Estudantes brasileiras participam do concurso internacional “Revivendo as tradições de hospitalidade dos povos do BRICS”

Vídeo sobre a cultura e tradições brasileiras para celebrar o Ano Novo disputa o prêmio no concurso internacional online de vídeos “Revivendo as tradições de hospitalidade dos povos do BRICS”. Crédito: print vídeo Brazil´s Réveillon.

Concurso Internacional de Vídeo Online Возрождение традиций гостеприимства народов БРИКС (Revivendo as tradições de hospitalidade dos povos BRICS) foi uma iniciativa que buscou promover uma aproximação cultural entre os cinco países do BRICS, onde coloque em evidência as tradições e costume de hospitalidade de cada nação. Desta forma, pretendeu-se impulsionar um melhor entendimento mútuo e estabelecer laços interpessoais de amizade, visando resgatar as tradições culturais dos povos BRICS, preservando e popularizando os costumes e rituais.

Igualmente, almejou-se impulsionar o potencial criativo como base para a compreensão mútua, a comunicação interpessoal e interétnica produtiva. O evento foi promovido pela organização pública russa BRICS: Mundo das Tradições, parceira da Revista Intertelas, com o apoio do Ministério da Cultura da Federação da Rússia, do Conselho da Federação da RússiaRossotrudnichestvoFundação de Caridade de Oksana Fedorova “Pressa para fazer o Bem”Clube de Negócios “Território do Sucesso”Moscow State Stroganov Academy of Design and Applied Arts, embaixadas dos países BRICS na Rússia, missões diplomáticas da Rússia nos países da Aliança e parceiros da Organização dos países BRICS.

Para mais informações sobre o concurso e enviar o seu vídeo clique no folder. Crédito: BRICS: Mundo das Tradições.

Assim, o evento incentivou a produção de vídeos de 2 a 5 minutosem russo, ou inglês, que explorem temas como: cerimônias e celebrações de casamento tradicionais; celebrações familiares (aniversário de casamento, comemorações de aniversário de membros da família, dia das mães, dia dos pais, dia da família, amor e fidelidade); celebrações tradicionais do Ano Novo nos países do BRICS; vídeos com histórias sobre hospitalidade e tradições culinárias dos povos BRICS podem ser criados individualmente ou em equipe (não mais do que 3 pessoas).  Estão aptos a participar jovens (idade de 18 a 27), estudantes e graduados (universidades) e os adultos dos países do BRICS (idade de 30 a 55 anos).

Da parte do Brasil, as estudantes Luiza Maria Martins e Camyla Pereira, ambas de 21 anos, participaram com um vídeo sobre a comemoração tradicional brasileira do Ano Novo. Luiz Martins é graduanda de relações internacionais e integração da Universidade Federal da Integração Latino-americana (UNILA), pesquisadora associada do Núcleo de Estudos Estratégicos, Geopolítica e Integração da UNILA (NEEGI/UNILA), do Centro de Estudos Asiáticos da Universidade Federal Fluminense (CEA/UFF), do Grupo de Estudos sobre os BRICS da Universidade de São Paulo (GEBRICS/USP) e do Observatório dos BRICS e das Relações Sul-Sul (UNILA). Já Camyla Pereira é estudante do último ano de design digital na PUC-Campinas e também é ilustradora e edição de vídeos e animação (Acompanhe o trabalho de Pereira no Instagram). Elas aceitaram conversar com a Intertelas sobre a participação no concurso, a importância da mídia e da cultura para as relações internacionais e a necessidade de mostrar um Brasil mais verdadeiro no exterior. A entrevista você confere abaixo.

Como foi o processo de fazer o vídeo?
Luiza: Já tinha trabalhado com a Camyla em outro projeto em vídeo, e sou uma grande fã dos trabalhos dela, que está formando-se em Design. Automaticamente, convidei-a para produzir comigo, tendo plena confiança nas propostas. Fiquei com a parte da pesquisa sobre o tema, com a estruturação do roteiro e com a voz. Ela trabalhou na curadoria de imagens, sons, e na animação da introdução. Tudo casou perfeitamente, com bastante sutileza.

Camyla: Primeiro fizemos uma discussão sobre qual seria o tema do vídeo. O segundo passo foi a gravação dos áudios. Então passamos a procurar vídeos que ilustrassem a cultura de ano novo brasileira. Por último foi a edição: cortamos os vídeos, juntamos todos e escolhemos uma música conhecidíssima no Brasil.

O tema escolhido pelas estudantes foi abordar a tradição única brasileira de celebrar o Ano Novo. Crédito: print vídeo Brazil´s Réveillon.

O que fez vocês participarem do concurso?
Luiza: Faço parte de alguns grupos de estudos asiáticos: Observatório dos BRICS e das Relações Sul-Sul (UNILA), GEBRICS (USP), CEA (UFF) e IEÁsia (UFPE). Meu objeto de estudo prioritário é o BRICS. Ano passado, tive a oportunidade de organizar o I Festival de Cinema dos BRICS da UNILA, e me apaixonei ainda mais pela relação entre audiovisual e relações internacionais. Após ver a divulgação aqui no site da Intertelas, fiquei com vontade de contribuir para esse campo de uma forma mais prática, saindo um pouco dos livros e colocando a mão na massa.

Camyla: Recebi um convite da Luiza para participarmos juntas. Mas além disso, a visibilidade internacional despertou-se o interesse, além de poder compartilhar a cultura do Brasil.

Martins e Pereira salientaram o costume brasileiro de comemorar o Ano Novo nas praias. Crédito: print vídeo Brazil´s Réveillon.

As relações culturais entre os países dos BRICS é uma área ainda pouco explorada. Acham que inciativas como estas ajudam uma aproximação dos países do grupo?
Luiza: Com certeza! No cenário internacional de hoje, que é no mínimo estranho, acredito que todas as formas de cooperação e aproximação entre os BRICS é extremamente necessária. Existem muitos evento promovidos para essa aproximação, mas a maioria é voltado para a academia. Ter essa abertura para a sociedade civil dos BRICS é muito enriquecedor e contribui ativamente para o fortalecimento do grupo.

Camyla: Sim! O compartilhamento de diferentes costumes pode despertar o interesse de mais pessoas.

Assista ao vídeo de abertura do I Festival de Cinema do BRICS da UNILA, que Luiza Martins também organizou e a Revista Interterlas participou nos debates promovidos

Muitos especialistas afirmam que a imagem que os países dos BRICS têm de si são formadas por uma perspectiva advinda de nações que não fazem parte do grupo, como os países europeus e o EUA. Acham que esta afirmação é correta?
Luiza: Sim, nosso conhecimento é muito colonizado em razão das relações de poder estabelecidas. Por isso, a promoção de concursos e eventos desse caráter de reivindicação das tradições nacionais, a partir dos olhos de quem as vive, é muito importante. É uma movimentação contra hegemônica no campo cultural.

Camyla: Sim! A imagem que o Brasil, por exemplo, tem de si envolve muito a cultura norte-americana. Isso talvez por conta do mundo globalizado atual. Contudo, a cultura nacional também é muito diversa e interessante, falta, talvez, incentivos e estímulos para a valorização da cultura nacional.

Para muitos estudiosos das relações internacionais, a cultura e a mídia não são áreas estratégicas para estudo, como vocês avaliam esta afirmação?
Luiza: É difícil compreender o sistema internacional contemporâneo e as relações entre os atores sem pensar a história e os instrumentos de poder – dois fatores que são praticamente denominadores comuns em todas as teorias da área. A cultura e a mídia são partes desses elementos. Os principais atores internacionais já assimilaram a cultura e a mídia há tempos, e as usam como ferramentas em suas estratégias políticas e econômicas: Guerra do Golfo, Guerra ao Terror, Primavera Árabe, a Hallyu.

O trabalho da professora Cristine Koehler Zanella e do professor Edson José Neves Júnior, “As Relações Internacionais e o Cinema” (que terá o lançamento do volume 3 no próximo dia 30), mostra como a mídia e a cultura são cruciais para os estudos estratégicos, defesa, política e economia. Em termos chomskyanos, pensar o audiovisual nas relações internacionais a partir do Sul Global é necessário para não sermos um rebanho desordenado, guiado pelo consenso hegemônico.

Camyla: Não concordo. Acredito que a cultura e a mídia podem contribuir para o estudo, principalmente pelas mídias serem de fácil acesso.

A editora Fino Traço vai publicar o terceiro volume da série “As Relações Internacionais e o Cinema”. Para saber mais deste e os volumes anteriores, acesse o site da editora (clique na figura do livro). Crédito: Fino Traço.

Qual a avaliação de vocês do concurso e quais sugestões teriam para iniciativas futuras?
Luiza: O concurso foi muito bem pensamento e trouxe uma temática muito importante para as vozes dos BRICS. O governo da Rússia sempre articula de forma precisa nas iniciativas pró BRICS na sociedade civil e na academia. Apesar do foco do governo brasileiro ser outro, seria bacana ter mais iniciativas como essa por aqui.

Camyla: O concurso é muito bom, a proposta é incrível! Talvez seja necessário mais investimento na parte de divulgação para que mais pessoas saibam e participem!

Assista ao vídeo abaixo em inglês

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por Anders Noren

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