
Neste ano de 2024 que marca o 50º Aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre Brasil e China, inúmeras festividades estão sendo realizados por ambos os países, no intuito de marcar a data. Assim, nesta sexta-feira, 20 de setembro, em virtude de realizar a sua celebração e, conjuntamente, comemorar o 75º Aniversário da Fundação da República Popular da China, o Consulado Geral da China promoveu um evento que contou com a presença de autoridades da cidade e do estado do Rio, além de representantes das comunidades chinesa e brasileira.
A Orquestra Maré do Amanhã apresentou clássicos da música brasileira e chinesa para os presentes. A cônsul-geral da China no Rio, Tian Min, e a representante do Palácio do Itamaraty na capital carioca, a embaixadora Daniella Xavier Cesar, foram as responsáveis por relembrar as conquistas das relações bilaterais e informar o que ainda precisa ser melhorado para o futuro.
No início do seu discurso, a cônsul Tian Min ressaltou que, sob a firme liderança do Partido Comunista da China, o povo chinês, ao longo de 75 anos, tem trabalhado com unidade para transformar um país pobre e atrasado em uma nação de economia forte, com desenvolvimento e estabilidade social de longo prazo. Segundo ela, através do progresso da China, criou-se uma forma nova de civilização humana e fortaleceu-se a confiança dos países em desenvolvimento na escolha autônoma de caminhos para a transformação econômica e social.
“Como o principal parceiro comercial de quase mais de 150 economias, a China tem contribuído com mais de 30% para o crescimento econômico global por vários anos consecutivos. Temos insistido na abertura ao exterior e cooperação de benefício mútuo. Colaboramos com mais de três quartos dos países do mundo na construção do ‘Cinturão e Rota’ de alta qualidade. Realizamos com sucesso seis edições da Expo Internacional de Importação e dez edições da Feira Internacional de Comércio de Serviços. O novo desenvolvimento da China tem sempre oferecido novas oportunidades ao mundo”.
A diplomata ainda enfatizou que a China adere a uma política externa independente e pacífica, sempre decide sua posição e políticas com base nos méritos de cada caso, e defende as normas básicas das relações internacionais, além de salvaguardar a equidade e a justiça internacional. “A diplomacia da China adere aos princípios de autoconfiança e autossustentação, de abertura e inclusão, de equidade e justiça e de cooperação ganha-ganha. Está firmemente empenhada em promover a construção da comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade e demonstrar a responsabilidade de um grande país responsável”.
Quanto às relações sino-brasileiras, a cônsul disse que, nestes 50 anos, a amizade entre as duas nações tornou-se um exemplo de solidariedade, benefício mútuo e cooperação ganha-ganha. De acordo com a diplomata, a cooperação pragmática entre os dois lados tem produzido muitos frutos.
“Para o Brasil, a China é o maior parceiro comercial por 15 anos consecutivos e o primeiro mercado para o qual exporta mais de 100 bilhões de dólares estadunidenses em um ano. O Brasil é o maior destino de investimento direto chinês na América Latina. O investimento chinês acumulado no Brasil já superou 70 bilhões de dólares dos EUA”. Já no que se refere à coordenação estratégica, a cônsul sublinhou que os dois lados têm posições idênticas em uma série de grandes temas relativos à paz e ao desenvolvimento mundiais, além de colaborarem em foros multilaterais como ONU, BRICS e G20, enfrentarem os desafios globais e defenderem equidade e justiça internacionais.

Para a embaixadora brasileira Daniella Xavier Cesar, nestes cinquenta anos, os dois países passaram por transformações políticas, econômicas e sociais profundas, que alteraram a sua fisionomia no plano doméstico e externo. “Nesse período, Brasil e China tornaram-se duas maiores economias do planeta, ambos conseguiram retirar da pobreza milhões de seus cidadãos, os investimentos de parte a parte desenvolveram-se de maneira significativa e a balança comercial cresceu de forma sustentada”. A representante do Itamaraty ainda relembrou aos presentes que ambas as nações lograram estabelecer ao longo dessas cinco décadas uma parceria multidimensional, sólida, institucionalizada, que tem revelado ser mutuamente benéfica para as duas sociedades.

“Nossos governos têm trabalhado para identificar convergências e descobrir novas oportunidades para uma atuação conjunta em favor da mudança da geografia do comércio global, do aumento da cooperação científico-tecnológica e para construir a transição para uma economia de baixo carbono. No ano que passou, as trocas bilaterais alcançaram 157 bilhões de dólares e nossas exportações ultrapassaram a marca dos 100 bilhões de dólares, valor inédito registrado nas vendas do Brasil para um único parceiro comercial. Para 2024, é projetado crescimento ainda maior de nossas trocas comerciais. Somente nos seis primeiros meses deste ano, a corrente de comércio já alcançou 81 bilhões de dólares”.
Contudo, a diplomata brasileira enfatizou que é preciso atentar para o fato de que a pauta exportadora brasileira ainda se encontra fortemente concentrada em commodities, o que tende a inibir o desenvolvimento de cadeias produtivas entre os dois países. “Torna-se necessário empreender esforços para promover a exportação de produtos e serviços brasileiros de maior valor agregado ao mercado chinês, por meio de ações que explorem as complementariedades existentes e expandam as relações comerciais para áreas diversas”.
Em relação à emergência climática, a embaixadora Daniella Xavier Cesar disse que a China é uma parceria essencial do Brasil na busca por empreendimentos e investimentos estruturantes, em linha com as metas de redução de emissões de carbono do efeito estufa e do desmatamento. “Com o aproveitamento das vantagens competitivas do país na geração de energia renovável e uso sustentável de recursos naturais, mais que nunca, torna-se necessário promover a industrialização nacional em novas bases tecnológicas e ambientais”.

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