A OTAN e seus Terroristas

Foto: News Front

Com o início da Guerra Fria, o imperialismo estabeleceu a necessidade de controlar o Oriente Médio e a Ásia Central, regiões muito ricas em petróleo e importantes no contexto geopolítico. Além disso, com a desarticulação do Império Britânico na região, áreas de grande concentração populacional como Índia e China passaram a serem disputadas pelas potências centrais, apresentando mais uma atraente perspectiva para o capitalismo internacional. A tentativa de lucro máximo exercido na região pelos países Ocidentais veio acompanhada de um forte controle ideológico dos recém instituídos governos. Isto é, a necessidade da construção de lideranças servis e retrógradas estabeleceu-se na região assim que o Japão rendeu-se em 1945.

A tentativa mais incisiva para controlar toda a Ásia, no contexto do pós-Segunda Guerra, ocorreu com o lançamento do Plano Colombo (1951), uma espécie de Plano Marshall para a região. Como principal acionista desse plano, o EUA trabalhou para que os países alcançados pelo respectivo programa possuíssem governos anticomunistas e que atrelassem seus mercados internos aos interesses estadunidenses. Logo o referido Plano mostrou-se ineficaz, já que economias insípidas e governos corruptos só fizeram avançar as crises políticas e sociais. Nesse contexto, deu-se o avanço do socialismo em toda região, culminando na Revolução Chinesa, levando o EUA e seus aliados a instituírem uma escalada militar em toda região, no intuito de combater as forças progressistas.

Fato análogo aconteceu no Oriente Médio, onde Estados nacionais foram edificados de forma artificial depois da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, tornando esses países em protetorados petroleiros, governados por monarquias perdulárias e servis aos países centrais. Um dos instrumentos de controle do Oriente Médio usado pelo ocidente foi o terrorismo de Estado patrocinado por Israel, que desde sua edificação em 1947 mostrou-se disposto a ser um contraponto aos Estados árabes em troca de apoio ocidental. Todo país árabe que tentasse desenvolver-se independentemente dos ditames ocidentais era de pronto vítima de Golpes de Estados, guerras civis, sabotagens, bloqueios econômicos e atentados. Estas foram práticas cotidianas impostas ao Oriente Médio pelos ocidentais ao longo do século XX.

Com a criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o estabelecimento do sionismo como doutrina central em Israel, o Oriente Médio passou a ser palco de constantes conflitos, todos eles tendo o controle do petróleo como pano de fundo, sendo a água e o gás, também objetos de cobiça pelos países centrais. Apostando nas contradições históricas entre alguns povos e incentivando as disputas internas nas várias correntes do Islamismo, Israel e a OTAN não têm permitido que a paz com justiça social seja estabelecida na região.

Em inglês: “Ajuda militar adicional” e “Negociações de paz indiretas”. Charge: David Duke

A necessidade que o imperialismo tem por petróleo e mercados faz com que o Oriente Médio e a Ásia sejam alvos prioritários da política belicista de Washington que, nem o fim da Guerra Fria, fez com que essa linha de atuação fosse atenuada ou até mesmo revista. Com a invasão do Afeganistão em 2001 e do Iraque em 2013, os Estados Unidos elevou o nível de tensão global para um patamar próximo de uma guerra mundial, a partir de sua Guerra ao Terror.

Essa doutrina imperialista denominada de Guerra ao Terror produziu a destruição total do Estado nacional afegão e em paralelo estabeleceu em seu território uma disputa entre dois agrupamentos terroristas. O Estado Islâmico do Iraque e do Levante (em árabe Da´ish, e DAESH, aportuguesado, ISIS, em inglês) e o Talibã lutam entre si para controlar não só o país, mas também o tráfico de drogas e armas, a partir das fronteiras afegãs.

Ambos os grupos terroristas operam de forma “encoberta” para a OTAN na Síria e no Iraque, assim como tentam desestabilizar as regiões fronteiriças de Rússia e China, nos territórios de maioria islâmica. A situação absurda de dois grupos terroristas disputando o controle do Afeganistão com insumos recebidos dos países ocidentais e Israel, em operações mercenárias na Guerra da Síria, demonstra o extremo da irresponsabilidade que estes países operam para alcançar os seus objetivos políticos e econômicos.

A miséria e a violência que têm marcado muitos desses países na Ásia e, em especial o Oriente Médio, junto ao sentimento antiocidental, têm produzido pensamentos cada vez mais radicais, com interpretações sectárias do Corão. Isso permite a esses grupos terroristas captar cada vez mais jovens desiludidos com a política social de seus países, encontrando na prática mercenária de “guerra santa” uma razão factível para viver.

Se a adesão ao Talibã para lutar contra os “ocidentais” foi um grande mote, a participação junto ao DAESH para ser membro do Novo Califado tem atraído muito mais gente dessa vez. A grande quantidade de combatentes que estão hoje na Síria à serviço do DAESH demonstra não só grande disposição combativa, como também uma excelente capacidade mobilizadora deste grupo. Apesar da momentânea inferioridade numérica frente ao Talibã no Afeganistão, o também chamado Estado Islâmico tem conseguido realizar operações terroristas de grande impacto.

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Com o fim da Guerra na Síria e a derrota do DAESH no Iraque, esses mercenários tendem a reforçar a luta no Afeganistão, levando a uma escalada cada vez maior da violência no interior desta sociedade. Sem espaço para a articulação das forças progressistas e laicas na atual conjuntura, graças as ações estadunidenses, o país caminha para uma situação belicosa que periga transbordar por suas fronteiras e atingir os países vizinhos. O interesse ocidental em manter essas forças ativas coloca em risco o povo afegão. A necessidade de voltar a mobiliza-los, em um futuro próximo, para serem usados, em algum lugar do Mapa Mundi, como mão de obra mercenária e desestabilizadora, a serviço da OTAN, põe o mundo todo em perigo. A inevitabilidade dos países imperialistas em controlarem as riquezas mundiais é um desafio constante à paz mundial.

Outra fonte interessante para estudos sobre o assunto é o filme “Jogos do Poder”, dirigido  Mike Nicholls. A obra é baseada na história verídica do senador republicado Charlie Wilson (Tom Hanks), da socialite texana Joanne Herring (Julia Roberts) e do agente da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) Gust Avrakotos (Philip Seymour Hoffman) que, nos anos 1980, formam uma improvável aliança entre Israel, Paquistão, Arábia Saudita e Afeganistão, e estabelecem um plano de aumentar o financiamento para combatentes afegãos em sua guerra contra os soviéticos, visando a queda da União Soviética e o fim da Guerra Fria. Os esforços de Gust Avrakotos resultaram na Operação Ciclone, um programa da CIA para armar e financiar os mujahideen, no Afeganistão, de 1979 a 1989. Esta  foi uma das mais longas e mais caras operações secretas da CIA já realizadas. Iniciou com pouco mais de U$ 500.000 em 1979, passando de US $ 20 a US $ 30 milhões por ano em 1980 e  chegando a US $ 630 milhões por ano em 1987.

A dica de livro é “11 de Setembro”, de Noam Chomsky.  A publicação reúne uma série de entrevistas concedidas por Chomsky a jornalistas estrangeiros, um mês após os atentados ao World Trade Center em Nova York e ao Pentágono em Washington. Neste livro, Chomsky faz revelações sobre os bastidores e os motivos (financiamentos dos EUA a grupos radicais e terroristas em outros países) que são umas das causas prováveis do atentado.  A obra é composta por sete capítulos e dois apêndices, em que o primeiro traz o Relatório do Departamento de Estado sobre as Organizações Terroristas Internacionais.

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