Brasil contará com um inédito centro para capturar e armazenar CO2

Crédito: reprodução do site da Xinhua em português.

A petroleira brasileira Petrobras anunciou que assinou um protocolo de intenções com o Governo do Estado do Rio de janeiro para instalação de um centro de captura e armazenamento de dióxido de carbono (o chamado CCUS) em um projeto piloto que será instalado em Macaé, no litoral do estado do Rio de Janeiro, sudeste do Brasil. Em maio, a Petrobras já tinha anunciado que estava analisando desenvolver um projeto piloto de CCUS no norte do Rio de Janeiro com capacidade de armazenar 100.000 toneladas de CO2 por ano.

Os conhecimentos adquiridos neste projeto piloto serão cruciais para a futura implantação do centro definitivo de CCUS em grande escala, previsto também para ser instalado no Rio de Janeiro“, informou a Petrobras. O projeto também inclui a análise de soluções de descarbonização combinadas com CCUS, como o hidrogênio de baixo carbono.

O projeto piloto em estudo utilizará uma corrente separada de CO2 na Unidade de Tratamento de Gases de Cabiúnas (UTG-CAB), situada também no município de Macaé. “Essa corrente será tratada e movimentada por um duto até a Estação de Barra do Furado, situada no município de Quissamã“, explicou a Petrobras. “Em seguida, será injetada e armazenada definitivamente em um reservatório salino“. Segundo o comunicado da empresa, a estimativa inicial é que, quando for implementado, o CCUS do Rio de Janeiro contribuirá para evitar as emissões geradas não só pela operações da Petrobras, como também por outros segmentos, entre eles, o da indústria do cimento e as siderúrgicas do Rio de Janeiro.

Brasil projeta atrair mais de US$ 40 bilhões em investimentos em biocombustíveis até 2037

O Brasil estima atrair mais de 200 bilhões de reais (US$ 40,74 bilhões) até 2037 na produção e comercialização de biocombustíveis, seja para a aviação sustentável (SAF), diesel verde (HVO), etanol de segunda geração, etanol hidratado e biodiesel, afirmou o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira em um painel na COP28, que se realiza em Dubai.

A expectativa é de que apenas com a interligação do RenovaBio e do Rota 2030, teremos 105 bilhões de reais (US$ 21 bilhões). O RenovaBio é reconhecido como um dos principais programas de redução de emissões de gases de efeito estufa da mobilidade no mundo, com um mecanismo de Créditos de Descarbonização (CBIOs), que remunera o produtor de biocombustíveis“, comentou Silveira.

Crédito: reprodução do site da Xinhua em português.

Mais 15 bilhões de reais (US$ 3 bilhões) devem vir da combinação de investimentos em SAF e HVO, e outro 1 bilhão de reais, em combustíveis sintéticos“, acrescentou. “Já temos projetos concretos: Planta de Biorrefino na Bahia; Primeira perfuração de poço para captura de carbono no Mato Grosso; e Usina de Etanol de 2ª Geração em São Paulo. Isso é sinal de segurança jurídica. É sinal de estabilidade regulatória. É estabilidade política, ambiental e social“, afirmou o ministro das Minas e Energia.

Nosso país contribuiu e continuará a contribuir para a solução dos complexos desafios que o mundo vive, em especial o enfrentamento às causas das mudanças climáticas. Vamos pautar pela implementação de políticas nacionais que superam as necessidades de seus cidadãos de forma sustentável, equilibrada, consciente e justa“, concluiu Silveira.

Brasil pode zerar sua emissão de gases de efeito estufa se acabar com desmatamento, indica estudo

O Brasil pode zerar completamente suas emissões de gases efeito estufa em 2050 se conseguir acabar com o desmatamento legal e ilegal e investir na recuperação em grande escala da vegetação nativa, segundo estudo divulgado nesta terça-feira pela Universidade de Oxford. A chamada meta zero define que todos os gases que um país emitir devem ser compensados pelos gases que ele é capaz de absorver, por exemplo, pela ação das florestas. Os gases do efeito estufa, como dióxido de carbono (CO²) e metano (CH4), são os responsáveis pelo aquecimento da Terra.

Crédito: reprodução do site da Xinhua em português.

A pesquisa da Oxford afirma que, para alcançar este objetivo, a melhor maneira é através de soluções baseadas na própria natureza, já que as soluções mais tecnológicas, como a captura de carbono na atmosfera, não só são mais caras, como também não estão totalmente adaptadas à situação brasileira. No debate sobre o clima, o Brasil se considera um líder em potencial devido a sua matriz elétrica, na qual 87% procede de fontes pouco ou nada poluidoras, como a biomassa, energia hidrelétrica, a eólica e a solar.

Apesar dessa vantagem, o país ainda é o sexto lugar entre os maiores emissores de gases efeito estufa do mundo. No caso do Brasil, o vilão não é a queima direta de combustíveis fósseis, mas, sim, o uso que o país faz da terra, com destaque para o desmatamento. Segundo a pesquisa da Oxford, o uso da terra foi responsável por 46% das emissões de gases de efeito estufa em 2020, sendo 90% desse total causado pelo desmatamento. O segundo principal vilão é o setor agropecuário, responsável por 25% das emissões de gases do aquecimento global

Enquanto no mundo você tem 75% das emissões vindas do setor de energia, no Brasil 75% vêm de setores ligados ao uso da terra e à agricultura“, destacou Aline Soterroni, pesquisadora brasileira do Departamento de Biologia da Universidade de Oxford. Neste contexto, o estudo afirma que se o Código Florestal fosse aplicado corretamente, seria capaz de reduzir as emissões líquidas em apenas 38% até 2050. Isso porque, o estudo estima que o desmatamento legal, aquele permitido pelo Código Florestal, pode chegar a 32 milhões de hectares até 2050, uma área do tamanho do estado do Maranhão (nordeste). Do total do desmatamento legal, quase metade (48%) deve ocorrer no Cerrado.

Vai ser muito difícil reduzir as emissões com a agricultura, vai ser muito difícil reduzir as emissões com a energia, então o potencial maior para o Brasil é realmente com o setor do uso da terra“, destacou Aline Soterroni. A solução sugerida pelo estudo, calculada mediante modelos matemáticos, é de um desmatamento zero, legal e ilegal, somado a um reflorestamento de 35 milhões de hectares. Com isso, a meta de net zero seria cumprida em 62%.

O estudo também calculou como ficaria a produção de carne bovina e de soja caso fosse adotada a sugestão de acabar com todo o desmatamento, aplicar corretamente o Código Florestal e reflorestar em larga escala. Afinal, a pesquisa calculou que, de 2019 a 2021, quase 98% das áreas desmatadas no Brasil foram direta ou indiretamente impulsionadas pela agropecuária. Segundo cálculos matemáticos realizados, a produção de carne bovina poderia cair de 8% a 17% e a de soja de 3% a 10% até 2050, caso essas medidas sejam adotadas.

Para Aline Soterroni, “é uma queda pequena frente aos serviços ecossistêmicos e proteção da biodiversidade que esse cenário vai proporcionar, que será importante para adaptação e resiliência às mudanças climáticas. O Brasil pode acomodar sua produção e continuar exportando com desmatamento zero“. A cientista ambiental brasileira acrescentou que é necessário também aumentar a produtividade, principalmente da pecuária que, no Brasil, ocupa extensas áreas para poucas cabeças de gado. Ao mesmo tempo que é um dos vetores do desmatamento, a agropecuária deve ser duramente afetada pelas mudanças climáticas.

A agricultura brasileira depende dos serviços ecossistêmicos da natureza, afinal 90% da agricultura do Brasil não é irrigada, ela depende da água da chuva. Portanto, é fundamental manter o equilíbrio dos ecossistemas para o próprio futuro da agricultura brasileira. Para isso, é estratégico acabar com o desmatamento e não há necessidade de desmatar para continuar produzindo“, afirmou. A pesquisadora ressaltou que o Brasil ainda não incluiu a meta de zerar as emissões líquidas de gases do efeito estufa até 2050 nos planos e legislações nacionais. “Você precisa de um plano com metas intermediárias, com metas de emissões de cada setor e monitorar isso com ambição“.

Fontes: Copyright Xinhua. Proibida a reprodução.
Links diretos: https://portuguese.xinhuanet.com/20231205/c12720cd3c174b43a2bf00bfd97dc582/c.html / https://portuguese.xinhuanet.com/20231205/b19eff15283948c683e934864927ef3c/c.html / https://portuguese.xinhuanet.com/20231206/42915ffb29134e46a2691fcdb67a6bdf/c.html

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