No RIW 2026, Malala Yousafzai convida público para a Copa Feminina de 2027 no Brasil e defende fundo de investimento em esportes femininos

Crédito: Ag. Enquadrar/RIW.

A ativista e Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, foi a grande atração do Rio Innovation Week (RIW) 2026 nesta terça-feira, 4 de agosto. Falando para um auditório lotado e sendo ovacionada pelo público, Malala participou do painel “Uma conversa com Malala”, mediado pela jornalista Lilian Ribeiro. A ativista trouxe uma mensagem de impacto que uniu educação, tecnologia, saúde mental e o poder transformador da liderança de meninas e jovens mulheres no primeiro dia do evento.

Durante o encontro, Lilian Ribeiro representou a empolgação da plateia ao comentar sobre a presença da ativista no país: “Queremos a Malala na Copa ano que vem aqui.” Em resposta, Malala reforçou o convite ao público global para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada no Brasil: “Digo a todos, venham ao Brasil no próximo ano.”

Malala destacou que está analisando a área esportiva como uma forma poderosa de inspirar as meninas a “imaginar uma vida sem limites”. A ativista paquistanesa revelou que, ao lado de seu marido, Asser Malik, está estudando a criação de uma plataforma de investimento e capital destinada à atividade feminina. “Nós queremos que as meninas tenham a opção de buscar um caminho profissional nos esportes. Estou estudando essas formas”, afirmou a Prêmio Nobel.

Tecnologia, IA e adaptação dos sistemas educacionais

Malala refletiu sobre o abismo educacional que ainda atinge cerca de 120 milhões de meninas pelo mundo, destacando o duro cenário do Afeganistão, onde a educação feminina foi proibida pelo Talibã nos últimos cinco anos. Ela reforçou como ativistas locais têm resistido, usando a tecnologia a seu favor por meio de rádios, TVs e aplicativos de mensagens para manter escolas clandestinas.

Para a ativista, os desafios atuais vão além do acesso e exigem uma transformação estrutural no ensino. Ela enfatizou a necessidade urgente de flexibilização e adaptação dos sistemas educacionais frente às transformações tecnológicas e sociais. Sobre a Inteligência Artificial (IA), defendeu que deve ser uma ferramenta projetada para o bem e para democratizar o saber, sem aumentar as desigualdades. “O acesso à informação não é mais o desafio principal, mas sim como avaliá-la de forma analítica e crítica. Precisamos desafiar a IA e estimular o cérebro para processar o volume de dados e tomar boas decisões”, pontuou.

Motor de mudança

Malala criticou a visão reducionista de governantes sobre a educação, ressaltando que os líderes frequentemente tratam a pauta de forma isolada. Para a ativista, investir na formação de meninas é uma decisão de alto impacto econômico: quando a mulher estuda e atua ativamente na economia, o país inteiro ganha em desenvolvimento, combate à extrema pobreza e redução das desigualdades.

A Prêmio Nobel também combateu o preconceito contra a capacidade das jovens mulheres, defendendo que não se deve duvidar da inteligência e do potencial de liderança das garotas. “Os líderes não podem apenas chamar uma menina para fazer um discurso na ONU e depois deixá-la de fora quando vão discutir os orçamentos. Elas não devem ser chamadas apenas para falar; precisam ser de fato ouvidas e incluídas na tomada de decisões”, apontou.

Apesar do cenário desafiador, a ativista reforçou que as próprias meninas são a resposta e o motor da mudança. Refletindo sobre sua própria trajetória desde os 11 anos, enfatizou que uma única pessoa pode iniciar um movimento, mas apenas a ação coletiva gera transformações estruturais: “Quando eu tinha 17 anos, achava que era minha função, uma pessoa mudar o mundo. Uma pessoa pode iniciar o movimento de mudança, mas é o coletivo que faz a mudança.”

Saúde mental e união

Malala abriu o diálogo sobre maturidade, os traumas vividos no Paquistão, a busca recente por terapia e a importância de priorizar a saúde mental. A ativista encerrou sua participação deixando uma mensagem de união e determinação para o público:

A vida não é glamurosa, nada é fácil, muitos percalços teremos. Pode ser uma montanha-russa, mas é importante saber que há pessoas maravilhosas ao nosso redor. Peça ajuda quando precisar, fale de saúde mental e ajudem-se uns aos outros. Você pode ser ambiciosa, mas entenda o poder de trabalhar em conjunto: quando estamos sozinhos, somos uma voz isolada. Mas juntos nos tornamos uma voz poderosa em nossas comunidades. Tenha a determinação de fazer a diferença; comece com algo, faça em conjunto. Mantenham os sonhos grandiosos, porque o sonho de hoje pode ser a realidade do futuro.”

Texto da assessoria do Rio Innovation Week (RIW) 2026

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