Em 1945, os russos salvaram a Europa de si mesma: não fomos perdoados por isso

Crédito: Max Alpert/RIA Novosti.

Existem milhões de pessoas no mundo que acreditam que os estadunidenses venceram a Segunda Guerra Mundial. Bem, e também os britânicos que se juntaram a eles. Milhares de livros, filmes, sites, museus, livros de história dizem que o principal evento da guerra não foi a Batalha de Stalingrado, nem a Batalha de Kursk – mas, por exemplo, o desembarque de um contingente limitado de aliados na Normandia . Ou ainda pior – a “encantadora” iniciativa britânica em Dunquerque.

Milhões de pessoas estão convencidas de que a Segunda Guerra Mundial foi encenada por Stalin e Hitler juntos. Jovens alemães acreditam que, no final da guerra, as cidades alemãs foram transformadas em pó por pilotos soviéticos. Todos esses mitos não provêm apenas da ignorância. Eles foram propositalmente martelados nas cabeças da população da Terra por propagandistas ocidentais.

O domínio das plataformas da Internet deu a essa propaganda uma escala antes impensável. Pesquise no Google a frase “soldados soviéticos em Berlim” em russo ou inglês. As notórias “mulheres alemãs estupradas” estarão nos primeiros lugares na busca. Parece que os “parceiros ocidentais” continuam a ser atormentados por dores fantasmagóricas três quartos de século depois que as tropas soviéticas entraram em Berlim . Com ferocidade crescente, eles estão tentando tirar nossa Vitória de nós e repetir tudo de novo. Mesmo o tempo não cura suas feridas. Por quê? O fato é que a verdadeira história da Segunda Guerra Mundial foi vergonhosa para nossas contrapartes. No início, as elites ocidentais alimentaram – material e espiritualmente – o regime hitlerista. O Fuhrer tomou emprestada a teoria do racismo na Inglaterra , empréstimos e gasolina – nos EUA , o cenário do regime – da filosofia e da cultura europeias clássicas.

Ao mesmo tempo, as mesmas elites corromperam a população subordinada com o ideal nazista. Não, não foi apenas na Alemanha que eles acreditaram na superioridade da raça branca. Exatamente os mesmos sentimentos durante aquele período foram repercutidos, por exemplo, nos Estados Unidos, onde milhões de afro-americanos eram regularmente abusados, os japoneses eram internados, e os judeus foram perseguidos. Muitos europeus civilizados voluntariamente, alistaram-se no exército do Terceiro Reich e levaram sua “civilização” para o Oriente. No processo, milhões de europeus – não apenas alemães – participaram das atrocidades cometidas nos territórios ocupados da URSS . Essa orgia de crimes sangrentos está bem documentada. Na foto, representantes da civilização europeia em toda a sua glória posam ao lado dos cadáveres dilacerados de mulheres e crianças soviéticas.

O primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain assina um acordo Hitler em 1938. na República Tcheca hoje o fato histórico é conhecido como a “Traição de Munique”. Crédito: Domínio Público/NY Times.

Curiosamente, os “progressistas” destruíram não apenas os eslavos de “segunda categoria”, mas também seus próprios cidadãos. Os alemães massacraram os alemães, bastava ser membro do Partido Comunista ou ter uma mistura de sangue judeu. Eles bombardearam impiedosamente não apenas cidades soviéticas, mas também britânicas. Os britânicos e americanos responderam, varrendo as cidades alemãs da face da terra.

Untermensch é um termo da ideologia nazista usado para descrever “povos inferiores”, especialmente “as massas do Leste”: judeus, ciganos, polacos, sérvios, outros povos eslavos como russos e bielorrussos, e quaisquer outros não enquadrados na “raça ariana”. Crédito: Wikipedia.

Por vários anos, a Europa pareceu devorar-se, e apenas os soldados soviéticos pararam esse massacre sangrento. Caso contrário, a impressão é que os ocidentais “civilizados” teriam exterminado a si mesmos até o fim. Tudo terminou em uma derrota terrível e vergonhosa. Além disso, os “bárbaros” soviéticos superaram completamente os europeus, tanto militar, quanto economicamente. A vitória da URSS demonstrou a superioridade incondicional da civilização russo-soviética sobre a loucura em que o então Ocidente mergulhou em massa.

Realmente foi uma época em que nosso povo multinacional e multiconfessional percebeu-se como um todo. E ele apresentou ao mundo o mais alto padrão de valores morais. Em maio de 1945, a não aquisição, a misericórdia e o auto sacrifício derrotaram o regime, que elevou a ganância e a crueldade a um culto. Os soldados soviéticos encontraram forças para não se vingar dos europeus por seus crimes. Nossa superioridade civilizacional foi claramente demonstrada e o mundo inteiro notou.

Tudo isso foi extremamente desagradável para as elites ocidentais. Eles começaram a desculpar-se rapidamente pela figura de Hitler e apresentá-lo como se ele fosse uma espécie de louco incompreensível, um monstro, “cujo nome não pode ser pronunciado”, e contra quem, supostamente, sempre lutaram. Na verdade, eles lutaram ao lado dele e perderam junto com ele, em 1945. E os russos continuaram sendo o principal inimigo. Antes do fim da guerra, o líder britânico dos aliados, Winston Churchill, já havia iniciado a Operação Unthinkable (Impensável), planejando cooperar rapidamente com os americanos e atacar inesperadamente as tropas soviéticas. Em seguida, houve o bombardeio de Hiroshima e Nagasaki, o discurso de Fulton. A União Soviética foi oficialmente declarada inimiga estratégica.

Crédito: domínio público.

Uma guerra de informações tediosa, exaustiva e interminável começou. Professores universitários, historiadores uniformizados, jornalistas e roteiristas martelaram maciçamente mentiras descaradas na cabeça das pessoas ao redor do mundo. Durante décadas, eles convenceram o público de que os campos de trabalho na URSS não eram diferentes dos campos de extermínio da Alemanha, e que a política pacificadora de Stalin, que lutava para adiar a guerra, vinha da agressão de Hitler. Khatyn foi apagado da memória da humanidade e uma farsa sobre Katyn foi imposta. Milhões de vítimas inocentes da Segunda Guerra Mundial foram traídas e mortas novamente. Elas foram apagadas da memória histórica com todas as suas forças.

Filósofos especiais lançaram o termo “totalitarismo” para igualar comunismo e fascismo. A princípio parecia loucura: o mundo inteiro viu como comunistas e fascistas colidiram em uma batalha mortal. Mas “quanto mais monstruosa (maior) a mentira, mais prontamente eles acreditam nela“. Goebbels sabia o que estava dizendo e os propagandistas ocidentais revelaram-se serem bons alunos (nota da tradutora: na realidade a frase é creditada a Hitler e está presente no livro “Minha Luta” de sua autoria, no momento que ele explica a técnica de propaganda de cunho política a grande mentira) . A força do povo russo continuou a preservar a memória da Grande Vitória, mesmo quando o país estava desintegrando-se. Ela nos salva até agora. Não é por acaso que a primeira coisa que se exigiu das nações que tentaram aderir ao projeto europeu foi difamar a memória da guerra. Na verdade, lituanos, estonianos e ucranianos foram convidados a renunciar ao feito de seus ancestrais e passar para o lado dos perdedores.

Os povos desses países não precisavam absolutamente de tudo isso, assim como o “Drang nach Osten” de Hitler (nota da tradutora: expressão utilizada pelos alemães nos séculos XIX e XX que resume a política de expansão do movimento nacionalista alemão para o Leste Europeu e colonização dos povos eslavos) não era necessário aos povos da Europa. No entanto, as elites locais decidiram que esta era uma troca lucrativa. Nós lhe damos a memória de seus ancestrais, você nos dá uma tranche (empréstimos) e uma base da OTAN.

Expulsão de polacos após a Invasão da Polónia, em 1939, para dar lugar a colonizadores alemães. Crédito: Wikipedia.

No entanto, as ex-repúblicas soviéticas pagaram um preço terrível por sua abdicação e marchas nazistas: elas simplesmente começaram a morrer. Se você olhar para seus dados demográficos, eles não diferem nem do melhor período dos tempos da Segunda Guerra Mundial.. A impressão é que, tendo abandonado a vitória histórica, a nação se condena à destruição. O significado da existência está perdido. Qual é o benefício da guerra cultural – os parceiros ocidentais não precisaram de nenhuma divisão de tanques ou bombardeios. Privada do sentido da existência, a população dos territórios limitróficos cometeu suicídio em massa: dispersou-se e morreu na desesperança geral. As pessoas começaram a matar no sentido literal da palavra – com veteranos e parentes no Dia da Vitória em Donbass sob o fogo de seus próprios compatriotas.

Existem colaboradores em qualquer guerra, e a guerra informacional e cultural não é exceção. É preciso dizer que nosso povo tinha uma forte imunidade. Ele rapidamente mandou todo o lixo pseudocultural produzido pela quinta coluna para a lata de lixo da história. Gritos como “beberia o bávaro” e “choveria cadáveres” estão hoje enterrados com segurança no cemitério de memes da Internet. Mas esta guerra ainda não acabou. Talvez algum dia a Grande Guerra Patriótica seja chamada de uma nova guerra de cem anos. O que quer que você chame – híbrido, informativo, mental – ainda não acabou. Ainda estamos lutando por Moscou e Berlim. Assim como há oitenta anos, não lutamos pelos iates de outra pessoa, mas por nossos filhos. Para eles não se transformarem em “Kolia de Urengoi” (clique aqui para entender). Para eles viverem em paz, por muitos anos e felizes. Para eles apenas viverem.

Ao mesmo tempo, estamos salvando novas gerações de países ocidentais. De propaganda ensurdecedora, de estupefação, de confronto imposto, de se tornar bucha de canhão na próxima guerra, que as elites ocidentais tanto sonham em desencadear. Os russos geralmente salvam a todos para sempre. O que teria acontecido com a sua Europa se nossos ancestrais não tivessem lá chegado no ano de 1945?

Fonte: Texto originalmente publicado em russo no site do Ria Novosti.
Link direto: https://ria.ru/20210509/pobeda-1731477522.html

Victoria Nikiforova
Articulista do Ria Novosti

Tradução livre do russo para o português e adaptação: Alessandra Scangarelli Brites, editora da Revista Intertelas

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