
Neste ano de 2024, o Brasil e a China celebram 50 anos do estabelecimento das relações diplomáticas. Em razão desta data e da comemoração do dia nacional da imigração chinesa, foi realizado em Brasília, no Palácio do Itamaraty, sob a organização do Ministério das Relações Exteriores, um seminário. No mesmo dia, o Congresso Nacional realizou uma sessão solene, com a participação de diversas autoridades e representantes da sociedade civil de ambos países, como informado pela assessoria de comunicação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
No seminário intitulado “Brasil e China: 50 anos de amizade e cooperação rumo ao desenvolvimento inclusivo e sustentável”, participaram o vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, a ministra substituta das relações exteriores, Maria Laura da Rocha, o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, a embaixadora Tatiana Rosito, a ministra da ciência, tecnologia e inovação, Luciana Santos; o presidente do BNDES, Aloizio Mercante, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Jorge Viana, a secretária de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiane Prazeres.

Segundo a ministra Santos, os parceiros chineses são, atualmente, os que mais estão dispostos a codesenvolver produtos e serviços de tecnologia avançada e a compartilhar os altos riscos envolvidos nesses empreendimentos. A ministra citou como exemplo a colaboração espacial com a China, que ocorre desde a década de 1980. Especificamente, ela ressaltou a importância estratégica do Programa de Satélites Sino-Brasileiros de Recursos Terrestres (CBERS), considerado como um dos projetos pioneiros na história da cooperação sul-sul, no que se refere à alta tecnologia.
Conforme dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, ao todo já foram desenvolvidos seis satélites conjuntamente, que tiveram aplicações decisivas no monitoramento do território nacional e biomas, o que implica auxílio fundamental no desflorestamento, no ordenamento territorial, na produção agropecuária, no abastecimento hídrico, na educação e na gestão de desastres e eventos climáticos extremos. Como informado, a ministra Santos ainda recordou que, durante a visita oficial à China realizada no ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi assinado o acordo para o desenvolvimento do CBERS-6, um satélite com uma nova tecnologia de monitoramento por radar, que revolucionará a forma de monitorar os biomas nacionais, conseguindo dados capazes de ‘ver’ entre as nuvens.

Esse será um projeto de investimentos de R$ 500 milhões de reais divididos igualmente por ambos os países. No fim deste ano, está prevista a assinatura do acordo de desenvolvimento do CBERS-5. “Por meio do qual entraremos num seletíssimo grupo de menos de dez países que detém tal tecnologia. Ele será um satélite meteorológico, que dará autonomia para nossas previsões do tempo e previsão de curtíssimo prazo para eventos atmosféricos iminentes, incluindo os eventos extremos, como secas, enchentes e deslizamentos que tiram vidas e destroem cidades inteiras”, disse Luciana Santos.
A estimativa é que o projeto custe quase R$ 10 bilhões e que deva ser compartilhado entre os dois países. De acordo com a publicação do ministério, a ministra substituta das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, durante a cerimônia de abertura, salientou que o CBERS representa um esforço pioneiro de união, para derrubar as barreiras que impedem o desenvolvimento e a transferência de tecnologias sensíveis.
Sessão Solene do Congresso
Já durante a sessão solene realizada na Câmara dos Deputados, que contou com a participação do senador Nelsinho Trad (PSD/MS), dos deputados Fausto Pinato (PP/SP) e Daniel Almeida (PCdoB/BA), além da presença do embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, e do embaixador brasileiro no país asiático, Marcos Bezerra Galvão, ocorreu o lançamento de uma medalha e de um selo comemorativos do 50º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e o Brasil. Em sua fala, o embaixador chinês destacou que, atualmente, 300 mil chineses e seus descendentes estão ativamente integrados ao desenvolvimento econômico e social do Brasil, um país que tem uma sociedade diversa e inclusiva.
Conforme ele, em razão dos esforços conjuntos das gerações precedentes, há 50 anos deu-se início a uma nova era na história das relações sino-brasileiras, caracterizada pelo seu teor estratégico e pragmático e que segue desta forma até hoje. O diplomata relembrou que as relações sino-brasileiras resistiram ao teste do tempo e acumularam experiências importantes. Ele ainda destacou quatro pontos essenciais nos valores que regeram a história dessas relações. Em primeiro lugar, a persistência em defender o respeito mútuo e a igualdade. “Nossos países sempre demonstraram respeito mútuo em relação às características nacionais, interesses essenciais e caminhos de desenvolvimento de cada parte. E persistiram em uma perspectiva estratégica de longo prazo para o desenvolvimento das relações bilaterais”, salientou o embaixador.
Em segundo lugar, ele enfatizou a persistência em buscar benefícios mútuos e desenvolvimento conjunto ao explorar ativamente as vantagens complementares de ambas as economias, fortalecendo a cooperação em comércio e investimento e construindo uma relação mutuamente benéfica, na qual um país está presente na realidade do outro; Em terceiro lugar, destacou a persistência em promover o aprendizado mútuo entre as civilizações e estabelecer laços interpessoais; E, em quarto lugar, salientou a persistência em fortalecer a coordenação, cooperação e compartilhamento de responsabilidades como ocorreu nos casos da crise na Ucrânia, na ampliação do BRICS, na cooperação entre o sul-global, no fomento de uma governança climática global e transição energética e em iniciativas como na “Aliança contra a Fome e a Pobreza” liderada pelo Brasil.
Por fim, o embaixador concluiu sua fala enumerando também os pontos que devem ser trabalhados na construção do futuro dessas relações. “Neste momento em que as relações sino-brasileiras celebram o seu cinquentenário, devemos elevar a cooperação bilateral a novos patamares, abrangendo áreas mais amplas e expandir nossas colaborações em um cenário global”. Conforme o diplomata, deve-se intensificar o diálogo estratégico, promover uma cooperação pragmática e fortalecer e aprofundar a confiança estratégica mútua. “Ao enriquecer continuamente o significado das relações nesta nova era, devemos também promover o intercâmbio cultural e os laços entre os nossos povos, consolidando o apoio popular e as bases sociais da amizade sino-brasileira”.
De acordo com ele, a terceira sessão da plenária do 20º Comitê Central do Partido Comunista da China, realizada no mês passado, enviou um sinal claro de que a China continuará a expandir a sua abertura de alto nível. “Portanto, continuaremos a compartilhar os benefícios do desenvolvimento da China com o Brasil e o resto do mundo, com base nos princípios de consulta extensiva, construção conjunta e benefícios compartilhados, estamos dispostos a fortalecer a sinergia entre as estratégias de desenvolvimento de nossos países, além de otimizar a estrutura comercial e consolidar a cooperação em áreas tradicionais, devemos explorar novos campos de cooperação como a inovação tecnológica, a economia verde, a economia digital e a inteligência artificial”, explicou o embaixador.
Segundo ele, ao fortalecer o investimento mútuo, será possível impulsionar o processo da modernização de ambos os países. Em terceiro lugar, ele destacou o fortalecimento da cooperação multilateral. “A China está pronta para trabalhar com o Brasil, no intuito de assumir as nossas responsabilidades históricas em defender o multilateralismo, defender a equidade e a justiça e construir conjuntamente uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade. Oferecemos pleno apoio ao Brasil na organização da Cúpula do G20 no Rio de Janeiro, de reunião de líderes do BRICS e da COP30 nestes dois anos. Continuaremos a aprofundar a cooperação e coordenação em importantes agendas globais, enquanto promovemos uma multipolarização mundial equitativa e ordenada e uma globalização econômica inclusiva e universalmente benéfica”.
Fontes: Com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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