
O 9º Festival Lugar de Mulher é no Cinema (@festivalmulhernocinema), acontece até 1º de novembro, em Salvador (BA), com uma programação gratuita que reúne 30 curtas e um longa, dirigidos por mulheres e pessoas não binárias. A seleção contempla filmes de 13 estados e 17 cidades do Brasil.
As exibições serão realizadas na Sala Walter da Silveira, com sessões de filmes, debates sobre o mercado audiovisual e atividades voltadas à formação de profissionais. A cerimônia de abertura aconteceu dia 28 de outubro, quinta-feira, às 19h, com uma sessão em homenagem à atriz e diretora Danny Barbosa, que compõe o elenco do longa “Salomé”, dirigido por André Antônio. A mestre de cerimônias foi a renomada atriz baiana Luciana Souza.
A programação está organizada em três mostras competitivas: Mostra Frutos, destinada a filmes de todo o Brasil; Mostra Raízes, voltada para produções baianas; e Mostra Semente, com obras direcionadas à infância e à adolescência, além de sessões com obras produzidos por estudantes universitários e da exibição de um filme infantil produzido pela Escola Municipal Elysio Athayde, de Salvador.

A seleção reúne obras de diferentes gêneros e abordagens, com histórias que passam por relações familiares, memória, identidade, território e experiências de mulheres em diferentes contextos. “A gente vê que o cinema feito por mulheres e pessoas não binárias está cada vez mais múltiplo, com mais qualidade e com mais pessoas produzindo. Celebrar isso na tela do cinema é muito importante”, afirma Hilda Lopes Pontes, idealizadora e diretora artística do festival.
Day Sena, diretora executiva do festival, destaca que aproximar a formação acadêmica do circuito profissional é um dos novos objetivos desta edição. “Estamos experimentando essa possibilidade de fomentar realizadoras universitárias e contribuir para a profissionalização de seus filmes, para que possam participar de festivais. Fizemos uma curadoria interna a partir das produções das universidades e contamos com filmes da UFBA, da Unijorge e da Unifacs”, explica.

Premiações
A premiação do festival contempla as mostras Frutos, Semente e Raízes, com categorias definidas para cada seleção. Na Mostra Frutos, serão entregues os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Intérprete no Espectro Feminino, Melhor Roteiro e o Prêmio Marielle Franco de Direitos Humanos. A Mostra Semente premiará o Melhor Filme e a Melhor Animação, enquanto a Mostra Raízes reconhecerá o Melhor Filme e a Melhor Revelação.
O festival também contará com o Júri Jovem, que elegerá o melhor filme de cada mostra, além de prêmios oferecidos por parceiros: o Prêmio Dialab, para um curta baiano; o Prêmio Stone Milk, com consultoria de projetos para pós-produção; e o Prêmio Arrudeia, destinado exclusivamente a curtas universitários. A cerimônia de premiação está marcada para 1º de novembro, às 18h30, encerrando a programação de exibições do festival.

Homenageadas
O festival também destaca duas trajetórias femininas no audiovisual. Danny Barbosa é a homenageada desta edição. Atriz e diretora, ela roteirizou e dirigiu os curtas-metragens “Café com Rebu” e “Pedra Polida”. Como atriz, integrou o elenco de produções como “Bacurau” (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles; “Mais Pesado é o Céu” (2023), de Petrus Cariry; “Salomé” (2024), de André Antônio; e “Gravidade” (2025), de Léo Tabosa. Sua trajetória inclui ainda o teatro independente.
Jéssica Teixeira é a homenageada do Prêmio Sol Moraes, dedicado ao incentivo a novas realizadoras. Atriz, diretora, dramaturga e produtora, é graduada em Teatro pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e mestre em Artes pela mesma instituição. Sua pesquisa artística parte do próprio corpo e resultou nos solos teatrais “E.L.A.” (2019) e “Monga” (2024). Por “Monga”, recebeu o Prêmio Shell de Teatro, na categoria Direção, em São Paulo, e o ZKB Förderpreis, em Zurique, na Suíça. No audiovisual, participou de produções como “Assexybilidade” (2023), “Noz Pecã” (2024), “Fiz um foguete imaginando que você vinha” (2026), “London” (2026) e da série “Os Outros” (2023), do Globoplay.
Debates discutem trabalho, mercado e representatividade
A programação inclui três mesas do Conexões Audiovisuais, com profissionais convidadas para discutir desafios, experiências e perspectivas do setor. No dia 29 de outubro, das 17h às 18h, a mesa “Para além do protagonismo: trabalhadores trans no audiovisual brasileiro” propôs uma reflexão sobre a presença de pessoas trans nas diferentes funções do fazer cinematográfico. O encontro teve mediação de Jeisi Ekê e participação de Danny Barbosa e Gênesis Nascimento.
No dia 30 de outubro, das 15h às 16h, “Narrando o real: caminhos do mercado de documentários no Brasil” abordará estratégias de produção, financiamento e circulação de documentários, com mediação de Letícia Santinon e participação de Vânia Lima e Camila de Moraes.
Já em 31 de outubro, às 15h, a mesa “Cosmovisões e identidades: fabulações críticas no cinema de gênero” reunirá realizadoras que trabalham com horror, ficção científica e fantástico como campos de reflexão política e cultural. O encontro terá mediação de Jéssica Teixeira e participação de Olinda Tupinambá e Ana do Carmo.
Formação audiovisual no Subúrbio Ferroviário
Como parte das atividades formativas, o festival realizará, em 13 de novembro, das 9h às 12h, a oficina “Conexão Mobile — Captação e Edição Audiovisual com Celular”, no Espaço Cultural de Alagados, no bairro do Uruguai, em Salvador. A atividade será conduzida por Rafa Beck, pessoa não-binária, que propõe trabalhar técnicas de captação e edição de imagens com dispositivos móveis. A atividade é aberta ao público e focada em mulheres e pessoas não-binárias
O 9º Festival Lugar de Mulher é no Cinema conta com parceria do Projeto Paradiso, Tem Dendê Produções, Stone Milk, Arrudeia Filmes, DiaLab, IgluLoc, D’Cor Mobília Criativa e do Festival FICFUSA, na Colômbia. Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.

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