Brasil marca presença na exposição “No Estamos Bien Y Está Bien”, composta por trabalhos sobre a quarentena no México

Crédito: Galeria Tándem.

A jovem galeria Tándem, localizada no Cidade do México, vai realizar a abertura/inauguração de sua mais nova iniciativa: a exposição “No Estamos Bien Y Está Bien”, nos dias 15 e 16 de maio. O público da capital mexicana poderá, mediante agendamento de visita, desfrutar até julho de obras que abordam a temática da quarentena, após um ano de isolamento e confinamento. O Brasil será representado por Hélio Vianna, internacionalista e artista plástico, que teve seu trabalho de título “Cause, teacher, there are things that I don’t want to learn” (2020) aprovado pela convocatória realizada a artistas residentes na capital do país.

A pandemia propagou impactos grandes para a classe artística em todo o mundo, com o fechamento temporário, ou até definitivo, de espaços para exposições. “A galeria já realizou dois eventos e tem ótimas perspectivas para o futuro. O trabalho promove uma oportunidade única para os artistas neste momento tão difícil“, explica Vianna.

Crédito: Galeria Tándem.

Ana Gabriela Navarro e Cristina Vargas são duas amigas, artistas e formadas em artes visuais e gestão Cultural. Segundo divulgam no Instagram oficial da galeria Tándem, durante sua formação acadêmica tiveram a oportunidade de: “entrar e aprender sobre a dinâmica com que operam grandes galerias e o mercado de arte em geral. Preocupamo-nos em reconhecer as limitações que existem para fazer parte destes espaços, principalmente por sermos tão jovens e inexperientes, mas ansiosos por mostrar o nosso trabalho. Isso nos motivou a gerar projetos que incluíam pessoas como nós; jovens artistas, independentes, em formação ou recém-licenciados. Foi assim que criamos o TANDEM; Queremos que qualquer pessoa que pretenda expor e vender o seu trabalho o possa fazer, independentemente da sua idade, formação, trajetória ou experiência“.

Em entrevista à Revista Intertelas, Vianna enviou uma explicação e reflexão sobre seu quadro a ser exposto na “No Estamos Bien Y Está Bien”, confira abaixo:

Só quem já estudou diferentes áreas, mudando de carreira radicalmente e iniciando uma nova graduação depois de já ter feito pós em outra área (e partir pra um mestrado em uma terceira área de conhecimento) entende a loucura que é administrar uma estante de livros, cadernos e apostilas. Estudei muita coisa na vida, desde as fórmulas de química e matemática do nível médio escolar, até direitos humanos, armas nucleares e gestão cultural na universidade, sem contar as incontáveis línguas para meu projeto de artes.

Um dia, organizando meus cadernos antigos, vi a quantidade de informação anotada que acumulei e passei a me questionar a necessidade daquilo. Então, comecei a reproduzir neste quadro um pouco de cada caderno, as minhas anotação das mais diversas aulas: direito constitucional, matemática, conjugação de verbos em russo, as horas em coreano… muitas informações que em alguma fase da vida me foram úteis, mas que nem sempre seguirão sendo.

“Cause, teacher, there are things that I don’t want to learn” (2020), por Hélio Vianna. Crédito: arquivo pessoal.

Essa mania pós-moderna de sermos ‘todólogos’, essa obrigação de “saber de tudo” nos escraviza a um ponto em que nem sempre percebemos. Foi no contexto da pandemia, em confinamento, que passei a me questionar sobre isso. Pensava “de que serve aprender Náhuatl se não posso nem sair de casa, visitar ‘un pueblo indígena e fazer uso do que estou estudando? Qual a utilidade de saber isso se não tenho com quem discutir e não aguento mais os fóruns por videochamada.

Pintei sobre uma tábua que havia servido de letreiro em algum lugar que não pude identificar e que encontrei no lixo. Levei pra casa, restaurei, limpei e usei o fundo como base para jogar mais cores. Não sabia aonde queria chegar. Depois de tantos quadros hiperplanejados, com rigidez na seleção do repertório escrito a ser pintado, pintar esse foi um refresco, relaxante, deixar a coisa mais livre, as ideias de última hora sendo aplicadas sem muita reflexão. Foi um trabalho muito mais instintivo. E durante as semanas que passei trabalhando nele, foi quando ouvi uma musica do George Michael que tocou na rádio (‘One more try’) e comecei a cantar o refrão junto (para desespero dos meus vizinhos), que tomei o título do quadro“.

Assista no vídeo abaixo uma mostra do processo de trabalho do artista Hélio Vianna

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