
Em setembro, mês em que o Brasil celebra o Dia Nacional da Amazônia, em 5 de setembro, chega aos cinemas, “Não Haverá Mais História Sem Nós” documentário lusobrasileiro dirigido pela cineasta amazônida Priscilla Brasil e coescrito com o historiador Raphael Uchôa. O filme estreia no Brasil no dia 17 de setembro, ampliando o debate sobre a forma como a Amazônia e os amazônidas são historicamente representados dentro e fora do país.
Mais do que um documentário sobre a floresta, “’Não Haverá Mais História Sem Nós’ é um manifesto cinematográfico contra o apagamento histórico e a perspectiva colonial que, há séculos, constrói a Amazônia como território vazio, selvagem e disponível à exploração”, comenta a diretora. O filme parte de uma pergunta: quem conta a história da Amazônia? E o que acontece quando os próprios amazônidas reivindicam o direito de narrar sua história?
Entre Alemanha e Brasil, dois cineastas amazônicos mergulham nas entranhas do processo histórico de invenção e exploração da floresta como um suposto Jardim do Éden inesgotável. Em meio ao discurso contemporâneo de preservação ambiental e ao crescente greenwashing, o documentário revela como antigas estruturas de poder continuam presentes na maneira como a Amazônia é imaginada, consumida e representada pelo Brasil e pelo mundo.
A obra confronta a ideia de um “vazio demográfico selvagem”, segundo a qual a floresta seria um território sem história, sem habitantes e sem voz própria. Ao colocar os amazônidas no centro da narrativa, o filme questiona uma visão que transforma pessoas, culturas e territórios em meros elementos de uma paisagem exótica. Dirigido por Priscilla Brasil, cineasta paraense cuja trajetória está profundamente ligada às questões amazônicas, o documentário articula cinema, história e pensamento crítico para propor uma mudança de perspectiva: não é possível contar a história da Amazônia sem ouvir aqueles que sempre estiveram lá.
Uma produção entre Brasil e Portugal
Não Haverá Mais História Sem Nós é uma coprodução entre a produtora paraense Companhia Amazônica de Filmes e a portuguesa Clandestina Filmes, com apoio do projeto ECOAmazônia, financiado pelo Conselho Europeu de Investigação e desenvolvido pela Universidade de Coimbra. O filme teve sua estreia mundial no Bali International Film Festival (Balinale) e sua primeira exibição brasileira no Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), em Goiás, em junho de 2024. Não Haverá Mais História Sem Nós propõe uma pergunta urgente: quando finalmente permitimos que os amazônidas contem a própria história?

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