“As Boas Maneiras”: análise dos cartazes brasileiro e francês

A distribuidora Imovision começou a divulgar o cartaz brasileiro do filme As Boas Maneiras no dia 26 de abril. A estreia está prevista para 7 de junho, portanto a peça deverá circular pelas salas de cinema e nos canais de promoção durante mais de um mês, tentando atrair o público local. O mais curioso, no entanto, é perceber a opção totalmente diferente para a arte se compararmos com o cartaz francês.

O longa-metragem é uma coprodução majoritária do Brasil com a França, dirigido por Juliana Rojas e Marco Dutra. A parte brasileira ficou a cargo da produtora Dezenove Som e Imagens, enquanto a francesa se dividiu entre a Urban Factory e a Good Fortune Films.

Na França, o filme foi lançado no dia 21 de março, quase três meses antes do Brasil. E a distribuidora francesa Jour2fête optou por uma arte mais ilustrativa, em duas opções de cores, reforçando os aspectos de uma obra fantástica, de horror, uma vez que a trama inclui a transformação de um bebê em um monstro. O filme foi rodado em São Paulo e a representação da cidade ganhou contornos mais genéricos, como se fosse uma metrópole qualquer, no cartaz. O título francês foi apenas traduzido do português, sem qualquer alteração: Les Bonnes Manières.

Já na peça brasileira, a estratégia de marketing valorizou a presença da atriz Marjorie Estiano, famosa entre o público nacional, especialmente por estrelar novelas da TV Globo. Na foto, ela aparece conversando com a atriz Isabél Zuaa, que é portuguesa e quase desconhecida no Brasil. A cidade de São Paulo está facilmente identificável, com a Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira ao fundo (um dos cartões postais da capital paulistana), também na metade superior da arte.

Cartaz brasileiro do filme.

Importante notar que o nome dos atores principais foi destacado logo acima do título do filme, o que não ocorre no cartaz francês. Na França, o elenco inclusive foi ignorado, provavelmente porque não há familiaridade desses artistas com aquele público e eles não influenciariam na escolha dos espectadores, sobretudo os que selecionam o filme no próprio cinema e compram o ingresso por impulso. No pôster francês, optou-se por enfatizar os festivais em que o longa foi exibido e a recepção da imprensa.

O maior troféu internacional conquistado por “As Boas Maneiras” foi o Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno de 2017. No Festival do Rio, a coprodução recebeu os prêmios de Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Atriz Coadjuvante para Marjorie Estiano, Melhor Filme LGBT (Prêmio Felix) e o Melhor Filme pela crítica FIPRESCI.

A crítica francesa foi bastante generosa com a obra, como podemos ver nesta outra peça de divulgação (abaixo). O jornal Le Monde classificou como “um filme maravilhoso, inextricavelmente selvagem e terno”. A revista L’Express destacou que se trata de um filme brasileiro que conseguiu a rara proeza de não se parecer com nenhum outro. O diário Le Parisien foi um dos mais entusiastas: “É emocionante, inquietante, estranhamente encantador e perturbador”.

Flyer francês de divulgação, mostrando os destaques da crítica local.

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