em defesa da cloroquina e do movimento antivacina, entre outros recursos narrativos que funcionam como conectores e dão liga a essa retórica de natureza conspiratória e antissistêmica.

Resultado: a tragédia humanitária é ainda maior no Brasil e nos EUA

Um ano após o surto, não é coincidência Brasil e EUA serem os mais afetados por uma tragédia humanitária. Seja pela virulência da pandemia e seja pela virulência da desinformação. O Brasil ainda teve a pior performance no mundo, considerando testagem, casos confirmados e números de mortes (Lowy Institute, 2021). Pois embora os efeitos da pandemia tenham sido globais, independente do sistema político vigente, o modo como se lidou com a pandemia é que fez a diferença.

No caso, a situação se agravou pois havia líderes que minimizaram a ameaça real da pandemia, ridicularizaram o uso de máscaras, opuseram-se ao lockdown e defenderam o uso de medicamentos sem eficácia e comprovação científica. Tudo em nome do negacionismo, extremismo e alinhamento político-ideológico do Brasil com os EUA, mas sem contrapartidas objetivas.

Algo que poderia ser mitigado se houvesse uma gestão mais séria e responsável. E houvesse maior cooperação internacional e confiança no multilateralismo. Logo, ao provocar a China (hoje, seu maior parceiro) o Brasil está comprando uma briga que não é sua. Até porque com a chegada do governo Biden, abaixa-se o tom do discurso contra a China, mas este permanece (O Globo, 2021).

Vale lembrar que, aqui, o discurso sinofóbico não é uníssono (vide a imagem pró China no agronegócio e na paradiplomacia de estados e municípios). Mas, a depender do timing, serve pontualmente para manipular a opinião pública e desviar a atenção dos assuntos mais complexos que dependem de tempo para serem resolvidos. Trata-se de uma escolha temerária – e irresponsável, portanto – que serve de imediato, para “camuflar” a realidade dos fatos, mas que não afasta seus efeitos deletérios no longo prazo (Schipani et al, 2020).

Assim, diante da tragédia que faz do Brasil o segundo país em número total de mortes pela COVID-19 (RFI, 2021), deveríamos ser mais pragmáticos, a fim de salvar vidas. Para, então, refletir acerca da necessidade premente de regulação e controle social dessas novas tecnologias digitais de informação e comunicação em massa, antes que fenômenos como sinofobia e infodemia se naturalizem, e os danos para a economia e a sociedade sejam irreversíveis (Röhe, 2020, p 58-62).

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