Galeria Maneco Müller abre, nesta quinta-feira, mostra de Daisy Xavier 

Crédito: Divulgação.

Com 15 anos de atuação na arte contemporânea, a carioca Maneco Muller: Multiplo Galeria (Rua Dias Ferreira 417 sala 204, 205 e 206 – Leblon, Rio de Janeiro – RJ), abre “Anfi”, exposição individual de Daisy Xavier. A mostra apresenta uma série inédita de trabalhos com o melhor da produção recente da artista que iniciou sua trajetória nas artes visuais na década de 80. Reunindo cinco telas e cinco desenhos de grandes dimensões, as obras transitam sobre o elemento central de sua pesquisa poética, ligado à sua formação como psicanalista: a rede.

Nos trabalhos, linhas se sobrepõem, cruzam e conectam formando tramas de arranjos impossíveis na realidade, numa dinâmica visual que funciona como uma metáfora dos fluxos instáveis do inconsciente. A exposição abre hoje, dia 30 de julho, quinta-feira, e pode ser visitada até 4 de setembro, com entrada franca.

Tanto nas pinturas sobre telas de linho cru (de aproximadamente 188 x 140 cm) como nos desenhos em papel de gravura (106 x 78 cm), linhas vigorosas se sobrepõem, angulam e se cruzam, conectando-se por meio de supostos ganchos. “As tramas de Daisy Xavier pertencem à tela, mas ao mesmo tempo parecem escapar dela e ganhar tridimensionalidade. Sua obra desafia o olhar, se insinuando para o espaço. Esse é o grande trunfo da produção da artista”, diz Maneco Mülller, sócio da galeria.

Outro ponto forte da produção exibida na mostra é o contraste dos materiais utilizados. Nas telas, a nobreza do linho serve de suporte para traços rudes e carregados, executados com lápis de óleo e tinta de asfalto. A artista usa pouca cor, privilegiando o preto e o branco, tons sóbrios sobre a cor do tecido cru. Já os desenhos em papel imaculadamente branco são produzidos com linhas carregados de tinta a óleo, onde sobressaem manchas de ecoline em vermelho intenso.

Segundo a artista, o nome da exposição “Anfi” tem origem na palavra grega “amphi” que significa “em torno de”, “ao redor”, “de ambos os lados” ou “duplicidade”. Esse termo é frequentemente utilizado como prefixo para indicar que algo se aplica a duas partes ou envolve os dois lados de uma situação.

A dissolução de limites entre opostos, a permeabilidade de fronteiras é uma questão central do meu trabalho. Por isso, uso tanto a figura da rede. Ela permite que o que está dentro seja visto por fora, e o que está fora seja visto por dentro. Ao mesmo tempo em que limita, ela dissolve esse limite. Isso me interessa”, explica a artista. “É a primeira individual de Daisy Xavier na galeria e tivemos a alegria de reunir um conjunto de trabalhos inéditos de grande força poética, com a assinatura visual criativa da artista”, finaliza Stella Ramos, sócia do espaço ao lado de Maneco Müller.

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