Exposição de fotos inaugurada pela ACRJ destaca o encanto desconhecido da Marquês de Sapucaí, através das lentes de Riccardo Giovanni

A exposição “O Carnaval que Ninguém Vê – O Encanto da Arte Fotográfica na Marquês de Sapucaí”, do fotógrafo Riccardo Giovanni. Crédito: Riccardo Giovanni.

Todo ano ocorre na cidade do Rio de Janeiro uma das maiores demonstrações artísticas populares que ganhou o Brasil e o mundo: o carnaval. Para muitos, trata-se apenas de um momento de folia e entretenimento, porém os desfiles na Marquês de Sapucaí vão além do simples divertimento, é o espaço em que o pensamento sócio-político e a expressão cultural unem-se para produzir um belo espetáculo popular que não tem precedentes em qualquer outra região do globo. Um espetáculo que tem enorme impacto na economia brasileira, mas que ainda é pouco levado em consideração, ao menos com a seriedade e o respeito que merece.

Foi pensando nisso que a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) recebeu o projeto I Love Rio, idealizado e criado pelo fotógrafo italiano Riccardo Giovanni. Trata-se de uma exposição fotográfica denominada “O Carnaval que Ninguém Vê – O Encanto da Arte Fotográfica na Marquês de Sapucaí”. A coleção, que reúne oito fotos, ficará em cartaz até o dia 9 de fevereiro, no hall de entrada do edifício-sede da ACRJ, no Centro do Rio. A visitação é gratuita, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h.

Na abertura da exposição, que ocorreu na terça-feira passada, 16 de janeiro de 2024, o presidente da ACRJ, Josier Vilar, comentou sobre a importância desta parceria com Riccardo Giovanni: “É um privilégio receber esta exposição que ressalta um outro lado desta arte maravilhosa, mas que ninguém vê. Destaco aqui também a parceria com o projeto I Love Rio e o trabalho que é feito por Riccardo Giovanni na distribuição de royalties a todos os envolvidos no seu trabalho, ou seja, às pessoas retratadas nas fotos, às escolas de samba e a tantas outras pessoas que contribuíram para que esta exposição seja um sucesso”.

De forma mais específica, foi pensando em levar as fotos da exposição para um público mais amplo, que a ACRJ e o projeto I Love Rio estabeleceram uma parceria, visando transformar as fotos em peças que serão comercializadas em diversos locais pelo Rio de Janeiro, começando pelas lojas do Trem do Corcovado e do Cristo Redentor, em data a ser divulgada. Os royalties da venda destas peças serão distribuídos igualmente entre os que participaram do projeto, incluindo os integrantes e as escolas que fazem o carnaval todos os anos. Há planos de levar estas peças a lojas em outros países, como representação da cultura popular brasileira acessível a todos. “Este produto que vamos comercializar simboliza a beleza, a riqueza, o talento, a criatividade e a emoção que cada participante traz aos desfiles. Esta é a primeira vez que algo assim é criado, permitindo que todos mantenham os desfiles vivos em seus corações o ano todo, admirando-os como uma belíssima forma de arte”, acrescentou Riccardo Giovanni à assessoria da ACRJ.

Como informado, o projeto ainda integra o Programa de Exposições da ACRJ, através do Conselho Empresarial de Cultura. Entre outros convidados, estiveram presentes na abertura, a presidente do Conselho Empresarial de Comunidades, Novos Negócios e Economia Solidária da ACRJ, Célia Domingues, e o membro do Conselho de Cultura, Luís Guillermo Diez Atienza.  “Através dos desfiles da Marques de Sapucaí, as comunidades do Rio de Janeiro podem ser ouvidas e expressam suas emoções, reflexões, história, criatividade, cultura e luta por melhores condições de vida. Os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro provaram, ao longo dos anos, o forte impacto, importância e potencial que tem a sabedoria popular brasileira, que deve ser vista e entendida de forma respeitosa e mais profunda, pois também é uma ferramenta de Soft Power do Brasil como nenhuma outra. É importante lembrar que o carnaval do Rio influenciou diversas partes do território nacional e do mundo”, explicou Luís Guillermo Diez Atienza em entrevista à Intertelas.

Os artistas do carnaval sempre foram fotografados de uma forma muito aleatória, superficial. Nesta exposição há um olhar artístico mais profundo sobre os que fazem este espetáculo e que nunca são reconhecidos. Assim, Giovanni traz um olhar que mostra o que o carnaval representa para a cultura, a economia e a educação. Esta exposição tem várias vertentes e o artista do carnaval nunca se viu tão bem representado artisticamente. Nós ainda temos que trabalhar muito o conceito do carnaval, já que ele é um produto cobiçado pelo mundo, mas que é ainda muito mal interpretado pela maioria”, enfatizou à Intertelas a também presidente da Associação de Mulheres Empreendedoras do Brasil (Amebrás) e diretora comercial da Mangueira, Célia Domingues.

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As pessoas veem o carnaval como apenas folia, como um entretenimento. Da mesma forma, olham de uma forma muito errada para os nossos artistas, em especial para as nossas passistas. Então, estamos trabalhando muito para poder descaracterizar isso. Durante sete anos, eu coordenei o carnaval do Rio de Janeiro em San Luis, na Argentina, onde conseguimos trabalhar de forma a mostrar que estávamos ali como os artistas, não como produto. O carnaval e seus artistas merecem respeito, pois além de ser cultura, eles promovem uma cadeia de oportunidades de negócios que gera bilhões para a cidade e para o estado do Rio de Janeiro. Se todos tivessem noção real da importância disso, o carnaval seria trabalhado 365 dias do ano e não em apenas cinco”, concluiu Domingues.

De acordo com a assessoria da ACRJ, as oitos fotografias da exposição, com mais de um metro de tamanho, mostram de forma inovadora detalhes dos desfiles da Sapucaí. Um dos principais objetivos do artista, que é membro do Conselho de Cultura da ACRJ, é posicionar os desfiles como uma forma de arte em si, destacando a riqueza, o talento, a paixão e a criatividade que cada participante traz para o evento.

Utilizando uma técnica que mistura preto e branco com o uso simplificado de cores, é possível apreciar tanto os figurinos quanto as emoções dos participantes. Em várias telas, o resultado parece um tridimensional repleto de emoções. Ainda conforme à ACRJ, a obra completa de Riccardo Giovanni, desenvolvida ao longo de oito anos, tem um total de sessenta e seis peças e foi inaugurada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro MAM-Rio. Vários painéis já ficaram em cartaz em diversos locais, como na sede da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro e no icônico Palácio Tiradentes.

Com informações da assessoria de comunicação da ACRJ.

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