
No objetivo de ser um espaço para uma reflexão mais aprofundada sobre os mais diversos impactos que o comércio exterior tem na sociedade, a ENCOMEX, uma realização da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Brasil, também conhecida como Sistema CISBRA, e da Câmara de Comércio e Indústria do Estado do Rio de Janeiro (CAERJ), em sua edição de 2025, abordou o tema “Brasil e o mundo: uma conexão sem limites”. Realizado em um período que o país formula estratégias para responder ao tarifaço de 50% imposto aos produtos brasileiros pelo segundo governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, o evento apresentou ao público, durante dois dias de programação, 17 e 18 de julho, no auditório do Sebrae/RJ, as inúmeras possibilidades que estão disponíveis à economia brasileira e ao desenvolvimento nacional através da internacionalização e do repensar o papel do Brasil nas cadeias globais de valor.
Participaram da iniciativa autoridades locais, líderes empresariais e especialistas que promoveram debates e apresentaram casos de sucesso, no intuito de demonstrar as potencialidades que existem no Brasil, em especial para quem almeja empreender e promover transformações nas mais diversas áreas. Para além de palestras, parcerias foram realizadas, estratégias no âmbito internacional, nacional e local foram expostas e nomes do comércio exterior brasileiro receberam o prêmio TOP COMEX 2025. O evento foi apresentado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), pelo Ministério do Desenvolvimento, Industria, Comércio e Serviços (MDIC) e pelo Governo Federal; teve patrocínio do Portos Rio, Rio Brasil Terminal e ADVBRio; e foi apoiado pelo Sebrae RJ, Logcomex, Mainô, Ibeu, Multirio, Sindaerj RJ, IPCEAT e pela Agência de Viagens Oficiais, Destination Corp. Confira abaixo alguns destaques da Revista Intertelas que esteve presente no dia 17 de julho.
A participação das mulheres no comércio exterior brasileiro
Nas palavras da diretora administrativa do Sistema CISBRA, Natália Xavier, a Encomex 2025 é hoje um espaço que remove obstáculos e cria pontes, visando projetar o Brasil para um comércio exterior mais inovador, sustentável e inclusivo. “Neste ano, são mais de 20 painéis e encontros técnicos. Nosso prêmio que homenageia as grandes protagonistas desse setor, pela primeira vez, recebeu três certificações ambientais concedidas pelo IPCEAT: o selo de ecoeficiência, o selo de carbono zero e o selo de biodiversidade. Esses selos mostram que é possível crescer com consciência, inovar com impacto positivo e liderar respeitando o planeta”.

Quanto ao Sistema CISBRA, Xavier salientou que este cresceu mais de 75% em número de clientes nos últimos três anos e vem impactando milhares de empresas com serviços de certificação, internacionalização e inteligência de mercado. Contudo, ainda há problemas a serem enfrentados. Segundo ela, não basta crescer, é preciso incluir. E, ao citar um estudo feito pelo MDIC, em março desse ano, sobre a presença de mulheres no comércio exterior brasileiro, observa-se o longo caminho que ainda tem de ser percorrido. “A participação de mulheres em empresas exportadoras passou de 29,2% para 31,8%. Já nas importadoras, de 32,5% para 34,7%, mas apenas 14,5% das exportadoras têm a sua maioria feminina na liderança. E vocês sabiam que somente 2% do total exportado pelo Brasil vem de empresas lideradas por mulheres? Esses números mostram sim uma progressão, um avanço, mas também há um espaço enorme para ser conquistado”, salientou Xavier.
Nesta linha de raciocínio, mencionou o projeto idealizado por ela, “Conquistando o Protagonismo: Mulheres de Sucesso”, que promove ações de capacitação, de reconhecimento e de desenvolvimento de negócios. “A cada encontro, nós ouvimos histórias de superação, criamos conexões e abrimos portas para que mais mulheres possam exportar seus talentos, seus produtos e a sua força”.

Algumas oportunidades de capacitação para micro e pequenas empresas que almejam atuar no mercado internacional
Nas palavras de Antônio Alvarenga, diretor-superintendente do Sebrae Rio de Janeiro, a instituição, com seus 14 escritórios regionais, prestou só no ano passado, mais de 2 milhões de atendimentos. “O Sebrae tem projetos para 90 segmentos de diferentes negócios e dentre essas atividades, nós temos uma área de internacionalização, de negócios internacionais. Essa área está tendo um sucesso muito grande. Já mandamos para o exterior mais de 30 programas de capacitação de micros e pequenas empresas, junto com programas de consultoria para o setor, porque não é fácil internacionalizar… O Sebrae tem várias trilhas de capacitação para micro e pequenas empresas. Além disso, temos missões empresariais no exterior. Já mandamos 300 empresas para o exterior e muitas delas já venderam. Quase praticamente todas elas fecharam negócios efetivos”.


Conforme relatado por Igor Isquierdo Celeste, gerente regional da ApexBrasil, o Sebrae é um parceiro estratégico da agência, em nível nacional. Através de iniciativas como o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), os números de empresas sendo internacionalizadas vem crescendo, mas o desafio ainda é grande. “…apesar de 40% das exportadoras serem micro e pequenas empresas, a gente tem hoje uma representatividade de cerca de 1% do valor exportado pelo Brasil. Então, esse é um desafio relevante”. Segundo ele, a questão logística também tem grande impacto sobre o cenário atual. “Logística é um tema cada vez mais relevante, e precisamos aprimorá-la para a inserção internacional. Da pandemia para cá, a complexidade logística duplicou, triplicou. Esse já era um desafio histórico nosso, do ponto de vista de comércio exterior, mas que vem cada vez mais tendo força na nossa inserção”.

Para Celeste, no contexto de hoje, com o posicionamento do governo dos Estados Unidos em relação ao tarifaço anunciado para entrar em vigor no 1 de agosto, é preciso unir esforços e incentivar a negociação para tentar reverter o quadro negativo. “Os Estados Unidos hoje é o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Eles representam 15% de tudo que a gente importa e 12% de tudo que a gente exporta. E, para além disso, 25% de todo o estoque de investimento direto na economia brasileira vem dos Estados Unidos”.
No entanto, apesar da negociação ser importante, Celeste entende que esse episódio ensinou ao Brasil uma lição que tem efeitos de curto, médio e longo prazo: diversificação comercial. “Hoje, por exemplo, 50% de tudo que a gente exporta vai para três países: China, Estados Unidos e Argentina. São mercados relevantes. São parceiros que a gente valoriza. Eu me inspiro no Cristo Redentor, a gente está de braços abertos para se conectar com todos os países do mundo. Nós não somos um país beligerante ou um país conflitivo, pelo contrário. A nossa tradição de política externa e política comercial é sempre muito contributiva, muito construtiva, mas a gente está aprendendo que é necessária uma grande força de diversificação”.
Para ele, não significa exportar menos para os Estados Unidos, mas de crescer com mais velocidade para outros mercados, visando trazer mais variedade para nossas exportações. “América Latina toma um papel muito relevante nesse sentido. México e Canadá são mercados estratégicos para os quais a gente pode cooperar nesse ambiente de instabilidade. Existem os mercados africanos, que são estratégicos, assim como o Oriente Médio e os mercados asiáticos. A Ásia é o maior motor econômico do mundo. Acho que existe um desconhecimento mútuo entre o Brasil e a Ásia que precisa ser preenchido, precisa ser mitigado. Então, nós temos novas fronteiras para explorar. E eu acho que o cenário atual, ele permite que a gente construa esses esforços de diversificação”.

De acordo com Celeste, a ApexBrasil, a cada ano, realiza mil ações de comércio internacional e investimentos, promovendo diversos setores desde alimentos, bebidas, agronegócio, moda, máquinas, equipamentos, serviços, segmento de petróleo, segmento energético e outros. “Hoje, promovemos do alfinete ao foguete. São 20 mil empresas atendidas e 5 mil empresas exportadoras no ecossistema de apoio. Mas, é preciso ampliar essa nossa participação que ainda é tímida. Hoje 1,2% das exportações globais são representadas pelo Brasil. Quando a gente está falando dessa instabilidade com os Estados Unidos, eles representam 15% do que a gente importa, mas nós representamos 1,3% do que eles importam. Então essa interdependência assimétrica precisa ser mitigada através da internacionalização”.
A importância logística dos portos
Para Francisco Martins, diretor-presidente do Portos Rio, o papel dos portos, em especial dos portos do Rio de Janeiro, é fundamental nesse processo. Segundo ele, há uma grande expectativa de crescimento. “Já no ano passado, a carga conteinerizada do porto do Rio de Janeiro cresceu 70%. Esse ano, o primeiro quadro do mês já mostra um crescimento de 27% em carga conteinerizada, que é a carga que vai atingir mercados importantes, a partir da infraestrutura portuária. Os portos do Rio de Janeiro têm recebido investimentos, como há muito tempo não recebiam. Aumentamos a capacidade dos canais para recebermos navios de maior porte, o que se reflete no crescimento da carga conteinerizada. Temos investido também em dotar os nossos cais de uma estrutura mais adequada e que injeta maior competitividade, além da segurança”.
Segundo Martins, uma parceria estabelecida com a Fundação Getúlio Vargas permite visualizar para onde e como os portos do Rio de Janeiro estão crescendo. “Temos o desafio de consolidar um Complexo Industrial Portuário de Itaguaí, a exemplo do que já foi feito em outras regiões como o Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, que tem essa visão mais holística de desenvolvimento a partir da infraestrutura portuária. Para o porto do Rio de Janeiro, que sofre com a carência de retroáreas, é um porto que já está praticamente tomado em termos de retroáreas, estamos estudando a possibilidade de expansão”.
Os temas de debate no comércio exterior e os investimentos do estado do Rio de Janeiro para a área
Nas palavras de Nelson Rocha, presidente da CAERJ, o comércio exterior vive um momento especial de debate. “Se olharmos para trás, nós veremos que a década de 90, que contextualizou a globalização do mundo, está acabando. Já o que vem acontecendo é uma espécie de desglobalização. Cada país tem olhado para o seu próprio umbigo, e cada um tenta defender o seu. Seja os Estados Unidos com o tarifaço recentemente aprovado, seja a Europa, que usa outros instrumentos, como o Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono da União Europeia (CBAM), que é a taxação de carbono, onde se utiliza uma metodologia própria. O Brasil também pensa no seu próprio CBAM. No entanto, nesse enfrentamento, o Brasil tem oportunidades gigantescas”.

Segundo Rocha os temas de debates da próxima década envolvem alimentos, crescimento populacional, energia, geopolítica e, mais especificamente, a geoeconomia. “A população mundial crescerá mais 2 bilhões de pessoas até 2050. Associado a isso, o consumo de energia no mundo crescerá 28% até 2040… Do ponto de vista de energia renovável, 87% da energia elétrica brasileira é limpa. Diferentemente dos países, especialmente os que estão no hemisfério norte, que não tem condição de gerar energia limpa, ao Brasil é permitido atrair investimentos e, ao mesmo tempo, exportar o que nós temos denominado de carbono… O Brasil é grande protagonista, haja vista que quase 40% do estoque de CO2 do mundo está aqui. Portanto, o Brasil, já há algum tempo, vem adotando uma posição de multilateralismo nas suas negociações internacionais. Isso foi positivo, porque permitiu com que pudéssemos avançar e não ficar dependendo apenas de um ou outro país. É preciso compreender que temos que afastar a questão política da questão comercial”.
Já para Fernanda Curdi, secretária de Desenvolvimento Econômico do estado do Rio de Janeiro, estamos passando por um momento de virada histórica. Segundo ela, em 2022, o Produto Interno Bruto do estado do Rio de Janeiro ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 trilhão, alcançando 1,15 trilhão e ampliando sua participação no PIB nacional para 11,4%. Conforme Curdi, em 2025, a expectativa é de crescimento de 3,3%, impulsionado por setores estratégicos como energia, siderurgia, logística, agronegócio e tecnologia. “O Rio de Janeiro responde hoje por 84% da produção nacional de petróleo e 73% da produção de gás, além de ocupar a segunda posição na produção nacional de aço, com 8,8 milhões de toneladas produzidos em 2024. Essa liderança energética e industrial se traduz em novas oportunidades de negócios, parcerias e exportações em toda a cadeia produtiva. A balança comercial fluminense, por sua vez, segue robusta. Fechamos 2024 com um superávit de 16,9 bilhões e já acumulamos 5,4 bilhões em saldo positivo nos cinco primeiros meses de 2025”.

Segunda ela, isso é reflexo da diversificação da pauta exportadora e da ampliação da capacidade logística e portuária do estado. De acordo com Curdi, entre as medidas estruturantes em andamento, também se destaca o conjunto de investimentos que somam mais de R$ 111 bilhões, com aportes em infraestrutura, energia, portos e inovação. “A política de incentivos fiscais tem apoiado esses movimentos. Somente nos quatro meses de 2025, a Comissão Permanente de Políticas para o Desenvolvimento Econômico (CPPDE), que é a comissão responsável por deliberar os incentivos fiscais do estado, aprovou 35 novos projetos, somando 55,9 milhões em investimentos e expectativa de geração de mil empregos direto no estado. Outro marco foi a concessão de saneamento. Considerada a maior da América Latina, nos três primeiros anos foram investidos 5,2 bilhões com impacto direto na despoluição da Baía de Guanabara e expansão de redes e acesso à água tratada a mais de 600 mil pessoas. A vitalidade econômica do nosso estado, por acaso, se expressa também na abertura de empresas e geração de empregos. Em 2025, já ultrapassamos a marca de 36 mil novas empresas abertas até maio, com um crescimento de 16,6% em relação ao ano anterior. No campo de emprego formal, o Rio de Janeiro encerrou 2024 com mais de 145 mil novas vagas e segue entre os três estados que mais geram emprego no país, com quase 120 mil postos de trabalho criados nos últimos 12 meses”.
Conforme Curdi, o Rio de Janeiro é o segundo maior estado exportador para os Estados Unidos e registrou em 2024 um volume de 7,4 bilhões de importações, especialmente em petróleo refinado e produtos siderúrgicos. Segundo ela, em razão do tarifaço de Trump, será montada uma força tarefa para avaliar os prejuízos e proteger fortemente as empresas. “Em consonância, já estamos agendando reuniões com os setores mais afetados e promovendo encontros com lideranças empresariais para entender suas demandas específicas”.
Rio de Janeiro: um hub inclusivo na zona internacional de serviços entre as Américas
Paulo Protasio, diretor da Autoridade do Desenvolvimento Sustentável do Estado do Rio de Janeiro e presidente do Sistema CISBRA, abriu o painel “Negócios de Impacto no RJ e Oportunidades no Comércio Exterior”. Ele ainda realizou o “Lançamento da Zona Internacional de Serviços”, em conjunto com Nelson Rocha, presidente da CAERJ, e Lisandro Vieira, CEO da WTM, que objetiva promover o estado como um hub de serviços internacionais. Segundo Protasio, o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Rio está amarrado a uma ação consequente de organização de objetivos. “Ou o Rio entende o papel que tem, percebe a forma como ele vai conduzir as suas atividades, ou não vai cumprir com o seu potencial para o Brasil. E eu vou começar pelo lado mais sensível, que é a própria comunidade”.
Na visão de Protasio, trata-se de uma rede onde todos poderão contribuir com as suas capacidades. Segundo ele, não se tratada apenas de um projeto de intenções, mas algo que já é realidade. “Com a atitude de Donald Trump surge uma ótima oportunidade que nos faz ter de refletir e buscar outras possibilidades. Ou seja, nós vamos agora processar esse quadro dentro da criação de uma Zona Internacional de Serviços, que vai além do nosso quarteirão, vai além da nossa cidade, vai dentro de uma ação que dá ao mundo uma nova visão. No mês de setembro próximo deste ano, nós estaremos nos Estados Unidos deflagrando um grande esboço de uma rede combinada com todos os demais países hemisféricos das Américas”.
Protasio ainda disse que é preciso mudar a forma do brasileiro ver o posicionamento do próprio país no mundo. De acordo com ele, diferente do que foi ensinado há 200 anos, o Brasil está no centro do mundo e não vinculado apenas ao Atlântico e à Europa. “Nós não somos só Atlânticos. Devemos pôr fim ao nosso pensamento eurocentrista. Hoje, quase 60% de nossa atividade está no Pacífico. O Rio não pode deixar de ser a porta de saída do Atlântico, mas temos condições também de realizar uma ligação com uma outra porta de entrada, que é o Pacífico”.

Conforme ele, nesta nova perspectiva, devem estar incluídas não somente as cidades, mas as comunidades, as regiões excluídas que, diferentemente do que o senso comum acredita, são dotadas de grande potencialidade para o a produção e o comércio. “Hoje eu já tenho a capacidade de pensar em sabão para exportação na Rocinha. Eu tenho capacidade de pensar em como fazer este processo ser funcional na Rocinha. Portanto, ao buscar impulsionar uma ação para competitividade regional com desenvolvimento sustentável, é preciso ter inteligência, capacitação, know-how”.
Assim, José Alberto Aranha, coordenador geral do Projeto Parque de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental (PISTA) complementou a fala de Protasio ao dizer que não adianta querer criar uma cidade onde metade é inteligente (que tem acesso e está incluída na estrutura socioeconômica fomentada pelas novas tecnologias) e a outra metade não. “Ou seja, porque não pensar num território inteligente, que não fosse a cidade convencional, mas sim territórios como a favela, como a Rocinha, por exemplo, que tem entre 120, 130 mil pessoas… isso é maior que muita cidade do Brasil… porque não pensar em um território inteligente que pudesse competir de igual para igual com os outros territórios, ou outros bairros existentes”.

De acordo com Aranha, o projeto tem cinco anos de existência e iniciou com a ajuda dos recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Atualmente, o projeto conta com o apoio do Banco Mundial, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que está coordenando essas atividades não só na Rocinha, mas na Maré, no Alemão, na Cidade de Deus e em Petrópolis. O objetivo principal do programa é transformar tais territórios em parques de inovação, com o conhecimento produzido através das universidades.
“Trata-se do conhecimento da universidade em termos de pesquisa utilizado para se fazer empreendimento disruptivos dentro das comunidades. Com o apoio da FAPERJ, nós já temos mais de 50 empreendimentos funcionando na Rocinha. Desses 50 empreendimentos, pelo menos 5 deles já estão começando a se destacar. Eu diria que um deles é o projeto Carteiro Amigo. O Carteiro Amigo hoje transcendeu as favelas, ele opera no Brasil, está inclusive ajudando o centro de distribuição da Magazine Luiza em Jundiaí. Isso significa o seguinte, qualquer coisa hoje produzida dentro da Rocinha, a gente consegue colocar no Brasil inteiro. A gente consegue ter um benchmark interessante, um sistema de plataforma, as pessoas podem comprar e podem receber qualquer coisa de uma comunidade”.
Segundo Aranha, não se trata de um sistema assistencialista. Conforme ele, as favelas brasileiras, que são hoje em torno de 10 mil, juntas, poderiam representar o terceiro maior estado brasileiro. “Atualmente, elas têm um PIB interno de aproximadamente 220 milhões de reais ao ano. Ou seja estamos trabalhando com bases econômicas, aplicando o conhecimento produzido nas universidades, com o apoio do governo, para investir, capacitar, educar e fazer com que essas favelas sejam centros de território de inovação competitivos internacionalmente”.
De acordo com Aranha, tais transformações são possíveis levando em conta o meio ambiente que, nas palavras dele, não pode estar dissociada da questão social. “A diferença social é um grande business mundial, e um grande business com possibilidades no Brasil que aparecem no mundo inteiro. Eu me lembro que a Finlândia tinha dificuldade de discutir com a África, porque as distâncias são muito grandes, em especial as distâncias culturais. Mas o Brasil consegue discutir com a Finlândia e a África em termos de tecnologia. Então, nós temos um espaço mundial de ocupação na área de tecnologia social que não está sendo preenchido ainda. E o Brasil tem que ocupar esse espaço. A Fernanda Curdi, aqui no Rio de Janeiro, foi uma grande incentivadora e conseguiu fazer com que o estado agora tenha uma política para a área de impacto social, que está também vinculado ao Ministério de Indústria e Comércio em Brasília, através do programa chamado de Estratégia Nacional da Economia de Impacto (Enimpacto). Estamos falando de possibilidades e empreendimentos de pessoas, produtos e serviços que podem mudar a cara do Rio e do Brasil”.
No dia 17 ainda ocorreram os paineis: “Empoderamento Feminino e Equidade de Gênero”, ministrado por Rita de Cassia Albuquerque, coordenadora de Competitividade II da ApexBrasil, que apresentou o programa “Mulheres e Negócios Internacionais”; “Inteligência de Mercado e Oportunidades de Negócios no Mercado Global”, com a presença de Joe Chi, presidente da Câmara de Comércio da América Latina nos EUA (CAMACOL) e Tiago Toniolo, diretor comercial da ARQUITELAR (Case Nearshoring CISBRA), que explicaram estratégias para encontrar importadores e novos mercados; “Projeto Halal CISBRA”, com Mário Scangarelli, diretor executivo do Sistema CISBRA, e Marc Daher, CEO do Centro Halal da América Latina, que elucidaram as oportunidades de certificar produtos para os mercados mulçumanos, uns dos que mais crescem no mundo; “Economia Azul” e “Novos Acordos Comerciais (Mercosul – UE – EFTA)” foram paineis que trouxeram informação e conhecimento ao público sobre as oportunidades presentes hoje no cenário internacional; e, por fim, “Geopolítica e Economia em Transição”, painel que discutiu os desafios do cenário global.

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