Brasil e China ampliam cooperação no setor audiovisual durante Festival de Cinema Chinês no Rio

Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

Neste ano, uma série de eventos e debates estão ocorrendo com o objetivo de analisar a história do intercâmbio sino-brasileiro, já que Brasil e China comemoram o 50º Aniversário do Estabelecimento das relações diplomáticas.  Particularmente no campo da cultura, em abril deste ano, o Ministério da Cultura brasileiro juntou-se à comitiva que viajou à China.

Entre os objetivos, estava fomentar a cooperação cultural entre as partes no campo do audiovisual, uma das áreas mais estratégicas utilizadas pela diplomacia para aproximar os povos. Assim, durante o Festival de Cinema Chinês que iniciou no dia 4 de novembro e segue com programação até sexta-feira, dia 8 de novembro, no Kinoplex São Luiz (clique aqui) do Rio de Janeiro, com entrada gratuita: memorandos foram assinados, assim como reuniões foram feitas, no intuito de ampliar o acordo entre os setores de ambos os países.

Nove filmes chineses estão sendo apresentados e uma comitiva constituída pelo secretário-executivo da Administração Nacional de Cinema da China, Mao Yu; o secretário adjunto da mesma organização, Qin Zhengui; a diretora-presidente do China Film Archive, Sun Xianghui; o diretor do filme de abertura “Jornada Sem Fim”, Dai Mo; e  o ator principal do filme, Zhang Yi, estiveram presentes para encontrar e conversar com o público do Rio de Janeiro. O evento ainda contou a presença da cônsul-geral da China no Rio, Tian Min.

A Orquestra Violões do Forte de Copacabana e Shalom, Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

Da parte do Brasil, além da secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Oliveira Gonzaga, estiveram presentes a diretora de Preservação e Difusão Audiovisual, Daniela Santana Fernandes, e o coordenador-geral da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, André Araújo. Às pessoas que acompanhavam os discursos foi possível desfrutar, ao final da cerimônia, uma apresentação da Orquestra Forte de Copacabana, Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro.

O secretário-executivo da Administração Nacional de Cinema da China, Mao Yu. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

Segundo a cônsul-geral da China no Rio, Tian Min, o cinema traz qualidade para a vida das pessoas. “Encontros como este deixam a vida dos participantes mais rica e eu espero que o cinema possa ser um meio que concretize este objetivo, aproxime nossos povos, aprofunde o conhecimento mútuo e leve crescimento a este setor”. A inciativa é uma realização conjunta entre o Consulado Geral da China no Rio, a Embaixada chinesa em Brasília, o Ministério da Cultura do Brasil e o Ibrachina, instituto sociocultural dedicado a promover a integração entre as culturas e os povos do Brasil e da China, com sede em São Paulo.

A cônsul-geral da China no Rio, Tian Min. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

Em entrevista para a Intertelas, o presidente da instituição, Thomas Law, disse que para além da exibição de filmes, o festival é uma oportunidade única para fomentar a questão do audiovisual entre as duas nações. “O Rio é uma capital que já está no centro das discussões mundiais e é a cidade brasileira mais conhecida lá fora, que histórica e culturalmente carrega consigo um simbolismo muito grande. Os filmes chineses que estão sendo apresentados neste festival são premiados e a população brasileira ainda não teve acesso. Almejamos mostrar a cultura chinesa através dos filmes, pois a cada ano eles estão sendo aprimorados com investimentos destinados a impulsionar uma produção nacional chinesa cada vez mais forte”.

O presidente da Ibrachina, Thomas Law. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

Conforme Law, a China tem uma tecnologia avançada destinada ao audiovisual, o que pode ser de grande interesse para o Brasil. Ele também salientou que as empresas de comunicação de diferentes regiões do país asiático têm interesse de trazer o conteúdo local de suas plataformas para o Brasil, da mesma forma que almejam levar produtos brasileiros para o mercado de suas regiões.  “Há muito espaço para estabelecer parcerias. Há muitas possibilidades para a cooperação entre os países do Sul Global. Existe a possibilidade até de fazermos filmes juntos, mas é preciso mais encontros como ocorre neste festival, para aproximarmos as culturas e conhecermos mais uns aos outros, além de ser preciso colocar em contato os produtores, os diretores e os artistas”.

Em seu discurso durante a cerimônia de abertura, o secretário executivo Mao Yu enfatizou que o Brasil é uma potência cultural e cinematográfica, com filmes de diversos temas e gêneros que representam a diversidade da cultura brasileira e trazem uma rica experiência sensorial para o público global. “Como membros fundadores do BRICS, Brasil e China já organizaram vários festivais de cinema. O Festival do Rio é membro da Aliança de Festivais de Cinema Cinturão e Rota, uma iniciativa lançada pelo Festival Internacional de Cinema de Shanghai”. O secretário ainda comentou que o Festival do Rio tem mantido contato frequente com os parceiros da China, estabelecendo um relacionamento próximo com os festivais de Shanghai e Beijing e recomendando filmes para participarem de exibições e competições.

Assim como no Brasil, o cinema chinês tem uma longa história e o povo chinês ama filmes. Atualmente a China produz cerca de 1000 obras por ano e o país conta com mais de 14 mil cinemas e 80 mil salas. A bilheteria anual chega à marca de 64. 2 bilhões de yuans, 9 bilhões de dólares. O mercado cinematográfico chinês é aberto e esperamos aprofundar as relações com os brasileiros neste setor. Em 2017, os dois governos assinaram um acordo sobre cooperação e produção e hoje assinamos memorandos de entendimento entre os dois governos, no intuito de fortalecer a cooperação e o intercâmbio”.

De acordo com a secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Gonzaga, os memorandos de entendimento ampliam os acordos que já existem, estendendo para outras áreas do audiovisual. “Assim como o filme ‘Nise’ que foi um sucesso de distribuição no mercado chinês, nós queremos que outras obras cinematográficas possam ser bem-sucedidas na China e que muitos filmes chineses possam ser exibidos no Brasil”. Como relatado no evento, tais documentos visam promover o intercâmbio de políticas públicas, práticas de gestão cinematográfica entre os dois países, fomentar a interação entre as indústrias, além de discutir questões do setor, criar oportunidades de colaboração e implementar projetos conjuntos.

A secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

Nesta mesma linha, segundo o produtor de cinema, sócio da Urca Filmes e presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual (SICAV), Leonardo Edde, em entrevista à Intertelas, os festivais ajudam a aproximar os profissionais da área. “Um dos pontos chaves para essa nossa cooperação é o estudo. Se por um lado são mercados muitos diferentes, por outro é possível pegar as similaridades e potencializá-las. Por exemplo, fazer um estudo de audiência audiovisual, analisando que tipo de coprodução funciona tanto do ponto de vista artístico, quanto comercial, é importante para sabermos como encaminhar as negociações”. Porém, o produtor destacou que, para tanto, é necessário ter vontade política, seja do setor público, seja do setor privado. “O mercado chinês é gigante e entendendo qual o melhor caminho para estes conteúdos do Brasil terem acesso a ele, nós temos um potencial muito grande para alavancar as nossas produções”.

O produtor de cinema, sócio da Urca Filmes e presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual (SICAV), Leonardo Edde. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

Governos de Brasil e China ampliam parceria

Nesta quarta-feira, dia 6 de novembro de 2024, a ministra da Cultura, Margareth Menezes; a secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga; e o conselheiro da Embaixada da China no Brasil, Zhiwei Wang assinaram dois memorandos de entendimento. Como reportado pela assessoria do Ministério da Cultura, o acordo firmado entre o Brasil e a China, por meio da agência China Film Administration, para além de promover um diálogo, inclui o desenvolvimento das relações cinematográficas, familiarizando os profissionais com temas e desafios atuais deste campo, abrindo mais oportunidades de cooperação entre cineastas brasileiros e chineses.

“Além disso, o acordo estimula a criação de projetos conjuntos, valoriza a diversidade cultural por meio da promoção de filmes que representem diferentes perspectivas e reforça a importância de valores como a tolerância e a amizade entre os povos. O intercâmbio na área de educação cinematográfica também é uma prioridade, incentivando que profissionais de ambas as nações colaborem em produções que unam as culturas”.

Como informado também pelo Ministério da Cultura, “com a China Film Archive, que é a Cinemateca da China, o Brasil selou uma cooperação com foco especial na formação e intercâmbio técnico, abrangendo o desenvolvimento de habilidades profissionais, especialmente nas áreas de preservação e pesquisa do audiovisual. Esse compromisso também prevê ações de difusão de obras brasileiras e chinesas tanto em seus respectivos territórios quanto em outros, a partir de acordos específicos. Por fim, o acordo abre portas para a colaboração no campo da preservação e da memória audiovisual, essencial para preservar e valorizar o patrimônio cinematográfico dos dois países”.

O encontro entre realizadores chineses e o público brasileiro

O filme que abriu o festival no dia 4 de novembro, “Jornada Sem Fim”, narra a trajetória de um capitão da polícia chinesa que é preso após a morte acidental de um suspeito durante uma investigação. Após cumprir pena pelo crime, ele decide continuar sua busca pelos criminosos que escaparam da justiça, mas como cidadão comum. Com a sala do cinema Odeon lotada, a obra recebeu fortes aplausos da plateia e o diretor Dai Mo, junto com o ator principal que interpreta o complexo policial chinês em sua busca implacável, conversou com os presentes.

O diretor Dai Mo. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

Segundo Dai Mo, o filme foi adaptação de uma obra literária baseada em fatos. “O livro foi lançado em 2018 e começamos a trabalhar na produção em 2022. Lançamos o filme em 2023. A obra apresenta uma reflexão sobre a ética da profissão do personagem. Durante o processo de pesquisa para filmar, entrevistamos vários policiais e percebemos que todos eles sentem a responsabilidade em defender a justiça. Mesmo quando o personagem comete erros, o senso de responsabilidade policial dele permanece. Nossa equipe ficou comovida com isso”.

O ator Zhang Yi. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

Já conforme o ator Zhang Yi, seu personagem tem uma personalidade complexa de várias camadas e vai se transformando muito ao longo do filme. “Não é um papel fácil de interpretar, porém nos torna pessoas mais ricas, pois amplia a nossa experiência de vida”. O ator ainda ficou comovido com a recepção calorosa dos brasileiros. Ele comentou que deseja voltar e viajar pelo Brasil. “Espero que mais filmes chineses possam vir ao Brasil, assim como filmes brasileiros e cidadãos brasileiros possam ir à China. Precisamos criar uma relação de amizade sólida e duradoura”.

Clique na imagem abaixo para assistir ao vídeo da Televisão Central da China (CCTV) em chinês

Crédito: Print CCTV 3.

Um comentário em “Brasil e China ampliam cooperação no setor audiovisual durante Festival de Cinema Chinês no Rio

Adicione o seu

  1. Uau! Matéria maravilhosa! Completa com muita informação e fotos variadas! Texto e fotos nota 10!! Parabéns, equipe Intertelas👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼🎬❤️

Deixe seu comentário

Acima ↑

Descubra mais sobre Revista Intertelas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading