
Nesta quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024, na cidade do Rio de Janeiro, na Marina da Glória, a primeira Reunião de Chanceleres inicia uma série de encontros ministeriais do G20 que ocorrerão ao longo deste ano. Esta edição, presidida pelo Brasil, dá-se durante um momento histórico conturbado, onde diversos conflitos eclodem conjuntamente em diferentes regiões do mundo, colocando à prova o atual sistema de governança global. Ao mesmo tempo, as crises climática e econômica continuam a provocar impactos significativos na estrutura do sistema socioeconômico mundial, resultando no aprofundamento da desigualdade social.
Segundo o embaixador e secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores e sherpa do Brasil no G20, Maurício Lyrio, para a presidência brasileira, sob comando do governo de Luís Inácio Lula da Silva, os pontos centrais são: reforma das instituições da governança global; inclusão social e combate à fome e à pobreza; e promoção do desenvolvimento sustentável, considerando-se seus 3 pilares: social, econômico e ambiental. Segundo o embaixador, o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, sediado em Londres, confirmou em um estudo que, em 2023, houve um recorde de 183 conflitos na arena mundial, algo sem precedentes nas últimas décadas.
De acordo ainda com o diplomata, são guerras e conflitos entre Estados e dentro de Estados que, eventualmente, têm participação de atores externos. Tal contexto, levam o cenário internacional a um nível de instabilidade equivalente ao período da Guerra Fria. “Isso mostra que há um déficit de governança para enfrentar os desafios atuais. Não só desafios globais como a questão da mudança do clima, mas o desafio básico de preservação da paz no sistema internacional”, disse o embaixador durante a conferência de imprensa realizada nesta terça-feira, dia 20 de fevereiro de 2024.
Visando impulsionar soluções conjuntas, o grupo das vinte maiores economias do mundo vai realizar uma série de debates, negociações e grupos de trabalho. Conforme o embaixador Lyrio, desde o fim do ano passado, já foram concluídas várias reuniões técnicas em 16 grupos de trabalho. “Essa fase inicial é de reuniões por videoconferência e, agora, em fevereiro, nós começamos as reuniões ministeriais. A Reunião de Chanceleres inaugura um novo momento da presidência brasileira do G20. Contudo, na verdade, a maior concentração de reuniões ministeriais vai ser no início do segundo semestre”, afirmou o embaixador.
Para além das 21 delegações que hoje compõe o G20, 19 países, a União Europeia e a União Africana, o Brasil convidou mais oito países (Angola, Egito, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Nigéria, Noruega, Portugal e Singapura) e 11 organizações internacionais. Além disso, foram convidados também os três países do Mercosul (Bolívia, Paraguai e Uruguai), bem como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a Organização para o Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).
De acordo com o embaixador, o Brasil introduziu na sua presidência uma inovação: uma segunda Reunião dos Chanceleres vai ocorrer em setembro, em paralelo à abertura da Assembleia Geral da ONU. “Pela primeira vez, o evento vai organizar uma reunião dentro da ONU. Pela primeira vez, teremos todos os países membros da ONU convidados para uma reunião do G20. Para o Brasil, a reforma da governança global implica maior representatividade, maior inclusão dos países. Então, o objetivo é que no primeiro debate, presidido pelo ministro Mauro Vieira, possamos ter uma discussão mais amadurecida para setembro, no intuito de contribuir para um grande empurrão em direção à reforma da governança global”, afirmou Lyrio.
Ao ser questionado sobre os diversos desafios para que uma reforma de organizações como a ONU tenha real concretização e efetividade, o embaixador argumentou que há consenso em relação a ter uma ONU forte e capaz de ajudar a enfrentar os desafios globais; porém, há divergências em como deve ocorrer a atualização da ONU. Da mesma forma, o diplomata enfatizou que a reforma é mais do que necessária, pois a estrutura atual já não comporta medidas para enfrentar os desafios atuais, a exemplo das mudanças climáticas. O embaixador também destacou que é papel dos ministros das Relações Exteriores avaliarem o cenário internacional e discutirem assuntos da política mundial. O sherpa ainda avaliou que a proliferação de conflitos no mundo é preocupante, e que este é mais um fato que indica a necessidade do debate sobre a reformulação da governança global.
Confira alguns momentos da coletiva com o embaixador e secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores e sherpa do Brasil no G20, Maurício Lyrio, selecionados pela Intertelas. Crédito das imagens: Mariana Scangarelli Brites (Intertelas) e Comunicação do G20.

Excelente matéria.