Dica Intertelas: “Noturno Manauara – Outros Contos Amazônicos na Desglobalização”, de José Ribamar Mitoso

Crédito: Montagem Intertelas.

Neste “Dica Intertelas”, sugerimos a obra “Noturno Manauara – Outros Contos Amazônicos na Desglobalização”, de José Ribamar Mitoso. Trata-se de uma obra que reúne vários contos e duas novelas que expressam o contexto sociocultural da globalização na Amazônia brasileira, assim como a trajetória existencial e a estética estilístico-literária deste escritor latino-americano. Esse é o quinto livro de contos do autor e traduz em ficção o choque entre o padrão cultural que a globalização tentou impor na África, na Ásia e na América Latina e a reação bem-humorada das populações originárias e tradicionais da Amazônia contra este padrão colonialista, que tentou e tenta destruí-las ou exotizá-las.

“Noturno Manauara” traz uma pergunta oculta que os contos tentam desvelar: enquanto a cobiça internacional globalizada privatiza a floresta Amazônica, o oxigênio, as águas e a cultura, o que acontece, à noite, em Manaus? O tema do choque cultural está nas vozes dos narradores que expressam uma visão de mundo satírica, crítica, amazônica, popular, originária, tradicional, descolonizadora, decolonial, contracolonial, humorada, insurgente e vegana.

Essas vozes narradoras são o ponto de partida para transformar o conteúdo em forma artística, que se estrutura reinventando, no século XXI, estilos do século XX. É como o realismo satírico crítico, da novela “Tropical Úmida” e dos contos “O Jeans Denin Indigo e o Faroeste Caboclo”, “Amor Globalizado I” e “A Leitora Globalizada” mostram. Da mesma forma, podemos observar o realismo satírico mítico nos contos “Saga Munduruku” e “Noturno no Rio Negro II”. Também temos contato com o realismo satírico mágico, da novela “Laurinha Gouncurt”, e com o realismo satírico fantástico no conto “Fábula Vegana”.

Crédito: Divulgação.

 

No dia 19 de agosto de 2024, a obra participou do VIII Colóquio de Culturas Digitais que ocorreu na Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) e teve como tema “Literatura pan-amazônica e etnomúsica brasileira na CPLP”. Segundo a notícia publicada pelo Ministério da Cultura do Brasil, o evento trouxe a primeira participação artística do Brasil no programa de integração cultural da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que promoveu o diálogo artístico da literatura Pan-Amazônica da América Latina lusófona e da etnomúsica brasileira com a Europa, a África e a Ásia lusófonas.

De acordo com o Plano Estratégico de Cooperação Cultural Multilateral da  Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é fundamental destacar “a transversalidade do respeito pela diversidade cultural, a relevância da dimensão identitária e econômica da cultura e a sua preponderância na promoção da coesão social”. Aos que desejam adquirir a obra, entrar em contato com o telefone (21 96968-7931), do Museu da Cultura Puri.

Sobre José Ribamar Mitoso 

Dramaturgo e inventor da estética do teatro mito-ritualístico do indígena na cidade e no presente. Essa estética rompeu tanto com a estética colonialista anti-indígena do teatro greco-latino de catequese, criado por Padre Anchieta no século XVI, quanto com o teatro indigenista, de conteúdo pró-indígena, mas que manteve a forma greco-latino colonizada de Padre Anchieta.  O teatro mito-ritualístico tem conteúdo anticolonial, decolonial, contracolonial e forma artística descolonizadora fundamentada nas expressões cênicas e coreográficas de rituais e festas cerimoniais dos povos indígenas do Amazonas.

Esta estética dramatúrgica, encenada pelo Grupo Pombal Artes Alternativas, obteve dezenas de prêmios nacionais, regionais, estaduais e municipais, incluindo oito do Ministério da Cultura/ Funarte. “Poronominare”, peça inaugural do teatro Amazônico mito-ritualístico, que ele escreveu em 1996, recebeu quatro prêmios nacionais, sendo dois do Ministério da Cultura/ Funarte. Ribamar Mitoso tem 61 anos e é professor aposentado da Universidade Federal do Amazonas. Atualmente mora no Rio de Janeiro. Estudou direito, filosofia e jornalismo na Universidade Federal do Amazonas. É doutor em sociedade e cultura da Amazônia, mestre em literatura e linguagem amazônica.

Informações obtidas com a assessoria de imprensa do autor e no site do Ministério da Cultura do Brasil.

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