Kamikawa Yoko ressalta a importância das mulheres na governança global, em reuniões com autoridades latino-americanas no G20

A ministra das Relações Exteriores do Japão, Yōko Kamikawa. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

Uma das poucas autoridades femininas presentes na primeira Reunião de Chanceleres do G20, cuja atual presidência está sob comando do Brasil, a ministra das Relações Exteriores do Japão, Kamikawa Yoko, salientou a importância da participação das mulheres na tomada de decisões nas questões da agenda internacional. Em especial: na solução de conflitos; no combate às desigualdades, à fome e às mudanças climáticas; no fomento das reformas de instituições que regem a governança global; e na promoção do desenvolvimento sustentável.

Tais questões são temas que o governo brasileiro estabeleceu como prioridades para esta edição do fórum. Assim, Kamikawa encorpou o couro para o fortalecimento de uma perspectiva também feminina para a política internacional. Confira os principais pontos debatidos nas reuniões com as autoridades da América Latina.

Bolívia: 110º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas e 125º aniversário da imigração japonesa

No dia 22 de fevereiro de 2024, a ministra das Relações Exteriores do Japão, Kamikawa Yoko, em visita ao Rio de Janeiro para participar da primeira Reunião de Chanceleres do G20, realizou uma reunião com a ministra das Relações Exteriores da Bolívia, Celinda Sosa Lunda. Na oportunidade, a ministra Kamikawa agradeceu as mensagens de solidariedade expressadas pela Bolívia em relação ao terremoto na Península de Noto, ocorrido no início de janeiro.

A ministra das Relações Exteriores do Japão, Yōko Kamikawa. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

Ambas as chanceleres ainda discutiram o fortalecimento das relações bilaterais e o intercâmbio de alto nível entre os dois países, em especial neste ano que marca o 110º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre o Japão e a Bolívia, bem como o 125º aniversário da imigração japonesa para a Bolívia. A ministra Kamikawa expressou o seu desejo de fortalecer o comércio e o investimento em tecnologia avançada com a Bolívia, país rico em recursos naturais como o lítio.

Ela ainda salientou que há boas perspectivas para uma maior cooperação no domínio de energia renovável. A ministra japonesa também destacou a importância histórica que aproximadamente 10 mil nikkeis (imigrantes e descendentes japoneses) tiveram para a vitalização econômica da Bolívia, além do papel importantes que desempenham no intercâmbio entre os dois países.

A ministra Sosa, por sua vez, expressou seu apreço pela cooperação para o desenvolvimento que o Japão tem desempenhado com a Bolívia, ao longo dos anos, e afirmou que ela gostaria de valorizar os laços entre as duas nações através da comunidade Nikkei e cooperar em eventos futuros como a Expo 2025 Osaka, na região de Kansai. Ambas as ministras afirmaram que irão continuar a comunicar entre si suas respectivas abordagens sobre temas regionais e internacionais a exemplo da situação econômica e geopolítica atual do leste asiático, a conflito na Ucrânia e em Gaza.

A ministra das Relações Exteriores do Japão, Yōko Kamikawa. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

Em especial, a ministra Kamikawa enfatizou que um dos principais pontos da política externa atual do Japão é a promoção das “Mulheres, Paz e Segurança” nas discussões internacionais, como a “Conferência Japão-Ucrânia para Promoção do Crescimento Econômico e da Reconstrução”, realizada no dia 19 de fevereiro. Consequentemente, a ministra Sosa expressou o seu desejo de continuar a trabalhar em estreita colaboração com a ministra, valorizando simultaneamente as perspectivas das mulheres.

Em 2000, pela primeira vez na história, o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou por unanimidade a resolução “Mulheres, Paz e Segurança” (WPS, em inglês), que afirma claramente que a paz internacional, a prevenção e resolução de conflitos exigem a participação igualitária das mulheres, a proteção contra a violência sexual e a promoção da igualdade de género.

Brasil: combate à fome, à pobreza e cooperação para empurrar uma reforma das instituições centrais para a governança global

Em reunião com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, a ministra Kamikawa afirmou que está disposta a trabalhar em estreita colaboração com o Brasil nas questões da Ucrânia e do Médio Oriente, a promoção das “Mulheres, Paz e Segurança” nas discussões internacionais, bem como a discussão sobre a necessidade de uma reforma das instituições que regem a governança global.

A ministra das Relações Exteriores do Japão, Yōko Kamikawa. Crédito: Mariana Scangarelli Brites/Intertelas.

Em resposta, o ministro Vieira afirmou que o Brasil, juntamente com o Japão, gostaria de enfrentar desafios urgentes no cenário internacional e liderar a reforma do Conselho de Segurança da ONU, entre outras instituições chaves. A ministra Kamikawa ainda sublinhou a importância da valorização do “Estado de Direito” e da dignidade humana nestes debates estratégicos.

Além disso, a ministra Kamikawa disse que, no âmbito das questões referentes ao meio ambiente e as alterações climáticas, o Japão gostaria de fortalecer ainda mais a sua parceria com o Brasil, com base na cooperação triangular, em medidas contra o desmatamento ilegal, afirmando que o Japão determinou o desembolso de contribuição financeira de 3 milhões de dólares (411 milhões de ienes japoneses) ao Fundo Amazônia, ao qual o Brasil atribui grande importância.

A ministra japonesa e o ministro brasileiro afirmaram o interesse em manter o reforço da comunicação interpessoal e o intercâmbio entre as duas nações, aproveitando o impulso proporcionado pela presidência brasileira do G20, o 130º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre o Japão e Brasil no próximo ano, além da Expo 2025 Osaka, Kansai, na qual o Brasil também participará.

Em diálogo especial, intitulado “Mulheres, Paz e Segurança + Inovação no Rio”, a ministra Kamikawa afirmou que, em meio a crises complexas mundiais, é importante discutir a paz, a estabilidade e a prosperidade como elementos inseparáveis. Ela ressaltou que o combate à pobreza e à desigualdade social, duas grandes ameaças à paz e à estabilidade, é uma questão prioritária no G20.

A ministra disse ainda que gostaria de trocar opiniões com as lideranças femininas que estão ativas em diversos setores da sociedade brasileira, nas abordagens dessas questões. Na sessão estavam presentes: a deputada estadual do Rio Elika Takimoto; a subsecretária da Secretaria de Políticas e Promoção da Mulher da Prefeitura do Rio de Janeiro, Joyce Trindade; a diretoria do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Susanna Kahn; e a instrutora de judô, Silvana Nagai.

Crédito: Facebook Elika Takimoto.

México: aprimoramento na cooperação estratégica em ciência, tecnologia, turismo e cultura

No dia 21 de fevereiro de 2024, a ministra japonesa reuniu-se com a secretária das Relações Exteriores do México, Alicia Bárcena Ibarra. Ela expressou sua intenção de continuar a cooperar para a mitigação dos impactos de desastres naturais no futuro, compartilhando experiências com o México, país que também sofre com terremotos e furacões.  A ministra japonesa afirmou que as reuniões do G20 e da APEC na América Latina proporcionam excelentes ocasiões para fortalecer a relação entre o Japão, a América Latina e o Caribe.

Segundo ela, tais oportunidades fortalecem a parceria estratégica entre os dois países ligados por laços únicos. Por sua vez, a secretária Ibarra salientou o apreço e confiança do México na sua relação com o Japão e que seu país tem expectativas de mais investimentos por parte das empresas japonesas, principalmente tendo em conta a importância do nearshoring (prática de negócios na qual uma empresa contrata serviços ou estabelece parcerias em países próximos geograficamente) e da relocalização, no que diz respeito à mobilidade elétrica e projetos de infraestruturas de grande escala. A secretário mexicana ainda expressou seu desejo de cooperar com o Japão na área de segurança humana.

Neste ano, Japão e México celebram o 20º aniversário do Acordo para o Fortalecimento da Parceria Econômica (APE Japão-México) e o 60º aniversário da criação da Câmara Japonesa de Comércio e Indústria no México. Desta forma, a ministra Kamikawa enfatizou que espera por um maior fortalecimento no intercâmbio humano na área do turismo e acadêmica entre os dois países. Já a secretária Ibarra, concordou que as relações nipo-mexicanas precisam ter melhoras nas áreas mencionadas e, citando o Programa de Cooperação para a Formação de Recursos Humanos, no âmbito da Parceria Estratégica Global entre México e Japão, disse que há bases para uma cooperação mais sólidas entre as duas, nos próximos 50 anos.

Especificamente, o México gostaria de continuar a trabalhar com o Japão nos campos da ciência, tecnologia e cultura, bem como como nas visitas entre os dois países. A secretaria mexicana ainda saudou a política japonesa de promoção de uma diplomacia com perspectiva feminista e manifestou o seu desejo de trabalhar em conjunto na prestação de assistência a países terceiros da região e nas discussões internacionais como no tema da imigração da América Central, levando em consideração as perspectivas das mulheres. Em maio deste ano, a Reunião do Conselho Ministerial da OCDE será presidida pelo Japão e o México atuará como vice-presidente, comemorando o 30º aniversário da sua adesão à OCDE. Kamikawa e Ibarra concordaram em trabalhar conjuntamente, no intuito de garantir o sucesso da reunião.

Com informações fornecidas pelo Centro Cultural e Informativo do Consulado-Geral do Japão no Rio de Janeiro

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