“Dos antigos aos filhos do amanhã”: a luta pela preservação da cultura caiçara em Trindade no Rio

Frame do filme “Dos Antigos aos Filhos do Amanhã”, de Leonardo Gélio. Crédito: Bruno Machado.

Preservação do meio ambiente e sustentabilidade são temas que ocupam o centro do debate internacional e que atualmente também trazem, mais uma vez, reflexões fundamentais que a sociedade deste início do século XXI necessita aprofundar a exemplo da coexistência entre o homem e a natureza. Deste aspecto central outras discussões acabam sendo originadas como a compatibilidade, ou não do modelo capitalista de produção em massa e a manutenção dos recursos e habitats naturais necessários a prolongação da vida humana, ou como tornar a modernização menos predadora.

Com o objetivo de promover este debate, a Cinemateca do MAM recebeu no 29 de agosto o evento de estreia do documentário “Dos antigos aos filhos do amanhã”, dirigido pelo estudante de cinema da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), fotógrafo e apoiador de causas socioambientais Leonardo A. Gélio. Neste filme, o diretor apresenta uma atualização da antiga luta da comunidade localizada na vila de Trindade, em Paraty, Rio de Janeiro, pela manutenção da cultura caiçara, como são denominados os habitantes tradicionais do litoral das regiões Sudeste e Sul do Brasil.

Frame do filme “Dos Antigos aos Filhos do Amanhã”, de Leonardo Gélio. Crédito: Bruno Machado.

Oriundos da miscigenação entre índios, brancos e negros, estas comunidades são conhecidas por preservarem um estilo de vida único, baseado no saber de gerações passadas, que consegue naturalmente promover uma cultura social humana totalmente integrada ao meio ambiente. Entre as atividades que realizam estão: a pesca artesanal, a agricultura, a caça, o extrativismo vegetal, o artesanato e, mais recentemente, o ecoturismo.

Leonardo A. Gélio, diretor documentário “Dos antigos aos filhos do amanhã” e fotógrafo interessado em questões socioambientais. Credito: Mariana S. Brites/Revista Intertelas.

Na comunidade da vila de Trindade, especialmente, a construção da tradicional canoa é feita de forma artesanal, através de técnicas que são passadas ao longo das décadas. Porém, com o advento da modernização e o avanço da industrialização, elas correm o risco de ser extintas. Na ocasião, além da exibição do filme, a programação da noite contou com outras várias atrações: música, mostra fotográfica da vida em Trindade, comidas veganas, intervenção artística através da pintura de cinco espécies de árvores que são consideradas as mais adequadas para a construção da canoa, além da exposição da embarcação em si para o conhecimento do público presente e das mudas destas árvores que posteriormente serão plantadas no território da comunidade.

A produção do curta contou em grande parte com o apoio de um fundo da PUC-RJ e do suporte da comunidade em Trindade. O filme já foi exibido na Mostra Ecofalantes de Cinema Ambiental em São Paulo e no Festival Brasileiro de Cinema Universitário em Niterói. Segundo Gélio, sua inspiração para o projeto nasceu após a leitura de “Cem dias entre o céu e o mar”, do escritor e também navegante marítimo Amyr Klink.

Crédito: Seu Mochilão.

“Chamou a minha atenção o fato de ele ter atravessado o oceano Atlântico em uma canoa, cujo design foi inspirado na canoa que os caiçaras produzem. Ele saiu da África e veio até o Brasil em cem dias remando, Isso me fez querer saber mais desta cultura. Assim, conversei com ele, que me deu dicas e passou contatos especializados do Brasil inteiro, nas mais diversas áreas: museu, náutica, navio. Procurei estes pesquisadores e pesquisei documentos sobre a canoa. Li diversos trabalhos acadêmicos  e descobri que a cultura de fazer canoa está aos poucos acabando, pois os mestres canoeiros estão falecendo e não estão mais conseguindo passar esta forma de cultura adiante”.

Conforme o realizador, um das razões para tanto é a chegada do mundo industrial nestas localidades que acabou afastando uma parte significativa dos jovens criados nestas culturas tradicionais para o mundo do mercado de trabalho. Desta forma, aos poucos as novas gerações não têm dado mais valor ao trabalho manual, artesanal, cujo saber com o manejo sustentável da natureza para o próprio sustento é ancestral.

Frame do filme “Dos Antigos aos Filhos do Amanhã”, de Leonardo Gélio. Crédito: Bruno Machado.

“Para esta cultura continuar a existir, ou coexistir com o mundo moderno, nós precisamos como sociedade proteger, compreender a importância e valorizar estas culturais tradicionais locais que ainda existem fortemente como em Trindade. Em minha pesquisa, descobri que há diversos problemas como especulação imobiliária que há décadas vem ameaçando e tentando expulsar os caiçaras de seus territórios. Na comunidade em Paraty, os pescadores são muito atuantes e conscientes da importância da sua cultura. Em Trindade, o mestre principal ainda está fazendo canoas e repassando o seu conhecimento para os mais jovens. Lá a Associação de Moradores e de Barqueiros é muito forte e trabalha em prol da preservação, com atividades como o turismo comunitário e a pescaria artesanal”.

Contudo, a comunidade sofreu com a especulação imobiliária dos anos 1970, tendo o número de famílias habitantes diminuído de 120 para 12. “Eles tiveram suas casas destruídas e hoje ainda há conflitos. Há dois anos atrás um caiçara foi morto. Então, é preciso mostrar esta questão e tentar explicar ao público a grandiosidade desta cultura, que une a comunidade, respeita o mestre, o seu trabalho manual e o conhecimento único que eles têm da natureza. Eles possuem uma conexão muito forte com a terra, com o mar, com a Mata Atlântica. Ao ver uma árvore no topo de uma montanha, eles sabem de qual espécie se trata, eles sabem de que forma se deve cortar um cipó, sabem o que pode ser usado da floresta para medicamentos e etc. Tem uma árvore que só da flor quando vai morrer, então eles sabem que só podem utilizá-la neste período. Sabem ainda qual a época que podem usar a madeira da árvore, sem que ela tenha água internamente”. 

Frame do filme “Dos Antigos aos Filhos do Amanhã”, de Leonardo Gélio. Crédito: Bruno Machado.

No entanto, problemas também existiram com as próprias unidades de preservação, que começaram a proibir a retirada de madeira da floresta, visando limitar o desmatamento. “Para muitos ainda existe o mito de que o homem é o grande destruidor. De certa forma é uma visão compreensível, levando em conta o contexto histórico, mas é necessário refletir qual homem que destrói. O caiçara certamente não é. Estas comunidades têm um conhecimento único de manejo da floresta, eles precisam dela em pé para garantirem o seu sustento. Portanto, são os que mais a preservam. Dentro do sistema é preciso ter compromissos, controle, e fomento que deve ser garantido à sociedade, no intuito de preservar estas culturas e aprender com o saber tradicional e ancestral. Precisamos compreender os valores delas, respeitá-las e perceber que estamos todos interligados”.

Caio Kronig, estudante de design PUC-RJ e artista plástico, responsável por organizar a exposição também salientou estas questões apontadas pelo diretor. “Nosso objetivo com este evento é chamar os jovens para o debate. A exposição é o ambiente criado para inserir o público neste cenário e discutir esta questão em diversas expressões artísticas, gerando reflexão. Sou amigo do Leo, pegamos onda juntos, meu pai é fabricante de pranchas e o surfe está totalmente vinculado à natureza”.

“Quando ele me falou desta vontade de querer documentar o modo de vida dos caiçaras e a cultura deles, logo percebi que era uma forma de dar valor e voz a esta comunidade em um momento político bastante complicado pelo qual estamos passando. Ela tem uma conexão com a natureza muito mais fiel, livre e real do que qualquer um de nós que não está inserido neste modo de vida. Por isso, eles têm muito a nos ensinar”.

Caio Kronig, estudante de design PUC-RJ e artista plástico. Credito: Mariana S. Brites/Revista Intertelas.

“O estudo do design pode ajudar a construir esta memória e ajudar o público a compreender que a madeira da canoa vem das arvores representadas pelas mudas. A canoa é feita para pescarem. Portanto, há uma interação da árvore com o mar, pois aquela embarcação um dia foi uma árvore com raízes na terra. Estas mudas são de árvores nativas da Mata Atlântica. Algumas estão sob ameaça de extinção”.

“Assim, elas serão plantadas na comunidade de Trindade, onde o conhecimento e a compreensão do manejo certo para que elas continuem a existir ocorre efetivamente. Acredito que o design e arte contribuem de uma forma ativista até, ajudando a melhorar a comunicação, a informar para que todos saibam qual a tarefa de cada um, que iniciativas podem ser tomadas, Não se pode deixar tudo para o governo fazer. Trata-se de um responsabilidade de todos”. 

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A atriz e artista plástica Pally Siqueira, que realizou uma intervenção no evento, pintando junto a cada muda exposta, o tipo de árvore que dela é originada. Espécies que os caiçaras mais usam para a confecção de suas canoas. Ela também foi responsável pela arte que estampa o cartaz de apresentação do filme. “Para chegar a este resultado foi bastante intenso. Primeiro fiz um esboço como uma xilogravura em madeira, depois passei para o papel, e não foi bem o que desejávamos”.

“De maneira que fui refazendo até chegar ao resultado atual. Leo ainda propôs fazer a intervenção artística. A natureza é um tema muito importante no meu trabalho e quando isso está vinculado a cultura de comunidades como a dos caiçaras, que usam as árvores de forma consciente para sobrevivência e o trabalho deles. Eles sabem da importância de cada espécie de árvore, o valor de cada uma e sempre reflorestam”.

A artista plástica, que começou a pintar desde criança, ainda falou sobre a importância de mudanças de valores e hábitos de cada cidadão, que necessita desenvolver uma cultura de maior responsabilidade com a natureza e também comentou como o processo de industrialização e produção em massa afeta outras áreas como a própria manifestação artística. “Nasci em Arcoverde, em Pernambuco e fui criada de uma forma a ter uma consciência de respeito e integração maior com o meio ambiente ao redor, com pequenas ações como desde fechar a torneira para não desperdiçar água. Não adianta avançar muito, se não conseguimos fazer o básico”.

“A cultura ajuda preservando toda esta história, a memória dos povos tradicionais, fazendo compreender que somos parte de um tudo e não donos de tudo. A ilusão de que não pertencemos a este meio ambiente. Por exemplo, nada é jogado fora, você não joga o lixo fora, ele continua ali no espaço social e natural”.

“A arte dá a sua contribuição ao reaproveitar materiais que são descartados em obras e trabalhos, por exemplo. Eu trabalho mais com pinturas orgânicas. A tinta industrializada é algo que prejudica muito o meio ambiente, pois é feita de chumbo e outros metais pesados. Por isso, procuro sempre que possível usar outras fontes como beterraba, chá verde, mate e etc. A cultura capitalista de consumo de massa é um grande problema, não apenas para a questão ambiental”.

“Lembro de uma cena do filme “A Montanha Sagrada” (1973) de Alejandro Jodorowsky, em que um grupo de pessoas tem suas nádegas pintadas para que sentem em várias folhas brancas para desenho, dispostas como em uma linha de produção em fábrica. Isso será vendido como arte. Mas se trata apenas de produto e de lucro. E a questão artística em si é perdida. Uma das coisas que aprendi trabalhando com pintura nas ruas é que a arte é efêmera também. Ela existe para impactar naquele momento e se isso provocar alguma reação em você é o que importa. É o que tentei fazer com este trabalho hoje aqui”. 

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Para uma das figuras principais do filme, o pescador, aprendiz de canoeiro do Seu Vitor, presidente da Associação de Moradores Originários da Trindade (AMOT) e membro do Fórum de Comunidades Tradicionais Robson Possidônio a questão de produção capitalista em massa e o avanço da industrialização é o problema central que precisa ser debatido. “A coexistência da cultura caiçara com a modernidade é algo necessário. Trata-se de algo que me mantém vivo. É um documento, uma certidão de vida para mim. Quando você faz algo que é necessário para a sua sobrevivência, para a vida em torno de você, a natureza e o meio que você vive, tudo isto faz muito sentido. É uma ligação maior do que um trabalho para ganhar dinheiro, é algo mais espiritual, de ligação com a natureza. Eu fui criado desde pequeno nesta cultura, mas outras pessoas que também nasceram e cresceram neste ambiente hoje acreditam que este estilo de vida não faz mais tanto sentido, pois a industrialização chegou e eles escolheram outro caminho”.

“Com este sistema baseado apenas no lucro, na acumulação de riqueza perdeu-se a noção do que é a vida. De viver com saúde, em um ambiente saudável, tendo uma boa relação entre as pessoas e a natureza. O sistema capitalista incita nas pessoas a ânsia de lucrar, consumir e produzir a todo custo, sem limites. Quantas coisas são produzidas que na realidade não têm uma real utilidade para o nosso dia-a-dia. Você produz para ganhar dinheiro, não para viver. As pessoas esquecem que quando se produz algo levando em conta a proteção do meio ambiente, não se esta fazendo aquilo apenas por bonito, mas se está conservando a vida, pois a natureza é que fornece o alimento. É preciso extrair o que precisamos dela, mas de uma forma justa, sem prejudicá-la”.

Robson Possidônio, pescador, aprendiz de canoeiro do Seu Vitor, presidente da Associação de Moradores Originários da Trindade (AMOT) e membro do Fórum de Comunidades Tradicionais. Crédito: Mariana S. Brites/Revista Intertelas.

“Quando você pesca de forma tradicional, ou de forma que vise apenas suprir as necessidades da população, você dá chance ao meio ambiente de seguir sendo preservado, mas quando você industrializa apenas almejando lucro, a tendencia é a destruição. Muito do que é produzido, não é consumido… Mas algumas formas de mercado podem caminhar junto com esta cultura tradicional, como o turismo de base comunitária, onde se trabalha esta área mostrando a sua  ancestralidade”.

Segundo o pescador caiçara, outro problema existente é a falta de compreensão de alguns movimentos ecológicos de preservação que acabam promovendo uma ideia de que o homem e a natureza devem viver separados. “Estas radicalizações tem ocorrido com menos frequência, mas ainda existem pessoas que vêm o mundo separado da natureza, que acreditam que o homem não deve tocá-la. Mas o homem faz parte da natureza, faz parte de um ciclo. É preciso achar um meio termo. O grupo de pessoas que atuam em prol de movimentos socioambientais pensam a relação homem e natureza de uma forma mais real e compreendendo que é preciso caminhar junto, de forma a colaborar um com o outro”.

Ainda segundo ele, iniciativa como o projeto de um filme pode contribuir apenas se as pessoas envolvidas estão com a real intenção de entender aquele mundo que é estranho a elas, sem prejulgamentos, estabelecendo um diálogo importante e construtivo. Nesta mesma linha, a socióloga, psicóloga com pós-graduação em antropologia social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretora do Instituto E Nina Braga, no debate realizado após a exibição do filme lembrou que a falta de diálogo entre instituições de preservação e as comunidades tradicionais é a raiz de toda o ruído que se cria entre estes dois lados.

“O papel das unidades de conservação é importante especialmente em momentos históricos que pedem por uma atuação mais enérgica contra o avanço indiscriminado de forças de mercado como a especulação imobiliária, que trabalham em conjunto às vezes com organizações criminosas. Em um momento atual do país de total desgoverno é necessário ter cuidado em criticar as unidades de conservação. É preciso ter diálogo com estes órgãos”. Ela deu um exemplo ao falar sobre a proibição completa pelo Ibama do uso da pele pirarucu, o maior peixe de água doce da Amazônia e que estava em ameaça de extinção”.

Nina Braga, socióloga e psicóloga com pós-graduação em Antropologia Social pela UFRJ e diretora do Instituto E. Crédito: Mariana S. Brites/Revista Intertelas.

“O Instituto Mamirauá conversou com o Ibama e propôs uma metodologia de manejo sustentável do pirarucu em 1999. De lá pra cá, o estoque desta espécie na Amazônia cresceu 427%, gerando vários subprodutos e um deles é a pele que a marca de moda brasileira Osklen foi pioneira no seu uso. Ainda foi gerado 30% de renda para os ribeirinhos, sem falar que o método tem desmatamento zero. Este canal de comunicação precisa ser criado entre as instituições de preservação e as comunidades como os caiçaras que tem um modo de vida ambientalmente e socialmente mais correto por ter um equilíbrio perfeito entre o mar e a terra”.

Braga participou do filme “Vento Contra” (1981) de Adriana Mattoso, documentário que já naquela época buscava registrar esta luta dos caiçaras. O título também serviu como parte das pesquisas de Gélio para o seu curta atual. Conforme o conservador-chefe da Cinemateca do MAM Rio Hernani Heffner a tradição do cinema de tentar apresentar e documentar cenas de populações e outros grupos que buscam contestar os resultados do chamado progresso e modernidade é algo que vem desde os primeiros anos de existência da sétima arte.

“Vento Contra” (1981) de Adriana Mattoso. Crédito: Coisa de Caiçara.

“Mesmo que de forma contraditória, pois o cinema também é o resultado de uma vida industrial e moderna, é justamente através dele que se busca preservar a memória deste passado ancestral para as gerações seguintes. Nossa sociedade por décadas cultuou a ideia do progresso acreditando que o antigo era primitivo e limitado, sem valor algum”.

Hernani Heffner, conservador-chefe da Cinemateca do MAM Rio. Crédito: Mariana S. Brites/Revista Intertelas.

“Pois, justamente no século XXI, chega-se a questão central de que talvez os caiçaras e outras comunidades equivalentes tenham compreendido muito antes o que a maioria não entendeu e acabaram rejeitando este progresso, conservando uma escolha de estilo de vida que tenha um relacionamento mais saudável com a natureza. A tradição do documentário cinematográfico, o começo de história deu-se justamente diante do questionamento da certeza preponderante de que a modernidade e industrialização são superiores ao antigo em filmes como “Nanook, o Esquimó” (1922), de Robert Flaherty”.

“Mas também no âmbito nacional até antes por volta de 1914, 1915 e 1916, com o documentário feito no Brasil, que registrou a construção de canoas, este meio de transporte natural e rústico, seja com Luiz Thomaz Reis da Comissão Rondon, que não teria conseguido conhecer e absorver a cultura de vários povos indígenas do Brasil tanto no norte, quanto no centro-oeste, sem o auxilio da canoa. Silvino Santos, ainda no tempo do cinema mudo, também prova esta tendência ao fazer o filme “No País das Amazonas” (1922), onde há uma sequência importante da construção de uma canoa”.

“Mesmo Orson Welles quando esteve no Brasil, chega interessado na viagem de Fortaleza ao Rio ( que chama de epopeia homérica) que estes faziam, sem saber ler, ou usar um instrumento de navegação marítimo. O filme foi terminado após a sua morte e trata-se de um registro que só é possível graças a estes que fizeram cinema nesta época. Welles até em entrevistas para uma revista inglesa salientou que o primitivo era o correto. Toda esta tradição cinematográfica reflete hoje neste filme do Leonardo que segue dizendo que há alguma coisa errada com esta era industrial e é preciso repensar sobre o desequilíbrio que ela causou”.

O doutor em letras e professor de comunicação social na PUC-Rio  Sergio Mota (dir.). Credito: Mariana S. Brites/Revista Intertelas.

Por fim o doutor em letras e professor de comunicação social na PUC-Rio  Sergio Mota encerrou as falas e o evento, dando inicio para o debate com espectadores presentes. De acordo com ele, “Dos antigos aos filhos do amanhã” é uma operação historiográfica entre documentarista e historiador. No filme há um valor histórico, antropológico e etnográfico, pois conjuga diversas temporalidades e discursos do passado. “É um trabalho muito significativo, ainda mais em tempos que a memória vem sendo constantemente legada a um espaço sem importância. Há três narrativas no filme: uma contextual, onde se constrói a relação entre a vida desta comunidade caiçara e o mundo político, econômico e social, outra de como uma noção de descendência é inserida neste contexto desde o manejo da floresta e do aprendizado da sobrevivência e, por último, tem-se a mudança para uma narrativa pessoal, mostrando o cotidiano da comunidade, visando compreender o passado e seus ensinamentos para o mundo de hoje”.

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