A Guerra Híbrida no Contexto das Eleições Brasileiras de 2018

Crédito: GGN.

A Guerra Híbrida é desenvolvida de maneira multifacetada, em setores múltiplos de forma sequencial ou intermitente, a partir de uma base não linear. Tem por objetivo confundir e enfraquecer o adversário de forma sutil e inesperada. Pode ser aplicada no escopo político, social e militar. Tem por princípio produzir o “alarmismo” e o “adesismo”, depois de consumar o “derrotismo”. Utiliza plataformas de alta complexidade tecnológicas para acompanhar e interpretar o comportamento adversário, produzindo assim uma série de medidas que confundam o adversário, retardando o máximo a sua reação.

A Guerra Híbrida trabalha a percepção popular de massas, nesse sentido, a psicologia de massas é explorada para a abertura de fissuras, contradições e sublevações no interior da sociedade escolhida, utilizando inflexões internas para prejudicar o adversário. O estimulo ao surgimento de aliados internos, pode ser feito de maneira ostensiva ou subliminarmente, usando questões sociais e culturais. A tensão interna é necessária para a construção da “oposição” a ser apoiada, com o uso de dispositivos violentos, espera-se a subsequente transformação da “oposição” em “inimigo interno” a partir da radicalização, status necessário para a sua “vitimização”, para que, a seguir, seja produzida uma “solidariedade” externa, fase de aplicação do Jornalismo de Guerra.

Crédito: Outras Palavras.

O Jornalismo de Guerra inundado de conceitos abstratos aplica processos de “meta-verdade” e “pós-verdade” na criação de pautas jornalísticas que obedecem aos interesses do imperialismo. Essas supostas “reportagens” são fabricadas por diretores e administradores ligados ao “Mercado”, os jornalistas são usados apenas para legitimar tais pautas, não tendo nenhuma ingerência nas mesmas. A massificação de tais matérias entre a população é feita a partir de plataformas eletrônicas e digitais descaracterizadas, simulando um movimento espontâneo das massas, que garante o viés legal e moral.

A desconstrução do caráter, da honra e da moral do inimigo é vital para a formação de um senso comum de rejeição. Tal condição é construída a partir da observação dos costumes locais, usando o contraponto ético como resposta. O alvo deve ser desmoralizado ao extremo, a ponto de perder o máximo de apoio em menor tempo possível.

Crédito: Oriente Mídia.

Ao mesmo tempo em que é construída uma oposição completamente responsável, que é habilitada automaticamente pelos veículos de comunicação. Essa discussão é travada sem nenhum conteúdo programático, isto é, esse debate é feito sem base ideológica. A Guerra Híbrida produz uma série de ataques contra o seu alvo que visam confundir todos a sua volta, gerando dúvidas e insatisfações que são alimentadas sistematicamente por notícias falsas que compõem a estratégia de informação e contrainformação.

Eleição Presidenciais Brasileiras 2018

O efeito Jair Bolsonaro e a sua quase onipresença nas redes sociais é um fenômeno novo, fruto do processo de massificação da internet e do consumo de “smart phones”. Esses pequenos aparelhos passaram ser objetos de uso constante de boa parte da população brasileira. Receptores e emissores de mensagens, esses dispositivos conseguem com um simples toque conectarem-se a redes com milhões de pessoas, que consomem diariamente notícias rápidas e informações curtas, que muitas das vezes são interpretadas como verdadeiras, sem terem a sua fonte e o seu caráter confirmado.

Crédito: Ponte Jornalismo.

Esse processo de ativismo político a partir das redes sociais é um fenômeno mundial nas sociedades de massa, que cada vez mais utilizam essas redes para relacionarem-se com o mundo físico. Partem do anonimato e do refugio do seu lar para interagir com o mundo virtual, sem compreender o quanto essa interação reflete do mundo físico. Quanto ao processo político-eleitoral estar cada vez mais sendo definido nessas redes, o que tem  de ser observado é que o debate sobre os grandes temas nacionais perderam lugar para as pautas rasas, que se propagam nessas redes, onde a militância política foi substituída por meros comentaristas de ocasião.

O livro do jornalista Pepe Escobar aborda a guerra híbrida como uma nova tática de dominação e guerra. Crédito: Amazon.

O Brasil está sob forte ataque imperialista desde 2014. A política internacional independente do Partido dos Trabalhadores e o desenvolvimento autônomo de alguns setores estratégicos aguçaram o capital estrangeiro, que a partir de ações estratégicas de novo tipo, vem desestabilizando o ambiente econômico, político e social desde a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2014. Usando como estratégia o soft power, o imperialismo desestruturou a economia brasileira. Impedida de reagir pela forte oposição interna, Rousseff sofreu um processo de impeachment a partir de um Jornalismo de Guerra produzido pelos monopólios de comunicação.

Crédito: World Economic Forum.

A segunda fase foi operada por um processo chamado low fare, que criminalizou o Partido dos Trabalhadores e prendeu seu principal líder, Lula, que foi presidente do Brasil por dois mandatos 2003 a 2011. O low fare seguido pela sistemática propagação de fake News, essa produção gigantesca de notícias falsas, acarretou na marginalização dos partidos de esquerda e na emergência de grupos fascistas, conservadores e reacionários que compõem o quadro da extrema direita antinacional que lidera a corrida eleitoral para a presidência do Brasil.

Crédito: Tudo Celular.

A Guerra de Baixa Intensidade (aquela que é travada de maneira quase imperceptível), que está sendo estrategicamente usada contra o Estado nacional brasileiro, chega ao seu auge com a eleição de Jair Bolsonaro, que se eleito, governará o Brasil graças à tática de Guerra Híbrida, que vem sendo implementada contra o Brasil há cerca de quatro anos. A chegada de um entreguista como Bolsonaro à presidência da república, se confirmada, será a etapa final dessa guerra de nova monta, cujo sutil caráter de atuação irá impor uma derrota geral ao povo brasileiro, comprometendo a soberania e a segurança social, sem que a população perceba. 

Pepe Escobar, jornalista e especialista em análise geopolíticas, fala ao site 247 sobre a Guerra Híbrida no Brasil. 

“O Processo” (2018), dirigido por Maria Augusta Ramos

 

2 comentários em “A Guerra Híbrida no Contexto das Eleições Brasileiras de 2018

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