“Estrela Vermelha”, obra de Aleksandr Bogdanov, é traduzida para o português brasileiro

O autor Aleksandr Bogdanov. Crédito: Fact Republic.

Chegam ao mercado literário brasileiro duas traduções da obra clássica de ficção científica do escritor bielorrusso Aleksandr Bogdanov, “Estrela Vermelha” (Красная звезда – 1908), que versa sobre uma sociedade comunista em Marte. Bogdanov foi um revolucionário bolchevique, cientista, economista, filósofo, médico, poeta e escritor de ficção. A editora Boitempo lançou uma tradução do clássico, em versão impressa e digital, feita diretamente do russo por Paula Vaz de Almeida e Ekaterina Vólkova Américo, que também assinam o prefácio e situam a obra de Bodgdánov na confluência entre o momento histórico e o gênero da utopia no século XX. Esta edição ainda conta com texto de orelha de Pedro Ramos de Toledo e capa de Rafael Nobre.

Já a editora Nova Cartola lançou em 9 de julho, no site Catarse, uma campanha de financiamento coletivo para a tradução para o português de Thais Rocha, com edição de Alec Silva e Rodrigo Barros. Esta será a primeira obra traduzida da editoria que pretende, no futuro, trazer ao seu público mais títulos clássicos de escritores estrangeiros. “É com um imenso prazer que apresentamos a nossa primeira obra traduzida. O foco da Cartola Editora sempre será o autor nacional, descobrindo novos valores e fortalecendo o cenário da literatura brasileira. No entanto, nós decidimos que, sempre que possível, traremos aos nossos leitores obras clássicas, não só de escritores brasileiros, como também de escritores publicados no mundo inteiro. E esse é só o primeiro“, salientam os organizadores da iniciativa.

Segundo informações do site da Nova Cartola, além da obra de Bogdanov, a publicação contará ainda com uma minibiografia do autor, algumas ilustrações e notas explicativas. “O livro está em processo de tradução, portanto, não possui ainda diagramação, porém terá uma média de 230 páginas, capa dura e miolo pólen de 80g. Uma edição exclusiva que estará disponível apenas durante o financiamento coletivo“, explicam os editores.

Conforme informações do Nova Cartola, o romance descreve a história de Leonid, um cientista revolucionário russo que viaja à Marte para aprender e experimentar a sua ideologia de um sistema socialista. Durante a viagem, ele se apaixona pelas pessoas e pela eficiência tecnológica que encontra neste novo mundo. O protagonista que também é o narrador da história, é um dia visitado por Menni, um marciano disfarçado no planeta Terra. Menni convida Leonid para ajudar em um projeto destinado a estudar e visitar outros planetas, como Vênus e Marte. 

A primeira edição deste trabalho foi publicada em São Petersburgo, em 1908. Em 1913, Aleksandr Bogdanov escreve a sequência intitulada “O Engenheiro Menni”, que detalhava a criação da comunidade comunista em Marte, ocorrendo cronologicamente antes da história retratada em “Estrela Vermelha”. A obra tinha chances de tornar-se um trilogia, mas o falecimento do autor em 1920 impediu estes planos, tendo Bogdanov deixado apenas um poema chamado “Um Marciano Encalhado na Terra , que seria um esboço do conteúdo para a terceira parte. O livro foi adaptado para o teatro em 1920 e só foi novamente reeditado em 1979, em uma versão adaptada para uma coleção de ficção científica, conforme descreve a Nova Cultura. 

Crédito: Edição russa do “Estrela Vermelha” (1908), de Aleksandr Bogdanov. Crédito: https://ru.bidspirit.com/

Aleksandr Bogdanov nasceu na Bielorrússia, em 22 de agosto de 1873. Segundo a editora Boitempo, ele escreveu diversos artigos e tratados célebres, com destaque para seus estudos sobre a tectologia, sendo pioneiro nos experimentos com transfusão de sangue.

Em “Estrela vermelha(1908) usou de seus conhecimentos em diversas áreas para estrutura sua detalhada construção literária de uma sociedade socialista, científica e igualitária – em Marte. Batizado como Aleksandr Malinovski, ainda era estudante de medicina quando foi exilado por cinco anos, em virtude do seu ativismo político anti-czarista. Durante o exílio, conheceu e casou-se com Natalia Bigdanova Korsak, assumindo o pseudônimo Bogdanov.

Em sua volta ao país, retornou à medicina, sem abrir mão do ativismo político. O cientista uniu-se ao Partido Bolchevique em 1903. Contudo, resolveu afastar-se da política, à medida que as divergências acentuaram-se com as principais lideranças. 

Aleksandr Bogdanov joga uma partida de xadrez com Vladimir Lenin. Crédito: História Blog.

Conforme a Nova Cultura, o livro de Bogdanov percorreu o mundo e acabou por influenciar outros autores, como o estadunidense Kim Stanley Robinson, conhecido pela premiada obra “Trilogia de Marte”, que tem como protagonista Arkady Bogdanov, em uma clara homenagem ao escritor bielorrusso. A primeira tradução da obra foi publicada em Frankfurt, na Alemanha, em 1929, sendo reimpresso em 1972 e 1974, com o título “Der rote stern”. Duas novas versões da obra seriam lançadas no país posteriormente.

Em 1982, sob o título “Der rote stern: ein utopischer”, traduzida por Hermynia zur Mühlen e, em 2016, retomando o título de 1929, uma outra tradução viria a público, feita por Josef Meinolf Opfermann. Uma versão em esperanto, “Ruĝa Stelo”, também foi lançada em 1929, na cidade independente de Lípsia, no estado da Saxônia, no mesmo país. A tradução foi realizada por Nikolaj A. Nekrasov, e publicada pela Sennacieca Asocio Tutmonda Eldonafako Kooperativa.

Tradução alemã do “Estrela Vermelha”. Crédito: AbeBooks.

Em 1984, o livro foi traduzido para o inglês como “Red Star: The First Bolshevik Utopia”, com o trabalho de Charles Rougle. Essa versão, publicada sob a chancela da Universidade de Indiana, foi editada por Loren R. Graham e Richard Stites, repetindo o trabalho de outras antologias, publicando no mesmo livro “Estrela Vermelha” e “O Engenheiro Menni”, e adicionando ainda o poema “Um Marciano Encalhado na Terra”. Conforme a Nova Cultura, outras traduções surgiram ao longo dos anos, como a versão em espanhol, “Estrella Roja, publicada em 2010 e novamente editada em 2016. “O Engenheiro Menni” também foi traduzido para diversas línguas. No entanto, assim como seu antecessor, não possuia uma versão em português, até agora.

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